Quem perdoará a Globo?

Esse parágrafo sintetiza a ideologia da Globo: exclusão da participação popular! E mais: desrespeito à Constituição, cujo primado é o da soberania popular.

Francisco Celso Calmon, via Jornal GGN em 13/7/2020

A Globo tem em seu rastro a participação em golpes e sustentação de ditaduras sanguinárias e de arrochos de salários dos trabalhadores. Suas páginas históricas são manchadas de sangue do povo brasileiro e destruição de biografias. Deformar a verdade, difamar, injuriar e caluniar, sempre foram comportamentos delinquentes que permeiam a sua infeliz trajetória antidemocrática e de entreguismo em prol do imperialismo norte-americano. Mesmo assim, em postura arrogante e prepotente prega perdão ao Partido dos Trabalhadores. Não foi num editorial, mas, sim, em artigo, autorizado em nome dessa maléfica rede de comunicação, cujo título onipotente é: É hora de perdoar o PT.

Quem tem poder de perdoar ou condenar além da justiça e de Deus?

Aspas para o artigo.

“Esse agrupamento político, talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional. Passou da hora de os petistas serem reintegrados. Ninguém tem dúvida de que os malfeitos cometidos já foram amplamente punidos”.

Quem excluiu o PT? Não foram as instituições democráticas. O PT continua no parlamento, nos governos estaduais e municipais, atuando em nome de seus eleitores e das causas dos trabalhadores.

Quem excluiu foi a mídia corporativa liderada pela Globo, portanto, é o reconhecimento de que havia excluído o partido e suas lideranças de suas páginas e telas. É a admissão de que praticou censura!

De fato, os petistas foram amplamente punidos, com muitas injustiças e sem o respeito ao devido processo legal e aos estatutos e código de ética da magistratura. A história desses julgamentos e punições ainda não virou a página. O lavajatismo ainda não foi julgado pelos males que ocasionou e ainda ocasiona ao país.

“Hoje, respeitadas as suas idiossincrasias naturais, homens e mulheres de esquerda devem ser convidados a participar da discussão sobre o futuro do país. Têm muito a oferecer e acrescentar”.

De novo é o reconhecimento da censura e do prepotente e arrogante poder da Rede Globo. Ela se julga no onipotente direito de excluir e depois convidar à participação política do destino do país. Ela se julga cima da democracia, que é includente e não excludente. Quem lhe deu essa prerrogativa?

“Superada esta instância, que é mais fácil, terá de se ultrapassar também a índole autoritária que um dia foi semeada no coração do PT e vicejou. Exemplos são muitos, como a tentativa de censurar a imprensa através de um certo “controle externo da mídia”, de substituir a Justiça por “instrumentos de mediação” em casos de agressão aos direitos humanos, ou de trocar a gestão administrativa por “conselhos populares”.

Esse parágrafo sintetiza a ideologia da Globo: exclusão da participação popular! E mais: desrespeito à Constituição, cujo primado é o da soberania popular.

O poder supremo do povo se torna realidade com a sua participação na gestão pública. A interação entre a sociedade civil e o Estado é assegurada na democracia por meio de alguns mecanismos institucionais, como plebiscito, referendo, iniciativa popular.

O espírito constitucional da democracia cidadã é o de incentivar e permitir que a voz do povo se faça ouvida sempre, através de formas organizadas de interação sociedade e Estado. Portanto, a índole autoritária é da Globo, que reza pela cartilha das oligarquias que permanecem com a cultura escravocrata.

“Não se pode negar que parte considerável do Brasil é de esquerda. Como tampouco há como se ignorar a força da direita nacional. Ambos os campos existem e precisam ser representados politicamente. O Brasil não tem tempo para esperar por uma outra esquerda, renovada e livre da influência do PT.

Esse parágrafo é a demonstração do antipetismo. Como conceber um jornal falar em democracia e se comportar com preconceito e discriminação política?

Foram necessários 50 anos para o Globo reconhecer que apoiou o golpe de 64 e que errou. Mas não passou de uma frase, sem qualquer consequência prática de uma autocrítica sincera, pois em 2016 lá estava, com muito mais força, já em rede, sendo protagonista de novo golpe.

Apoiou e agasalhou o lavajatismo e sua cria, o bolsonarismo. No presente almeja e articula a continuidade do bolsonarismo, com Mourão e Guedes, sem Bolsonaro. Ocorre que o general Mourão chegou ao governo por adesão ao sociopata genocida, por isso, o país só chegará a recompor a democracia com novas eleições e novo pacto, surgidos do poder das urnas que expressarão a vontade popular.

Viver errando é cinismo, hipocrisia, sem-vergonhice e obscenidade. Não há perdão para traidores da Constituição e da pátria.

A “justiça” pode até perdoar a Globo, mas a história a condenará!

A propósito, amanhã participarei de uma live no canal resistênciacarbonária, sobre o tema: ditadura x justiça de transição x bolsonarismo genocida, com Eugenio Aragão e Paulo Cesar Ribeiro, às 19:00 hs.

Francisco Celso Calmon é advogado, administrador, membro do grupo Resistência Carbonária, coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo; ex-coordenador nacional da RBMVJ; autor dos livros Sequestro moral e o PT tenham com isso? e Combates pela democracia (2012), autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma sentença anunciada: O processo Lula (2017).

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