Coronavírus: Brasil é 2º colocado em número de mortos e se invadirmos hospitais chegaremos a 1º

Leonardo Sakamoto em 12/6/2020

Para Jair Bolsonaro, é Brasil acima de tudo. Por conta disso, o presidente tem feito o que está a seu alcance para que sejamos líderes globais em covid-19. Você pode amá-lo, odiá-lo, desdenhá-lo. Mas tem que reconhecer que ele tem sido bem competente nisso.

O Brasil ultrapassou, na sexta [12/6], o Reino Unido em número de mortes por covid – 41.901 aqui, 41.566 lá. Nosso país já ocupava o segundo lugar na contagem de casos de infectados pelo coronavírus e continua dando saltos: são 829.902 no total pela atualização de hoje. Os números são do consórcio de veículos de imprensa, que coletam dados das secretarias estaduais de Saúde.

Os Estados Unidos, de Donald Trump, estão à frente em óbitos e contaminados, mas já veem o Brasil aparecer no retrovisor.

Um dos últimos lances de Bolsonaro pode ajudar o Brasil a ocupar um lugar à frente de todas as nações – se, é claro, seus fiéis seguidores, em todo o país, levarem a sério a proposta suicida e homicida de seu líder. Na quinta [11/6], ele incentivou a invasão de hospitais para tentar provar que estão vazios.

“Tem hospital de campanha perto de você, hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente está fazendo isso e mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não. Se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, disse.

Em outras palavras, o presidente propôs libertar o vírus que se encontra contido em hospitais através da ação de seus seguidores. Convenhamos, se for uma estratégia, é diabólica, mas efetiva.

A declaração ocorre uma semana após deputados estaduais paulistas terem invadido o hospital de campanha do Anhembi, em São Paulo.

Jair Bolsonaro tem se esforçado, desde o início da pandemia, para que alcancemos a primeira posição. Quando líderes planejavam a entrada de seus países em quarentena ou em bloqueio total, ele chamava a doença de “fantasia”, “histeria”, “gripezinha”, “resfriadinho”.

Quando líderes discutiam o fechamento de fronteiras, ele foi aos Estados Unidos trazer coronavírus – foram mais de duas dezenas de infectados em sua comitiva.

Quando líderes investiam em vacinas e implementavam recomendações da comunidade científica e da Organização Mundial da Saúde, ele defendeu a distribuição em massa da cloroquina, mesmo com os graves efeitos colaterais, e ameaçou sair da OMS.

Quando líderes começaram a reabrir a economia porque contiveram o vírus, ele passou a forçar no mesmo sentido, mesmo com a curva de contágio em disparada.

Quando líderes louvam o trabalho de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, que estão dando suas vidas no combate à doença, ele manda seus seguidores para os hospitais, o que, inevitavelmente, significa tumulto e desrespeito.

Bolsonaro conseguiu o que queria. Passou a ser reconhecido como o pior chefe de governo do mundo no combate à covid-19. Não só isso, mas também como um risco sanitário global. Até Trump, sua referência pessoal, nos citou como exemplo negativo por causa dele.

“Se você olhar para o Brasil, eles estão passando por um momento muito difícil. A propósito, eles estão seguindo o exemplo da Suécia. A Suécia está passando por um momento terrível. Se tivéssemos feito isso, teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez até 2,5 milhões ou mais de vidas”, disse em coletiva nos jardins da Casa Branca.

O nome de Bolsonaro foi estampado nos principais veículos de imprensa internacionais, da direita à esquerda, com fotos de caixões sendo enterrados em valas coletivas. Ele chegou lá, tornou-se parte da História. Bilhões sabem quem ele é e o que representa.

Mas não basta, Bolsonaro quer quebrar todos os recordes. E levar a população para a glória. Literalmente.

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