O pré-candidato Moro tenta lavar biografia comprometida com bolsonarismo

Sérgio Moro tenta se descolar do mau cheiro ideológico do bolsonarismo, do qual foi fiel servidor e, às vezes, à direita do próprio Bolsonaro, como aconteceu no pacote anticrime.

Via UOL em 27/7/2020

Sérgio Moro concedeu uma entrevista ao Financial Times e afirmou que deixou o governo porque não havia real compromisso de Bolsonaro em combater a corrupção. É claro que é mote eleitoral, que coincide com o que seus seguidores começam a espalhar nas redes.

Ele só não conta que opera um jeito de lavar a biografia, ou autobiografia, de quem, em 16 meses de governo, condescendeu com os mais variados descalabros do chefe, muito especialmente a tara armamentista que, já confessou o presidente na reunião do dia 22 de abril, tem o objetivo de preparar a população para uma eventual guerra civil.

Também não conta que seu “pacote anticrime” era muito mais reacionário – além de conter várias propostas inconstitucionais – do que aquele aprovado pela Câmara, que acabou homologado pelo presidente, e que ele, Moro, queria vetar. Ou que se opôs ao juiz de garantias, necessidade urgente num país em que uma magistrada, como Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, é tomada como sinônimo da Lava-Jato. E, antes dela, o próprio Moro.

Também não falou o então ministro que viu as questões ambiental e indígena chegar ao paroxismo da indigência e da truculência sem que, da sua boca, saísse um muxoxo.

Não! A sua pauta única segue sendo o combate à corrupção, segundo o deletério modelo que inaugurou no país, que destrói institucionalidade, empresas e empregos. Afirmou ao jornal britânico:

“Uma das razões para eu sair do governo foi que não estava se fazendo muito (pela agenda anticorrupção). Eles estavam usando minha presença como uma desculpa, então eu saí. A agenda anticorrupção tem sofrido revezes desde 2018.”

Arrogante, ele se considerava o garantidor de um governo, como se os votos dados a Bolsonaro – posso lamentar e lamento, claro! – tivessem sido dados a ele, Moro. Mais ainda:

“Ele [Bolsonaro] mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que seja possível combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes”.

Ou por outra: enquanto Bolsonaro barbarizava na área social e da segurança pública, o ministro não viu razões para sair. Só deixou o cargo quando um aliado seu foi destituído.

Também a entrevista é detalhe da ofensiva para consolidar Moro como uma alternativa da extrema direita à Presidência, com a ambição de falar também a setores da direita e do centro que se opõem a Bolsonaro. E a agenda de Moro é aquela de sempre: ele contra todos – e contra a própria política – na suposta luta contra a corrupção.

Infelizmente, setores importantes da imprensa, críticos do chamado “gado bolsonarista”, não se importam em atuar como gado do moro-lavajatismo, negando-se a registrar as óbvias agressões à ordem legal que se praticam em nome do combate à corrupção. O Brasil tem de sair dessa armadilha.

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