Heleno rasgou fantasia da moderação militar

Aroeira.

Bernardo Mello Franco em 20/2/2020

No início do governo Bolsonaro, vendeu-se a tese de que a presença de generais no Planalto serviria para conter os rompantes do capitão. Os militares, que submeteram o país a 21 anos de ditadura, voltariam à cena como guardiães da democracia. Seriam o novo Poder Moderador, segundo expressão adotada pelo ministro Augusto Heleno.

A conversa caiu em descrédito em poucos meses. Agora foi implodida de vez pelo próprio general, que abriu uma nova crise entre o governo e o Congresso.

Sem perceber que estava sendo filmado, Heleno defendeu o enfrentamento com o Legislativo. “Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se!”, esbravejou. Mais tarde, em reunião fechada, ele bateu na mesa e incentivou o presidente a “convocar o povo às ruas”. Curiosamente, coube a Bolsonaro pedir cautela e pregar a negociação.

Num governo carente de temperança, o general escolheu surfar a onda da radicalização. No ano passado, ele flertou com o terraplanismo ao contestar os dados do Inpe que apontaram a alta no desmatamento. Depois usou termos rasteiros para insultar o presidente da França.

Heleno também investiu no bate-boca com ex-presidentes brasileiros. Mandou Fernando Henrique “calar a boca”, chamou Dilma de “terrorista” e defendeu que Lula fosse condenado à “prisão perpétua”. A pena não existe no país. Foi banida pela Constituição de 1988.

Na ânsia de imitar o capitão, o general passou a atacar a imprensa no Twitter. Em agosto, vociferou contra um jornalista sem notar que ele escrevia num blog de humor. O episódio virou chacota, mas deveria inspirar preocupação. Na gestão Bolsonaro, o chefe do setor de inteligência é incapaz de distinguir uma piada de um texto noticioso.

No início do governo, o ministro adotou figurino discreto. Começou a rasgar a fantasia em junho, depois que um sargento da FAB foi preso na Espanha com 39 quilos de cocaína. O caso enfureceu Carlos Bolsonaro, que passou a atacar Heleno nas redes. Ao se juntar aos radicais, o general caiu nas graças do vereador. “Somos todos general Heleno”, tuitou ontem o Zero Dois.

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