Os agentes do FBI ajudaram a Lava-Jato a quebrar a Petrobras e Odebrecht

Arte: Bruno Fonseca/Agência Pública.

Via Jornal GGN em 2/7/2020

Com pesquisa e ajuda das mensagens de Telegram vazadas ao Intercept Brasil, a Agência Pública conseguiu levantar o nome de alguns agentes do FBI que ajudaram em investigações da Lava-Jato. Mais tarde, gigantes como Petrobras e Odebrecht acabaram processadas nos Estados Unidos por causa dessa parceria com os procuradores brasileiros, e perderam bilhões de reais em multas cobradas pelos norte-americanos.

Segundo a Pública, um dos agentes que vieram ao Brasil interessados na Lava-Jato era Leslie Backschies, que hoje comanda o esquadrão de corrupção internacional do FBI.

George “Ren” McEachern, ex-agente do FBI, supervisionou as investigações da Lava-Jato em nome do Departamento de Justiça, o DOJ, até 2017.

Em uma conferência em 2019, Ren disse que “por volta de 2014, 2015, o FBI estava buscando maneiras de ser mais proativo nas investigações sobre corrupção internacional”, e começou “a olhar para países que poderiam convidar agentes do FBI até o país para analisar investigações de corrupção que tivessem um nexo com os Estados Unidos, em jurisdições como FCPA e lavagem de dinheiro”.

“Foi assim que o FBI se engajou na Lava-Jato”, avaliou a Pública.

Jeff Pfeiffer e Carlos Fernandes também vieram dos Estados Unidos em meados de 2015, interessados nos processos contra a Petrobras.

O FBI enviou para Curitiba dois membros do escritório em Brasília, o adido Steve Moore e o adido-adjunto David F. Williams. Este último aparece nos diálogos da Vaza-Jato por ter sido o agente a quem os procuradores pediram ajuda para acessar o sistema de pagamento de propina da Odebrecht antes de fechar um acordo oficial com a empreiteira.

Outra agente que esteve na comitiva que veio ao Brasil em outubro de 2015 é Christina Martinez, a quem os procuradores chamavam de “Chris”. Além do Brasil, ela trabalhou na Cidade do México e em Buenos Aires.

Em outubro de 2015, a força-tarefa de Curitiba também recebeu Mark Schweers, que retornou em julho de 2016 para conduzir interrogatórios em Curitiba e no Rio de Janeiro. Ele interrogou os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa e também o doleiro Alberto Youssef. Os nomes dos delatores que foram usados nos processos do Departamento de Justiça norte-americano contra a estatal foram colocados sob sigilo depois.

Além de Mark, participaram dos interrogatórios no Rio uma agente cujo nome está registrado como Becky Nguyen.

“Os documentos entregues ao The Intercept Brasil mencionam ainda dois agentes especiais do FBI que atuaram proximamente com investigadores brasileiros a partir do consulado em São Paulo em 2016: June Drake e Patrick T. Kramer”, diz a Pública.

Segundo as mensagens de Telegram, Williams buscou mais informações com June para discutir a possibilidade do FBI ajudar a “quebrar” os sistemas MyWebDay e Drousys, da Odebrecht.

Os agentes que não estão mais no FBI passaram a se dedicar a escritórios especializados em compliance.

Em janeiro de 2020, o GGN lançou uma série inédita e exclusiva sobre a influência dos Estados Unidos na Lava-Jato. A produção mostrou como funciona a FCPA, a lei anticorrupção norte-americana usada para processar Odebrecht e Petrobras. Também mostrou que como os Estados Unidos investem na formação de agentes brasileiros. Abordou a cooperação internacional desde o Banestado até chegar a Lava-Jato. Detalhou as ações contra a Petrobras em solo norte-americano e explicou a lógica financeira por trás de grandes operações como a Lava-Jato: a indústria do compliance.

Leia também: “Lava-Jato Lado B”, a série do Jornal GGN: Os vídeos mostram a influência dos EUA na Lava-Jato

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