Bolsonaro diz que mandou o filho condecorar miliciano Adriano em 2005

Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niteroi à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que Nóbrega era herói quando foi condecorado pelo filho Flávio Foto: Agência O Globo.

Presidente fala sobre Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope homenageado por Flávio Bolsonaro em 2005 e morto pela polícia no domingo [9/2].

Via Época em 15/2/2020

O presidente Jair Bolsonaro falou, pela primeira vez, no sábado [15/2] sobre a morte de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope que foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014 e tinha no currículo uma lista de acusações de crimes: de ser matador de aluguel, chefe de milícia, de atuar no jogo do bicho e com máquinas de caça-níqueis. Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que foi ele quem pediu ao filho Flávio, quando o hoje senador era deputado estadual fluminense, que homenageasse Nóbrega. Em 2005, Nóbrega recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

No evento de inauguração, Bolsonaro ainda disse: “Desconheço a vida pregressa dele (Nóbrega). Naquele ano (2005), era herói da Polícia Militar. Como é muito comum, um PM, quando está em operação, mata vagabundo, traficante”. Nóbrega estava detido quando foi homenageado por Flávio. Em janeiro de 2004, ele foi preso preventivamente, acusado pelo homicídio de um guardador de carro.

Em 2003, com apenas sete anos no Bope, Nóbrega foi alvo de uma série de suspeitas de irregularidades nas operações que comandava, o que acarretou sua saída da corporação de elite da polícia. Foi então transferido para o batalhão do bairro de Olaria, na Zona Norte da cidade, e lá seu currículo foi oficialmente manchado. O que antes eram apenas suspeitas de abusos e torturas contra moradores de comunidades se provaram reais. O Grupamento de Ações Táticas (GAT) da unidade que o capitão comandava ficou conhecido como “guarnição do mal” pelas favelas do bairro. Os policiais sequestravam, torturavam e extorquiam moradores em troca de dinheiro. Uma investigação da PM identificou pelo menos três vítimas do grupo chefiado por Nóbrega em 2003. Uma delas era Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, o guardador de carro que foi executado logo depois de denunciar que havia sido agredido.

Nóbrega chegou a ser condenado, mas o júri popular foi anulado em segunda instância. Na época, o então deputado federal Jair Bolsonaro o chamou, em discurso na Câmara, de “brilhante oficial” e prometeu agir para “reparar a injustiça” que havia sido cometida contra ele. Até aquele momento, nenhum PM despertara tanta devoção pública da família Bolsonaro.

Mais recentemente, o ex-policial foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se houve “rachadinhas”no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Familiares de Nóbrega foram contratados como assessores no gabinete do então deputado estadual: a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018.

Foragido, Nóbrega foi morto no município de Esplanada (BA), ao ser alvo de operação que envolveu as polícias baiana e fluminense na primeira semana de fevereiro. Mesmo o tendo cercado em um sítio, os policiais resolveram invadir a propriedade. E alegam terem matado Nóbrega após ele reagir.

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