Queiroz pode virar o PC Farias do clã Bolsonaro

Bernardo Mello Franco em 18/6/2020

A prisão de Fabrício Queiroz complica a situação de Jair Bolsonaro. O presidente já era investigado no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. Agora volta a ser assombrado pelo fantasma de seu ex-assessor.

Ex-PM, Queiroz era uma espécie de faz-tudo da família presidencial. Amigo de Bolsonaro há mais de 30 anos, atuava como motorista e segurança do clã. Graças ao Ministério Público do Rio, soube-se que ele também ajudava a pagar contas.

De acordo com as investigações, Queiroz comandava o esquema de rachadinha no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, hoje senador. Ele recolhia parte dos salários de assessores e fazia depósitos em espécie.

Um relatório do Coaf revelou que ele transferiu R$24 mil para a conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente alegou que o dinheiro corresponderia ao pagamento de um empréstimo. Nunca apresentou recibo nem declaração à Receita.

As investigações sugerem que Queiroz era uma espécie de PC Farias da família Bolsonaro. PC foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor. Quando o chefe chegou ao poder, continuou a pagar contas da Casa da Dinda. A descoberta dos seus cheques-fantasmas abriu caminho para o impeachment.

Na época de PC, ainda não existia a lei das delações premiadas. Agora os investigadores podem usá-la para convencer Queiroz a contar o que sabe.

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