O que é Foro de São Paulo e por que ele gera tanta polêmica e teorias conspiratórias?

O Foro de São Paulo é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990.

Mariane Barbosa, Via Diálogo do Sul em 5/8/2020

Você já deve ter ouvido falar que o Foro de São Paulo é uma “organização criminosa”, uma “grande articulação que quer tomar o poder” ou ainda um “grupo terrorista formado por esquerdistas comunistas”. Até mesmo a revista Veja, em 2014, classificou a organização como a “maior inimiga do Brasil”.

Há 30 anos, Luiz Inácio Lula da Silva abria a primeira reunião do que se tornaria o Foro de São Paulo ou Fórum de São Paulo, como também é chamado, em português. A iniciativa, que reúne partidos de esquerda latino-americanos (mas que já recebeu partidos mais “liberais”), tem despertado a atenção no Brasil, principalmente a partir de críticas e notícias mentirosas difundidas pela direita e extrema-direita.

Para desmistificar tudo que envolve o Foro, revelar suas verdadeiras intenções e o que o fórum conseguiu avançar no debate entre partidos políticos na América Latina, a TV Diálogos do Sul recebeu a psicóloga e secretária-executiva do Foro de São Paulo, Mônica Valente.

Ela conta que no início da década de 1990, no mundo pós queda do Muro de Berlim e com a derrota do socialismo soviético, os partidos políticos de esquerda da América Latina, por uma iniciativa de Lula e o então presidente de Cuba, Fidel Castro, se reuniram para conversar sobre isso.

“Nossa identidade é ser contra o neoliberalismo e buscar alternativas com propostas de inclusão social, igualdade de oportunidades e integração regional na soberania, são esses os principais lemas do Foro de São Paulo”, diz Valente.

Ela conta que no início da década de 1990, no mundo pós queda do Muro de Berlim e com a derrota do socialismo soviético, os partidos políticos de esquerda da América Latina, por uma iniciativa de Lula e o então presidente de Cuba, Fidel Castro, se reuniram para conversar sobre isso.

“Nossa identidade é ser contra o neoliberalismo e buscar alternativas com propostas de inclusão social, igualdade de oportunidades e integração regional na soberania, são esses os principais lemas do Foro de São Paulo”, diz Valente.

Integração soberana
Questionada sobre a integração como um dos lemas do Foro, Valente explica que, no início da organização, o continente “estava sob a hegemonia do neoliberalismo” e, aos poucos, os países foram construindo condições para reverter esse quadro para uma tese antineoliberal, democrática e popular.

E foi a partir dessas primeiras articulações e da necessidade de se adequar à globalização econômica que surgiu a necessidade de discutir um mecanismo de integração como região.

Como exemplo, ela cita a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que criou a Comissão de Saúde de Ministro de Saúde, órgão que hoje seria de muita utilidade na pandemia de coronavírus, assim como a proposta do primeiro secretário-geral da Unasul sobre um processo de integração energética.

“Nós temos um mercado interno maravilhoso de quase 500 milhões de habitantes. Somos uma região riquíssima em recursos minerais, energéticos e naturais e uma região em que a produção agrícola é muito abençoada”, diz Valente, ao ressaltar que a América Latina tem potencial para uma “proposta de integração econômica que possa trazer um ganho compartilhado para todos os países”, sempre visando a proteção ao meio ambiente, uma das bandeiras do Foro de São Paulo.

Por que a direita teme o Foro de São Paulo?
Sobre as inúmeras teorias da conspiração (muitas delas levantadas pelo “filósofo” Olavo de Carvalho), Mônica Valente explica que tem gente sincera que acaba caindo nas conspirações sobre o Foro querer “implantar uma Ursal, União das Repúblicas Socialistas da América Latina)”.

“Eu achei muito legal a oportunidade de [falar com a Diálogos do Sul] para poder disseminar a verdade sobre o Foro de São Paulo, eu acho que esse é o único jeito de combater” essas teorias e conspirações difamatórias, diz.

“O Foro é feito de debates e eles [partidos de direita e extrema-direita] temem ideias, porque são ideias muito fortes, como a solidariedade, a integração regional, a ideia antineoliberal e não só, mas também propostas concretas que nós conseguimos implementar”, explica.

Ela ressalta que ao longo dos anos, os governos de esquerda na América Latina cometeram erros, mas “mostramos que era possível um outro mundo que não nessa ótica do mercado, das grandes empresas, do neoliberalismo”.

Como exemplo dos ataques aos governos de esquerda da América Latina, a psicóloga cita a classificação do governo do venezuelano Nicolás Maduro como “uma ditadura” por parte da imprensa brasileira.

“Não é verdade. Em 25 anos de governo do Chavismo, houve 23 eleições. Se isso não é democracia, democracia é o que tivemos aqui no Brasil com as fake news que estão sendo agora desmascaradas?”, questiona. “O governo da Venezuela é um governo que tem erros, mas que tem acertos e o principal acerto é chamar o povo para decidir”, pontua ao dizer que as mentiras são “para obscurecer o que de fato são as ideias do Foro de São Paulo”.

O que podemos fazer?
A psicóloga ressalta a importância de trazer a política internacional para o cotidiano dos brasileiros. “Nós militantes, não só no Brasil, precisamos trazer mais o Foro de São Paulo e a política internacional para o nosso dia-a-dia. Eu sei que a política internacional é o último assunto que a nossa militância prioriza para pensar e participar porque tem coisas da luta cotidiana que são duras”, diz.

“É preciso dar palpite, construir, criar interlocução entre nós, criar reflexão, para fazer com que os temas internacionais, dentre eles o foro de São Paulo, possam ter mais visibilidade”, conclui.

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