Cristiano Zanin: Está provado que ação dos EUA na Lava-Jato não era teoria da conspiração

Cristiano Zanin, advogado de Lula.

Via RBA em 1º/7/2020

Essa reportagem de hoje da Vaza-Jato mostra que a “teoria da conspiração” que apresentamos desde 2016 sobre a cooperação “informal” dos EUA para construir casos no Brasil, usar o FCPA (Foreign Corrupt Practices Act, ou Lei de Práticas de Corrupção no Exterior) para “entrar” em empresas brasileiras etc. estava absolutamente correta.” A afirmação, postada no Twitter, é de Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comentando a parceria do FBI com a força-tarefa da Operação Lava-Jato. A revelação foi trazida pela reportagem de Natalia Viana e Rafael Neves, em parceria entre a Agência Pública e o site The Intercept Brasil.

A matéria mostrou que a força-tarefa de Curitiba foi auxiliada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI, Departamento Federal de Investigação, em português) dos Estados Unidos. E iniciada sob pretexto de “quebrar” a criptografia do sistema de pagamentos ilegais da construtora Odebrecht.

De acordo com a reportagem, a agente especial Leslie R. Backschies esteve diversas vezes no Brasil, trabalhando para a Divisão de Operações internacionais do FBI. Em 2012, ela se mudou para a América do Sul e passou “a viver em local não revelado, de onde supervisionava os escritórios do FBI nas capitais do México, Colômbia, Venezuela, El Salvador e Chile”, diz a matéria.

Suporte a investigações
A agente, que era especialista em armamentos e terrorismo, “passou a se dedicar a investigar casos de corrupção e lavagem de dinheiro na América Latina – com destaque para o Brasil”. Em 2014, passou a usar o know how e o suporte do FBI para ajudar nas investigações da Lava-Jato.

Em outubro de 2015, Leslie foi membro de comitiva de 18 agentes norte-americanos que foram à capital paranaense e reuniu-se com procuradores e advogados de delatores, sem passar pelo Ministério da Justiça (MJ). Segundo a legislação, o MJ tem a competência de fazer a ponte da assistência jurídica com os Estados Unidos.

Para Wadih Damous, advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), a Lava-Jato operar com o FBI em território brasileiro é ilegal. “É criminoso. Pisotearam a ordem jurídica e a soberania nacional”, escreveu, no Twitter. “Essa turma de Curitiba traiu a pátria. Por essas e outras é que não querem permitir o acesso da Procuradoria-Geral da República (PGR) a seus arquivos. Eles têm muito a esconder.”

Cooperação internacional
Em sua página do Facebook, a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), destaca o fato de a reportagem revelar mensagem em que o procurador Paulo Roberto Galvão diz que o canal de comunicação da força-tarefa com o FBI é muito mais direto até mesmo do que o canal da embaixada dos Estados Unidos no país.

“O MPF (Ministério Público Federal) precisa dizer se essas informações trocadas com os EUA seguiram as regras legais de cooperação internacional. Do contrário, seria uma comunicação ilegal”, diz Gleisi.

A ligação entre o FBI e a Lava-Jato “é a comprovação de tudo o que vínhamos falando sobre o papel do Departamento de Justiça dos EUA no Golpe de 2016”, escreveu o ex-senador pelo PT Lindbergh Farias.

As afirmações ou insinuações sobre o consórcio FBI/Lava-Jato não são recentes. Em vídeo publicado no dia 3 de julho de 2016, a filósofa Marilena Chauí afirmou que o juiz federal Sérgio Moro, condutor da Lava-Jato, foi treinado pelo FBI.

“Ele recebeu um treinamento que é característico do que o FBI fez no macarthismo e depois do 11 de Setembro, que é a intimidação e a delação”, disse ela na época. Segundo a filósofa, por trás da parceria entre a força-tarefa de Curitiba e o FBI, a intenção sempre foi tirar do Brasil a soberania sobre o pré-sal. “Por que isso ficou claro para mim? Por que Sérgio Moro foi treinado, nos Estados Unidos, pelo FBI”, destacou.

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