38 mil pessoas bisbilhotadas: Lavajatismo é um desvio e agora é a hora de corrigir, diz Augusto Aras

PGR confirmou que a Lava-Jato em Curitiba tem dados sobre 38 mil pessoas. “Que não sirva de chantagem, extorsão”, disparou.

Via Jornal GGN em 29/7/2020

O procurador-geral da República Augusto Aras disse em debate com advogados do grupo Prerrogativas que “agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure.” O encontro, transmitido ao vivo na noite de terça [28/7], ainda registrou Aras admitindo que o “lavajatismo” é um “desvio” e confirmando que a força-tarefa de Curitiba construiu, sem critérios claros, uma base de dados que atinge 38 mil pessoas, que podem ser “chantageadas” com as informações.

A questão do lavajatismo foi levada ao debate pela advogada Flávia Rahal, que defende o senador José Serra – que está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo, que tem copiado o modelo de força-tarefa de Curitiba.

Aras começou reconhecendo que o sufixo “ismo” já denota que “alguma hipertrofia, desvio”, ocorreu na Lava-Jato. “Lavajatismo já revela que alguma coisa não vai bem nessa figura. E esse conceito, o lavajatismo, ele há de ser superado pelo natural, bom e antigo enfrentamento à corrupção. O lavajatismo vai passar, mas o enfrentamento à corrupção, não. E é isso que acreditamos, que a questão chavão Lava-Jato, que fez papel relevante do ponto de vista de exposição, à época, de uma nova forma de fazer investigação, uma metodologia, um sistema, ele deu lugar a essa hipertrofria, a esse desvio.”

O PGR afirmou, contudo, que não gostaria de “pensar no que de desviante pode ter ocorrido [no passado], mas de corrigir rumos. Não podemos gerir o Ministério Público para trás, precisamos gerir para frente. Que o enfrentamento à macro-criminalidade continue a se fazer do mesmo modo, mas no universo dos limites da Constituição e das leis. O lavajatismo há de passar”, assegurou.

Compartilhamento de dados
Antes de falar do lavajatismo, Aras tocou numa questão delicada para a turma de Curitiba: o compartilhamento do banco de dados, que teve de ser obtido por meio de autorização judicial, já que a equipe liderada por Deltan Dallagnol se recusou a entregar as informações solicitadas pela PGR.

Aras revelou que “todo o MPF tem 40 terabytes em todo o Brasil para funcionamento de seu sistema. A força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas lá com seus dados depositados. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios, e não pode se imaginar que nenhuma unidade institucional se faça com segredos”, disparou.

“Esperamos, quando colhidos esses elementos, não o PGR seja dono do destino de 38 mil pessoas, mas que todo o MPF possa, de forma fundamentada, de forma devidamente instruída, justificar para o que quer saber da vida alheia, para que isso não sirva de bisbilhotice, para que não sirva de chantagem, extorsão, de nenhum propósito antirrepublicano”, pontuou.

Confira a partir de 48:28:

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