Assassinatos de Marielle e Anderson: Bombeiro milionário é preso por ajudar a ocultar arma usada no crime

O bombeiro Maxwell Simões Correa é conduzido por policiais após ser preso. Foto: Diego Maranhão.

Via UOL em 10/6/2020

O bombeiro Maxwell Simões Correa foi preso na manhã de hoje [10/6] sob suspeita de envolvimento no Caso Marielle Franco, vereadora do Rio assassinada em março de 2018. Ele foi alvo de um mandado de prisão na Operação Submersus 2, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

De acordo com o MP, o bombeiro de 44 anos teria tentado “atrapalhar de maneira deliberada a investigação”. Conhecido como Suel, ele é suspeito de ter ajudado a esconder a arma que teria sido usada no crime. A força-tarefa afirma que Maxwell é o braço direito de Ronnie Lessa, um dos acusados de matar a vereadora e seu motorista Anderson Gomes.

Maxwell chegou à Delegacia de Homicídios por volta das 7h40 após ter sido preso em sua casa, uma mansão de três andares, em um condomínio de luxo, no Recreios dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Na porta da mansão ainda foi apreendida uma BMW X6, avaliada em R$ 170 mil.

Além do mandado de prisão, a operação cumpre mandados de busca e apreensão em dez endereços na cidade do Rio ligados a Maxwell e a outros quatro investigados.

Chamada de Operação Submersus 2, a ação tem como foco a ocultação de armas usadas por Ronnie Lessa.

Em entrevista na entrada da delegacia, a promotora Letícia Emili Alqueres Petriz, do Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado), informou que “o bombeiro está sendo investigado por ceder o carro para que várias armas que estariam na casa de Lessa fossem escondidas e, posteriormente, jogadas ao mar”.

As armas seriam de uso restrito e pertenceriam a Ronnie Lessa. De acordo com a investigação, os objetos foram jogados no mar no dia seguinte à prisão do acusado, em março de 2019.

“O carro estava na posse do Maxwell. A participação dele foi ter cedido o carro para o transporte das armas”, informou a promotora.

Uma BMW X6, avaliada em R$ 170 mil, foi apreendida na operação. Foto: José Lucena.

O delegado Antônio Ricardo Nunes, que comandou a operação e é diretor-geral do Departamento de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, confirmou a participação do bombeiro no sumiço das armas.

“Esse agente público participou diretamente do descarte das armas no mar da Barra da Tijuca quando foram realizadas aquelas prisões que foram noticiadas anteriormente. Por isso está sendo preso”, explicou Nunes.

Segundo o comunicado do Ministério Público, Maxwell agiu em comunhão de ações com os já denunciados Elaine Pereira Figueiredo Lessa, mulher de Ronnie, Bruno Pereira Figueiredo, cunhado de Ronnie, José Marcio Mantovano e Josinaldo Lucas Freitas.

Os objetos estavam armazenados em um apartamento utilizado pelo ex-policial e foram posteriormente descartados em alto mar, segundo o MP.

Para o órgão, ocorreu uma obstrução de Justiça que impediu “a apreensão do vasto arsenal bélico ali ocultado e inviabilizando o avanço das investigações”.

“A arma de fogo utilizada nos crimes ainda não foi localizada em razão das condutas criminosas perpetradas pelos cinco denunciados, cabendo ressaltar que Maxwell ostentava vínculo de amizade com os acusados dos crimes e com os denunciados Josinaldo Lucas Freitas e José Márcio Mantovano”, diz o MP, em nota.

Nunes confirmou a proximidade de Maxwell com Lessa. “Ele era uma pessoa muito próxima ao Lessa, nós já sabemos disso, temos elementos de convicção que noticiam essa proximidade”, garantiu o delegado, antecipando que o bombeiro também deve ser investigado por ter bens incompatíveis com sua renda como agente público.

“Ele não tem rendimentos compatíveis com seu padrão de vida. Além da investigação que está em curso, que ele está respondendo preventivamente, ele também poderá responder por lavagem de dinheiro por conta de todos esses indícios de bens incompatíveis com seu rendimento”, disse Nunes.

Participam da Operação Submersus 2 o Ministério Público do Rio, por meio do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), a Corregedoria do Corpo de Bombeiros e a Delegacia de Homicídios da Capital. A decisão foi proferida por juiz da 19ª Vara Criminal da Comarca da cidade do Rio de Janeiro.

O Corpo de Bombeiros do Rio informou que aguarda informações sobre o processo para abrir procedimento interno.

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