Ciro Gomes usa método macartista para atacar a esquerda

A POLÍTICA DE ÓDIO DE CIRO GOMES
Vivaldo Barbosa em 28/6/2020

Ciro Gomes tem dedicado quase toda sua atividade política a atacar o PT e o Lula, de maneira incessante, raivosa.

Culpa o PT e Lula por todos os males que se abatem sobre o País, parece querer fazer crer que “comem criancinhas”, como se dizia dos comunistas antigamente. Lamentável.

Ciro tem levantado questões interessantes sobre economia e política, mas desencanta em seguida.

Agrada nacionalistas ao falar em soberania e ao criticar o sistema financeiro, desagrada em seguida ao ser favorável à privatização da água e ao atacar as estatais. Diz combater políticas fisiológicas e em seguida acena ao DEM e outros.

Encantou Brizola em um momento e o desagradou em seguida.

Este estilo político de ataques e de ódio foi inaugurado pelo senador norte-americano Joseph McArthy, que via comunistas em tudo na vida norte-americana, nas artes, na cultura, na política, no governo. Caçava comunistas até em Hollywood.

Perseguiu muitos, processou, infernizou muitas vidas, até na prisão muitos foram parar. Foi o início da ação da direita extremada em período de vida democrática, após o fascismo.

Seu movimento ficou conhecido como macarthismo. Voltou a ganhar expressão agora com Trump e sua montagem de redes sociais, estendeu-se por alguns países, veio parar no Brasil, tendo em Bolsonaro sua principal figura.

Ciro Gomes tem usado esses mesmos métodos. Usa a expressão “lulopetismo” como xingamento, refere-se a lulopetistas bandidos, enfatiza que são corruptos, diz que são responsáveis pela eleição de Bolsonaro (ele que foi descansar em Paris após o primeiro turno e voltou na véspera do segundo turno para xingar o PT e o Haddad na hora da decisão).

Quer pegar a esquerda em cheio: ataca até o PSOL. Entrou de corpo e alma na política do ódio.

Até agora, na privatização da água, quando acuado por terem ele e seu partido, o PDT, aprovado a lei que levará à privatização, diz que a culpa é do PT, do lulopetismo. Até Bolsonaro, que procurou tirar proveito eleitoral dessa onda incensada pela mídia, não mais repete esta aleivosia com a mesma ênfase.

Na eleição de 2002, Brizola, procurando levar o PDT a apoiar Ciro, preocupado que Lula ainda enfrentava muita rejeição (o que já havia se dissipado), encontrou resistência em mim, pela orientação política do Ciro não condizente com o trabalhismo, e no senador Jeferson Peres, que alertava por sua personalidade autoritária.

Brizola não aceitou, mas certamente tomou a devida nota. Na campanha, confirmou os descaminhos do Ciro, chocou-se com muita coisa, especialmente pela aproximação do Ciro com Paulinho, então vice, com Roberto Jefferson, com Roberto Freire, procurando alijar Brizola e afogar sua candidatura ao Senado.

Reuniu o partido para sair da campanha do Ciro e pedir a retirada da sua candidatura para procurar assegurar a vitória de Lula no primeiro turno e evitar os riscos do poder econômico e da mídia em segundo turno.

Não conseguiu dobrar o partido por manobras do Carlos Lupi, também candidato a Senador (duas vagas), interessado em minimizar Brizola e ficar com mais chances como praticamente candidato único ao lado de Ciro, então com boa margem no Rio, alegando falta de prazo para convocar Convenção.

Ciro não aceitou e até menosprezou Brizola. Quando diversos de nós comunicamos nosso engajamento na campanha do Lula, Brizola deixou claro que iria também votar no Lula.

Brizola e Ciro nunca mais se falaram. Só se encontraram no dia do anúncio do Ministério do Lula, Ciro nomeado Ministro, quando se cumprimentaram. Nunca mais.

Ciro pode dar contribuição importante à política brasileira, como já deu em algumas questões e em alguns momentos.

Tem de abandonar a prática do ódio e entrar no campo da razoabilidade.

Senão, mistura-se com manifestações direitistas, conservadoras, reacionárias, cujo objetivo é destruir a esquerda e impedir o avanço das forças populares.

O colonialismo que ainda nos assola e a escravidão que ainda nos martiriza sempre tiveram seus porta-vozes, vociferantes alguns. Até com certo talento, como Carlos Lacerda.

Vivaldo Barbosa é advogado e professor. Brizolista e trabalhista histórico, foi deputado federal pelo PDT.

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