Gestão Dória: Secretário preso em operação sobre fraudes na saúde tem ligações públicas com Carlinhos Cachoeira

Sogro de Alexandre Baldy, o poder de Marcelo Limirio, sócio de Carlinhos Cachoeira, é a prova mais contundente da hipocrisia do sistema penal brasileiro.

Luis Nassif em 6/8/2020

A troco de que Alexandre Baldy, um político sem nenhum conhecimento da área de transportes tenha sido nomeado secretário de Transportes Metropolitanos do governo João Dória Jr? As mesmas razões que levaram Michel Temer a indicá-lo para ministro das Cidades, apesar de nenhuma experiência no tema, ou o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, para seu secretário: negócios.

Ele é genro de Marcelo Henrique Limirio Gonçalves, empresário ligado a Carlinhos Cachoeira, o bicheiro goiano que se tornou parceiro da revista Veja, responsável por inúmeras capas da revista. Ele é fundador da Neoquímica e acionista minoritário da Hipermarcas.

Limirio fez parte da geração de empresários goianos que ganhou riqueza e influência no período de José Serra do Ministério da Saúde, com a implantação do polo farmacoquímico de Goias. Em 2014 apareceu na lista do Forbes como um dos bilionários brasileiros.

Limirio tornou-se réu em Goiás, ao lado de Cachoeira, em uma ação de improbidade. E Baldy, o genro, entrou no relatório final da CPI de Cachoeira, como tendo colaborado com o esquema. Desde 2012, Baldy já era apontado como “o menino de ouro de Carlinhos Cachoeira“.

Segundo o relatório da CPI:

“Muito embora haja suspeitas de que o secretário Alexandre Baldy recebesse recursos periódicos do chefe da Organização Criminosa, nossa investigação não logrou identificar evidências ou indícios que pudessem asseverar a existência dessa realidade, de modo que caberá ao Ministério Público do Estado de Goiás continuar essa linha de investigação”. Não se conhecem desdobramentos da denúncia.

Na verdade, como profusamente demonstrado na CPI de Cachoeira, o bicheiro passou a se valer da extensa rede de corrupção que montou na área pública para prestar serviços para terceiros, empreiteiras e prestadores de serviços públicos. Ele e seu sócio, Marcelo Limirio Gonçalves, tornaram-se grandes financiadores de campanhas eleitorais e, em troca, conseguiam colocar Baldy em cargos chaves. Foi assim que se tornou secretário do governo Marconi Perillo, em Goiás e, depois disso, ministro de Michel Temer.

Tornou-se também o maior doador individual da campanha de Pedro Paulo Carvalho, candidato de Eduardo Paes a prefeito do Rio de Janeiro.

Coincidentemente, Paes tornou-se vice-presidente da chinesa BYD Motors América Latina, que se candidatou à compra do monotrilho de São Paulo. Do lado do governo paulista, o responsável pela licitação é justamente Alexandre Baldy.

Segundo Dória Jr, as acusações que pesam sobre Baldy nada tem a ver com seu trabalho em São Paulo. Faltou explicar as razões que o levaram a nomear um político publicamente suspeito, sem experiência na matéria, para o importante cargo de secretário de Transportes Metropolitanos.

O poder de Limirio é a prova mais contundente da hipocrisia do sistema penal brasileiro.

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