Grampo: Marcelo Bretas, que “encobria as coisas” de Wilson Witzel, agora quer prendê-lo

Escuta da Lava-Jato registra conversa sobre Bretas querer quebrar o esquema do empresário Mário Peixoto no governo Witzel.

Via Jornal GGN em 21/5/2020

O juiz Marcelo Bretas supostamente “encobria as coisas” corruptas que ocorrem na administração de Wilson Witzel. Mas, cooptado por Jair Bolsonaro – ou melhor, seduzido por uma vaga na Suprema Corte – agora quer desmontar o esquema em torno do governador que virou adversário dos Bolsonaro. É isso o que registra um grampo da operação Favorito, da Lava-Jato do Rio de Janeiro.

A conversa sobre Bretas e Witzel, captada pelos investigadores e divulgada na quarta [21/5] pelo G1, ocorreu entre Luiz Roberto Martins, operador financeiro do empresário Mário Peixoto (o “favorito” que batiza a operação) e Elcy Antônio dos Santos Silva, ex-diretor da Organização Social IDR.

No grampo, Luiz disparou: “O nosso Governador, o WW, ele tinha um parceiro que estava encobrindo as coisas dele, que é um ‘tripolar’, que é o nosso juiz, o Bretas. E de repente o Bolsonaro cooptou o Bretas. […] E hoje, e hoje a ideia do Bretas é colocar o Witzel na cadeia.”

Na mesma conversa, Luiz disse que seu “amigo”, o Peixoto, “está em maus lençóis” porque “o Bretas não consegue pegar o WW, mas está querendo pegar um [dos] dois. Ou o amigo, o MP [Mario Peixoto] ou Pastor.” Para o G1, o pastor na mira de Bretas pode ser Marcelo Crivella. Mas quem tem relação com os personagens dessa trama é o Pastor Everaldo.

Ainda de acordo com Luiz, Peixoto, preso pela Lava-Jato, “botou uma tropa de choque pra trabalhar”, supostamente distribuindo propina para se livrar de acusações.

Peixoto, entre janeiro e fevereiro, conseguiu dois contratos “emergenciais” com o governo Witzel. “Um na CST Tecnologia, lá na Faetec, de 35 milhões de reais na Átrio. E outro de 26 milhões no Detran”, segundo Luiz.

Peixoto e família são donos de uma série de empresas que prestam serviços para o governo do Rio de Janeiro e algumas prefeituras desde os governos Cabral e Pezão.

Mesmo investigado na Lava-Jato, Peixoto conseguiu destravar embargos impostos a suas empresas para atuar na gestão Witzel. Há escutas indicando que o próprio governador teria conversado com Peixoto sobre a retomada das contratações.

Witzel conhece Peixoto ao menos desde a eleição de 2018. Seu sócio, o advogado Lucas Tristão, é representante da empresa Átrio Rio, que está em nome de um dos filhos de Peixoto. Witzel transformou Lucas Tristão em secretário de Desenvolvimento. Ele foi flagrado almoçando com Peixoto durante a quarentena contra coronavírus.

O Ministério Público Federal desconfia que houve favorecimento a empresas ligadas a Peixoto durante a contratação de obras e serviços emergenciais por conta da pandemia.

***

A RELAÇÃO ENTRE WITZEL E MÁRIO PEIXOTO, O EMPRESÁRIO PRESO NA LAVA-JATO
Senador Romário revelou que Mário Peixoto esteve na campanha de Witzel. O próprio governador teria desembargado suas empresas.
Via Jornal GGN em 21/5/2020

Era outubro de 2018 quando a relação direta entre Wilson Witzel e o empresário Mário Peixoto, preso pela Lava-Jato do Rio de Janeiro, veio à tona durante um debate televisivo.

Numa rodada contra Witzel, o também candidato ao governo estadual, senador Romário, foi direto ao ponto: “Você conhece Mário Peixoto, que lhe ajudou a fazer seu plano de governo? […] Você sabe que ele é sócio do Picciani e outros políticos totalmente envolvidos na Lava-Jato?”

Eduardo Paes, mais um concorrente, explorou o tema em outros dois debates. No que foi realizado pelo SBT, ele disse a Witzel: “Você [Witzel] se diz a favor da Lava-Jato, mas na verdade você saiu da função de juiz e advoga para o pastor Everaldo – que é delatado na Lava-Jato – e seu patrão, para o Mário Peixoto, que é o maior fornecedor do Estado do Rio de Janeiro – e que está indiciado na Lava-Jato.”

Eleito, Witzel deixou Peixoto transitar livremente pelos bastidores do governo, segundo reportagem de O Dia. O empresário chegou a ter uma briga com Pastor Everaldo, o presidente do PSC que detinha “feudos” no governo do Rio e não estava disposto a perder influência para o empresário.

Peixoto é dono de empresas fornecedoras da Saúde do Rio de Janeiro desde os governos Cabral e Pezão. Mesmo investigado na Lava-Jato, conseguiu destravar embargos impostos a suas empresas para atuar na gestão Witzel. Há escutas indicando que o próprio governador teria conversado com Peixoto sobre a retomada das contratações.

O Ministério Público Federal desconfia que houve favorecimento a Peixoto durante a contratação de obras e serviços emergenciais por conta do coronavírus.

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