Fantoche: Bolsonaro quer ministro da Saúde alinhado e que “aguente o tranco”

Enquanto o novo ministro não é escolhido, seguem as especulações sobre possíveis candidatos. O mais recente é Ítalo Marsili, psiquiatra defendido por simpatizantes do escritor Olavo de Carvalho – e que está em plena campanha nas redes sociais para assumir o posto.

Via Valor Econômico em 18/5/2020

O presidente Jair Bolsonaro não tem pressa para escolher o próximo ministro da Saúde. Com a ajuda de aliados, está procurando um nome para substituir Nelson Teich, que pediu demissão na sexta-feira [15/5], surpreendendo o presidente e seu núcleo mais próximo, apesar do processo de fritura a que o ministro começava a ser submetido.

Auxiliares de Bolsonaro dizem que ainda não há um nome definido para o posto. Mas o perfil ideal do próximo ministro já está sendo traçado. Bolsonaro quer um nome alinhado a ele na questão da cloroquina e do isolamento social, motivo principal das discordâncias com Teich e o antecessor, Luiz Henrique Mandetta.

O candidato deve ser firme e comprar as brigas do presidente nessas duas questões. Nas palavras de um auxiliar de Bolsonaro, tem que ser alguém que “segure o rojão e aguente o tranco”. Na versão de fontes do governo, Teich se demitiu não apenas por causa da cloroquina, mas principalmente porque sentiu a pressão do cargo.

Ministros do núcleo militar também vêm aconselhando Bolsonaro a escolher um civil para o posto. O argumento é que é preciso escolher um médico renomado nacionalmente, algo que não existe no seio das Forças Armadas. Por trás dessa intenção, também há a preocupação de que, com o ministério todo militarizado, os militares podem arcar com toda a responsabilidade política pelas mortes por conta da covid-19, doença causada pelo coronavírus.

O secretário-geral da pasta, general Eduardo Pazuello, permanecerá no cargo de ministro da Saúde como interino por quanto tempo for necessário. Ainda sob Teich, Pazuello fez mais de uma dezena de nomeações e já comanda praticamente toda a parte operacional do ministério.

Pazuello também deve assinar em sua interinidade um novo protocolo do ministério, recomendando o uso da cloroquina nos estágios iniciais da doença – uma bandeira política de Bolsonaro. A medida retiraria um bode da sala do próximo ministro da Saúde, que assumirá com esse assunto já resolvido.

Enquanto o novo ministro não é escolhido, seguem as especulações sobre possíveis candidatos. O mais recente é Ítalo Marsili, psiquiatra defendido por simpatizantes do escritor Olavo de Carvalho – e que está em plena campanha nas redes sociais para assumir o posto.

Outros profissionais citados nos círculos bolsonaristas ou em reportagens sobre o tema são o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e a oncologista Nise Yamaguchi, ambos defensores da cloroquina, e os do pediatra e toxicologista Anthony Wong e o virologista Paolo Zanotto.

Na sexta-feira, chegou a ser falado o nome do vice-almirante Luiz Froes, diretor de Saúde da Marinha. Mas, por ser militar, seu nome se enfraquece dentro do perfil que Bolsonaro traçou com seus auxiliares mais próximos.

Leia também: Ítalo Marsili, o olavista favorito para o Ministério da Saúde

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