Flávio Bolsonaro movimentou R$2,2 milhões em imóveis e loja de chocolate

Queiroz na loja de chocolate do 01.

Segundo MP, suspeita é que senador injetou recursos ilícitos não declarados

Alice Cravo, Bernardo Mello Franco, Juliana Castro e Juliana Dal Piva, via O Globo em 20/6/2020

O Ministério Público do Rio (MP/RJ) suspeita que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) tenha injetado recursos ilícitos não declarados no total de R$2,27 milhões na compra de dois imóveis e em sua loja de chocolates. No pedido que embasou mandados de busca e apreensão cumpridos na quarta-feira, o MP argumenta que essas operações, em 2012 e entre 2015 e 2018, foram uma tentativa de camuflar verbas obtidas com um esquema de rachadinhas em seu antigo gabinete.

O MP investiga Flávio por peculato e lavagem de dinheiro devido às suspeitas de que funcionários nomeados na Alerj devolviam parte dos salários, prática conhecida como rachadinha. De acordo com o MP, o ex-assessor Fabrício Queiroz, homem de confiança de Flávio, recebeu transferências de funcionários, entre 2007 e 2018, que totalizaram cerca de R$2 milhões.

Para o MP, Queiroz “não agiu sem o conhecimento de seus superiores hierárquicos” ao recolher parte dos salários do gabinete. Nesta etapa das investigações, o Ministério Público procurou demonstrar não só as evidências de rachadinha e nomeações de funcionários fantasmas, mas também o caminho dos recursos até sua integração ao patrimônio pessoal de Flávio.

Segundo as investigações, Flávio e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, compraram dois apartamentos em novembro de 2012 em Copacabana, no valor total de R$310 mil. O pagamento foi feito em quatro cheques emitidos ao americano Glenn Howard Dillard, representante dos proprietários dos imóveis. No mesmo dia e na mesma agência em que descontou os cheques, Dillard recebeu depósitos em espécie no valor de R$638,4 mil.

POUCO DINHEIRO NA PÁSCOA
Ao revender os imóveis, nos dois anos seguintes, Flávio obteve um lucro total de R$800 mil em relação aos valores declarados. Para os investigadores, o dinheiro em espécie recebido por Dillard seria um complemento “por fora” feito pelo casal Bolsonaro para chegar ao valor real dos apartamentos.

Ainda segundo a investigação, Flávio e sua mulher Fernanda arcaram com mais de R$1 milhão na compra e abertura da loja Bolsotini Chocolates e Café, em um shopping na Barra. Os recursos “não seriam compatíveis com a renda” do casal no período, de acordo com o MP. A sociedade da loja é dividida meio a meio entre Flávio e o empresário Alexandre Santini, que teria atuado, segundo os investigadores, como um “sócio laranja” para camuflar a origem dos recursos.

Os esquemas de Flávio Bolsonaro segundo o MP
Um aspecto inusitado na movimentação financeira da loja de chocolates chamou a atenção dos promotores: as vendas da Páscoa não influenciaram no valor dos depósitos em espécie. Apesar do período representar o pico de vendas do segmento de chocolates, este aumento não refletiu sobre os depósitos em dinheiro. Os registros indicam inclusive que, em outros meses, as quantias chegaram a ser maiores do que no período da Páscoa. “Em períodos com volumes de venda muito inferiores, houve depósitos em espécie em quantias superiores àquelas constatadas no período da Páscoa, não somente em termos percentuais mas também absolutos”, escreveram os promotores à Justiça.

De acordo com o MP, a loja apresentou uma diferença de R$1,63 milhão entre o faturamento auditado pela administração do shopping e o valor efetivamente recebido em suas contas bancárias entre 2015 e 2018.

Divergências no faturamento da loja de chocolates
“Assim, pelo confronto entre os valores creditados na conta corrente da empresa e o real faturamento da loja […], é possível apurar a divergência de valores que corresponde aos recursos de origem ilícita inseridos artificialmente no patrimônio da empresa”, disse o MP.

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