O ato virtual da tal frente ampla nasceu morto

FHC, Ciro e Marina estão na “frente ampla”.

Luis Felipe Miguel em 25/6/2020

Parece que o tal ato virtual da tal frente ampla, programado para sexta [25/6], está fazendo água.

Já caiu fora Temer, que seria uma das estrelas da festa – afinal, um ato em defesa da democracia não poderia deixar de convidá-lo, não é mesmo? O usurpador disse que não podia participar porque sentia que haveria críticas a Bolsonaro.

Em sentido contrário, lideranças mais à esquerda estão brigando para que o manifesto a ser lido no início do ato pelo menos cite Bolsonaro pelo nome…

Tem também o problema de Moro. Há quem queira convidá-lo, uma vez que, afinal, a frente tem que ser ampla.

E há quem prefira dizer, como Boulos: “Se ele entrar por uma porta, eu saio por outra”.

Por que esse melindre todo com Moro, quando a tal frente acomoda tantos dos seus chefes no processo de desmonte da democracia brasileira?

Quando a “democracia” que todos abraçam é tão desprovida de conteúdo que pode incluir o golpe, o desmonte da Constituição, a imposição sem freios da ordem neoliberal, o macarthismo, a seletividade aberta do aparelho repressivo de Estado e talvez até mesmo a permanência de um governo neofascista?

O fato é que, enquanto alguns discutiam a laive de amanhã, a verdadeira frente ampla se punha em ação no Senado. A frente ampla da direita, que aprovou a privatização da água por 65 votos a 13.

Bolsonaristas, ex-bolsonaristas, centrão e tucanos não tiveram nenhum problema para superar suas diferenças e impor mais essa derrota à soberania nacional e ao povo pobre do Brasil.

Eu me pergunto o que Boulos está fazendo nessa tal frente.

Tive a curiosidade de visitar sua conta no Twitter. Não há, lá, uma única palavra sobre frente ampla, sobre a laive de amanhã, sobre “o amor à democracia que apaga todas as diferenças”.

Até onde vi, a última vez que ele se manifestou sobre o assunto faz exatamente um mês, com um pequeno vídeo que tece um paralelo – enganoso – com a campanha das diretas-já e não discute nenhuma das questões políticas de fundo.

Meu palpite é que é uma manobra eleitoral. Para a classe média paulistana que tem medo dele, ele mostra que é um bom moço que anda do lado do FHC e tudo. Para sua base, que é quem o acompanha nas redes, é melhor não ficar destacando essa faceta.

Parece esperto. Mas sempre termina mal.

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