Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil! Quer saúde? Vai pra Cuba!

Na quinta [4/6] morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E eu continuo sem ministro da Saúde.

Diário de José Roberto Torero, via RBA em 5/6/2020

Eu não sou diarista, mas estou todo dia com você, Diário.

E hoje, para dar uma relaxada, só vou falar de coisa sem importância.

Ontem [4/6] morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E pelo terceiro dia seguido. Já são mais de 34 mil defuntos e mais de 600 mil casos. Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil!

Aliás, ninguém mesmo, que eu continuo sem ministro da Saúde. E pra quê eu vou querer um ministro de verdade lá? Pro cara seguir o protocolo da OMS? Não mesmo! Quer médico? Vai pra Cuba!

Eu sou mais do otimismo que do remédio, Diário. Por isso, agora, no site do ministério da Saúde, a gente destaca os curados. As mortes ficam em letra bem pequenininha. Tem que ter pensamento positivo, pô!

O Osmar Terra é um bom exemplo: disse que ia ter só 800 mortos e a covid acabava em abril. Errou, mas o importante é a postura.

Olha, Diário, no tocante ao isolamento, ganhei essa queda de braço. Os governadores tão me imitando. Quem continuar com isolamento vai ficar isolado. Até o Dória já liberou uma abertura. No bom sentido, kkk!

Concessionária, por exemplo, vai funcionar. E tá certo, porque assim o cara compra um carro novo, não precisa mais andar de ônibus e não pega covid.

O melhor é que agora ninguém vai poder botar a culpa só em mim. O Carluxo até escreveu hoje que a culpa das mortes pela covid é dos estados. Aliás, tirei 83 milhões do Bolsa Família para botar em publicidade. Tem que espalhar essa ideia aí.

Diário, preciso lembrar de mandar um abraço para a senhora Corte Real (belo nome!), a patroa da mãe da criança que caiu do prédio. O garoto morreu, mas é o destino de todo mundo. O que que eu posso fazer? Não sou coveiro.

Eu tenho pena é da patroa, que vai ter que gastar uma nota em calmante. E que culpa ela tem? É a mesma coisa que dizer que eu tenho alguma coisa a ver com as mortes da covid só porque dou meus rolezinhos de domingo. Pô, vai pra rua quem quer. Eu só boto dentro do elevador.

E, se alguém vier me encher o saco, mando chupar um picolé de cloroquina, talkei?

Falando em chupar picolé, deixo aqui um conselho para o Dia dos Namorados: arranje alguém que cuide de você como o Aras cuida de mim.

***

PAÍS TEM NOVO RECORDE COM MAIS 1.473 MORTES E SUPERA ITÁLIA. BOLSONARO QUER LIBERAR PRAIAS
Com 614.941 casos e 34.021 óbitos pela covid-19, país se tornou terceiro no mundo em número de mortes, atrás apenas de EUA e Reino Unido.
Helder Lima, via RBA em 5/6/2020

O Brasil superou a Itália em número de mortes pela covid-19 neste 4 de junho. Com 1.479 óbitos nas últimas 24 horas, o país tem seu terceiro dia seguido de recorde diário e agora só está atrás de Estados Unidos e Reino Unido em perdas de vidas pela doença. Já são 34.021 mortes desde o início da pandemia, e 614.941 casos confirmados – sendo 30.925 apenas ontem.

Enquanto a curva de mortes e contaminações pela covid-19 ainda é crescente e a pandemia ainda acelera no país, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta [4/6] que a Advocacia Geral da União (AGU) vai dar parecer favorável à liberação de praias durante o período de isolamento social e pandemia.

“Eu não posso ditar uma política para que estados e municípios ataquem melhor essa questão do vírus. Isso é de responsabilidade exclusiva de governadores e prefeitos. E tem certos governadores aí que pelo amor de Deus…, ainda correndo atrás de gente na praia. Eu acho que estava previsto sair hoje da Advocacia-Geral da União um parecer favorável a que se use a praia”, afirmou.

