Dilma Rousseff: Desmascarada a farsa de Palocci e Moro para incriminar Lula

Neste momento, uma pergunta se impõe, imperativa como nunca: o que fará o Poder Judiciário?

Via Blog da Dilma Rousseff em 18/8/2020

A divulgação vazada por Sérgio Moro da delação de Palocci tinha por objetivo interferir na eleição de 2018, favorecendo Bolsonaro e buscando a derrota do PT. As falsas acusações ao presidente Lula e à presidenta Dilma se deram a uma semana da eleição e queriam forjar uma rejeição do eleitor em relação a todas as candidaturas do PT, em especial em relação ao candidato Fernando Haddad.

Naquela ocasião, já se sabia que a delação de Palocci era uma peça sem provas. Aliás, essa foi a razão apresentada pelo próprio Ministério Público/Lava-Jato para não aceitar a proposta de delação encaminhada por Palocci.

A operação Lava-Jato sabia da farsa, tanto que nos diálogos revelados posteriormente pelo Intercept Brasil os procuradores reagiram à delação em tom de ironia e deboche. Sabiam do desespero de quem queria obter de volta parte dos recursos auferidos por meio de ações de corrupção confessadas pelo próprio Palocci.

O juiz Sérgio Moro também sabia que a delação não tinha valor algum, e decidiu utilizá-la, vazando-a seis dias antes da eleição, comportando-se como cabo eleitoral de Bolsonaro.

O conjunto da delação de Palocci compõe uma peça única de falsificação dos fatos, que procura afirmar não a verdade, mas aquilo que interessa aos seus interrogadores.

Após a rejeição da delação de Palocci pela Lava-Jato, o juiz Sérgio Moro buscou um caminho alternativo: “esquentar” uma peça que não parava em pé. Contou com a preciosa contribuição de um delegado da Polícia Federal de Curitiba, que aceitou um acordo que já tinha sido negado até pela MPF/Lava-Jato e desmoralizado pela absoluta falta de evidências concretas.

Moro não só quebrou o sigilo da delação como, mais uma vez, vazou seus termos para as Organizações Globo, que, de forma imediata, durante 8m56s, divulgou as falsas acusações no Jornal Nacional. Durante toda a semana que se seguiu, essa reportagem foi replicada e abordada por comentaristas, em termos ainda mais agressivos, em todos os telejornais da Globo, na Globo News, na rádio CBN e nas páginas do Jornal O Globo, sendo reproduzida e citada pelo resto da imprensa.

Foram momentos de um jornalismo de guerra, devastador para as candidaturas petistas, porque centrado em acusações contra Lula, Dilma e o partido. Palocci inventou diálogos que nunca aconteceram, em reuniões que jamais ocorreram, nas quais teriam sido tomadas decisões que os fatos, várias testemunhas e outros delatores negaram terminantemente. Agora, outro delegado da PF, diante da evidente e absoluta falta de provas das afirmações de Palocci, revê a delação anteriormente aceita. Este delegado que decidiu arquivar a investigação revela que todas as acusações de Palocci parecem apenas fruto de pesquisas no Google.

A influência deste massacre midiático sobre o resultado das eleições não pode ser subestimada. E engana-se quem pensa que interferiu apenas na disputa pela presidência. Certamente sugestionou os eleitores e induziu resultados em relação às disputas majoritárias estaduais. Em alguns estados houve mudanças bruscas nas tendências que vinham sendo apontadas nas pesquisas, com candidatos favoritos às eleições majoritárias perdendo apoio em questão de horas, e candidatos quase desconhecidos, a maioria de extrema direita, sendo beneficiados pela onda que a denúncia fraudulenta fabricou.

Palocci, por falsificar uma delação; Moro, por usá-la mesmo sabendo que ela era falsa; e a PF de Curitiba, por ampará-la numa investigação que o MPF já havia recusado, cometeram, todos, um atentado contra a lisura da eleição e o estado democrático de direito. Um juiz que não tinha por hábito apresentar provas, tem contra si, neste momento, novas provas cabais de conduta iníqua e malévola.

