Cédula de R$200 é mais uma cloroquina da era Bolsonaro

Moisés Mendes em 29/7/2020

A pergunta de quem tem e de quem não tem dinheiro é esta: qual é objetivo do Banco Central ao lançar uma cédula de R$200 agora, se parece algo completamente sem sentido e inútil?

Meu amigo José Paulo Kupfer, analista de economia do UOL, escreveu sobre o anúncio misterioso da nova cédula e abordou uma das dúvidas que surgem. A nota de R$200 não vai facilitar a vida das quadrilhas de lavagem de dinheiro?

E aí, a partir da questão levantada pelo Kupfer, pensei o seguinte, sempre tentando dar sentido prático a coisas aparentemente esdrúxulas.

E foi nisso que pensei e ofereço como exemplo. Geddel Vieira Lima guardava R$51 milhões em dinheiro vivo em oito malas e seis caixas de papelão num apartamento em Salvador.

Claro que quase todas as notas eram de R$100. Com a nova cédula, Geddel precisaria apenas de quatro malas e três caixas de papelão para guardar o roubo. Parece pouco, mas já é uma economia.

É provável também que a cédula de R$200 facilitasse a vida do pessoal das rachadinhas, reduzindo à metade o volume de dinheiro nos envelopes que entregavam ao Queiroz.

Mas as rachadinhas e as malas de Geddel são do passado. O dinheiro novo do Banco Central da Era Bolsonaro é para o futuro.

Tentem pensar em vantagens para o povo. O auxílio emergencial seria pago com apenas três notas. Mas qual seria o benefício?

Tudo que acontece nesse governo é perturbador e suspeito. Mesmo que digam que o BC tem autonomia para imprimir e rasgar dinheiro, em tempos normais esse dinheiro seria impresso assim, sem explicação?

Quem precisa de R$200 numa hora dessas? O povo está cada vez mais pobre, catando moedas, desempregado e em completo desalento, e eles criam uma cédula mais “forte”, como se o brasileiro estivesse ficando rico.

Pra quem é essa cédula de R$200, que ficará marcada como o dinheiro da pandemia? O que há por trás dessa história da nota com a figura do lobo-guará, sempre ameaçado de extinção, se o que esse governo mais faz é destruir o meio ambiente, os bichos e os povos da floresta?

Bolsonaro pode ter feito a encomenda ao BC para ficar na História como o sujeito que, apesar de valer uma cédula de R$3, criou o dinheiro mais valioso do Brasil. É o que pode estar na cabeça dele.

Vão queimar dinheiro para imprimir dinheiro novo. A nota de R$200 parece ser a cloroquina do Banco Central, com uma vantagem. Não serve pra nada no meio de uma pandemia, mas pelo menos não mata. A cédula de R$200 nasce condenada a ser o dinheiro da morte da era Bolsonaro.

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