“A partir de hoje, ou amanhã, quando for publicado, se alguém entrar na Justiça, já sabe que o governo federal vai opinar favoravelmente àquela pessoa ir para a praia. E o juiz de cada cidade que vai recepcionar esse mandado de segurança que vai decidir se o João pode ir para a praia ou não […]. E segundo o Supremo Tribunal Federal não compete a mim decidir essa questão”, afirmou, incentivando a desobediência a medidas de isolamento social.

No estado de São Paulo, epicentro de casos e mortes pela covid-19 no país, e na capital paulista, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas (ambos do PSDB), começam a ceder a pressões para abrandar a quarentena. A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e o Sindicato dos Advogados de São Paulo (Sasp) protocolaram junho ação civil pública para que o Tribunal de Justiça do Estado contenha a flexibilização do isolamento.

Testes
Até o momento, 3,12 milhões de testes de laboratório (RT-PCR) foram distribuídos para laboratórios centrais. Conforme o balanço do Ministério da Saúde, desde o início da pandemia foram solicitados 752,4 mil exames. Destes, 620 mil foram requeridos para covid-19 e 132 mil para outros vírus respiratórios. Dos primeiros, 556 mil foram analisados, 32 mil estão em trânsito (amostra foi coletada mas não chegou ao laboratório) e 32 mil em análise.

Os exames operados por laboratórios privados somam 529,7 mil até o momento. Considerando esta modalidade, o total de testes chega a 1,08 milhão. Comparado com o contingente populacional, o Brasil está com uma média de 8,7 mil testes por milhão de habitantes.

A média geral é de 36,3 mil exames por semana. E a média de resultados positivos vêm se mantendo em 29%, enquanto os negativos vêm ficando em 70,5%.

Em relação ao tempo de análise, 74,1% foram processados em até cinco dias, sendo 50,2% em até dois dias e 23,9% entre três e cinco dias. Já os testes rápidos (sorológicos) tiveram 748,9 mil kits aplicados até o momento.

Manifestação
Em Brasília, nesta quinta, movimentos de mulheres, entidades sindicais e parlamentares protestaram contra a falta de ações do governo Bolsonaro contra a covid-19. Reportagem de Camila Piacesi, no Seu Jornal, da TVT, mostrou o ato realizado pela manhã, em frente ao Palácio do Planalto. O ato começou com uma homenagem aos profissionais de saúde que morreram no combate à pandemia. Segundo os dados mais recentes, 150 enfermeiros e mais de 100 médicos já foram vítimas da doença.

“Ele tem criado uma falsa verdade de que a doença infelizmente vai matar e que é assim mesmo. E a gente sabe que isso não é verdade. Hoje, nós estamo em 31 mil mortes e as mortes em ascendência. O governo está há mais de duas semanas sem ministro da saúde”, destacou a enfermeira Carine Rodrigues, que participou do ato.

“Nós temos hoje o governo federal negando os recursos necessários para o enfrentamento à pandemia pelos estados e municípios”, diz a deputada federal Érika Kokay (PT-DF). Esses recursos seriam fundamentais para a aquisição de EPIs e respiradores. “A União não está fornecendo os instrumentos necessários para que estados e municípios possam fazer frente à pandemia. O descaso do governo com trabalhadores e renda também foi alvo do ato.

Ministério
Na quarta-feira [3/6], foi publicado no Diário Oficial da União decreto do presidente Jair Bolsonaro com a nomeação de Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde. Pazuello é nomeado após 19 dias à frente do ministério, como secretário-executivo da pasta. No decreto de ontem, Pazuello foi exonerado desse cargo, para assumir a interinidade. Ele responde pelo ministério desde 15 de maio, quando Nelson Teich anunciou sua saída.

Ontem, Bolsonaro nomeou o coronel Antônio Elcio Franco Filho como secretário-executivo do Ministério da Saúde, no lugar de Pazuello. Desde o mês passado, ele já era adjunto. A portaria de nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial.

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