A imprensa progressista da internet já havia mostrado isto, a história certamente vai registrar o tamanho desta violação da democracia, mas neste momento uma pergunta se impõe, imperativa como nunca: o que fará o Poder Judiciário?

A própria eleição está comprovadamente sob suspeita, e cabe ao TSE decidir a respeito, com a grandeza que a história haverá de lhe cobrar. Bolsonaro tornou-se presidente beneficiado por uma fraude, cometida por alguém a quem acabou premiando com um cargo de ministro. Qualquer condenação de Lula decidida por um juiz comprovadamente parcial, cuja suspeição deve ser declarada, como é o caso de Moro, precisa ser anulada. Se a atitude de Moro não é evidência de um crime contra Lula, o que mais poderia ser?

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DELAÇÃO DE ANTÔNIO PALOCCI É MAIS UMA FAKE NEWS DA MÍDIA TRADICIONAL
Lalo Leal, via Canal do Barão em 19/8/2020

Com a proximidade das eleições municipais, cresce a preocupação com a onda de mentiras virtuais, mecanismo que vem minando a democracia e promovendo a agenda da ultradireita em diversos países. Porém, é preciso lembrar que a desinformação não ocorre apenas nas redes: a delação premiada de Palocci à Lava-Jato foi espetacularizada e noticiada em letras garrafais pela mídia tradicional, mas hoje, com a delação deslegitimada, o caso ganha apenas nota de rodapé, quando muito.

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CONTAGEM REGRESSIVA
Leandro Fortes em 17/8/2020

Não será surpresa para ninguém se, amanhã, Sérgio Moro tuitar de Miami informando ser mais um foragido da Justiça a se passar por exilado político, a exemplo de Abraham Weintraub e Allan dos Santos, essas duas ratazanas do bolsonarismo que não perdem por esperar.

O castelo da Lava-Jato, construído sobre o monumental cadáver econômico do País, está ruindo por todos os lados, mas nada se compara ao estrago feito pelo relatório da Polícia Federal sobre as delações premiadas feitas pelo ex-petista Antônio Palocci.

O texto, assinado pelo delegado federal Marcelo Feres Daher, revela um amontoado de mentiras e ilações copiadas da internet e transformadas em máquina de assassinato de reputações, à véspera das eleições de 2018, a mando de Sérgio Moro. Ação estrategicamente usada para ajudar a eleger Jair Bolsonaro, de quem o ex-juiz seria ministro da Justiça, por alegres 18 meses.

O vazamento criminoso da falsa delação de Palocci tratava de acusações em torno do Fundo Bintang, sobre o qual se alegava a existência de repasses de informações privilegiadas do governo ao Banco BTG. Era uma maneira de, numa mesma jogada, envolver os nomes de Lula e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A perícia feita pela PF demonstrou que jamais houve qualquer ganho do BTG vinculado à manobra falsamente apontada por Palocci e Moro.

Outros dois inquéritos abertos pela Polícia Federal, com base nas delações de Palocci, já haviam sido arquivados. Sem falar na decisão mais recente da 2ª Turma do STF, que, simplesmente, anulou as acusações produzidas em conjunto por Palocci e por Moro, às vésperas da eleição de 2018, dentro de uma ação penal contra Lula.

Antônio Palocci vendeu sua alma à Lava-Jato para reduzir a pena à qual foi sentenciado, de 18 para 9 anos, e, ato contínuo, foi conduzido, de bico calado, para uma prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, acolhido em um luxuoso apartamento na rica região dos Jardins, na capital paulista.

De onde, provavelmente, nunca mais poderá sair sem levar merecidas cusparadas na cara, por ter se tornado o traidor abjeto que é.

Trata-se de um cadáver político.

Sérgio Moro ainda tem alguma popularidade entre a multidão de incautos, hipócritas e falsos moralistas que a Lava-Jato, com a ajuda da mídia, arrebanhou, nos últimos seis anos.

Mas é pouco provável que fique no Brasil para ser imolado publicamente depois de ter feito tanto por sua pátria-mãe, os Estados Unidos da América.

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