Direita norte-americana defende Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald obteve um feito diante do absurdo da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal à Justiça: a direita norte-americana se levantou em sua defesa, em defesa da liberdade de imprensa.

Via Jornal GGN em 23/1/2020

O jornalista Glenn Greenwald obteve um feito diante do absurdo da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal à Justiça: a direita norte-americana se levantou em sua defesa, em defesa da liberdade de imprensa. Abaixo, dois momentos: um artigo de David Harsanyi no The National Review e, em seguida, o editorial na TV NRO.

EM DEFESA DE GLENN GREENWALD
David Harsanyi, via The National Review

Ele usa práticas jornalísticas tradicionais para expor comportamentos corruptos que os poderosos gostariam de esconder. Isso se chama reportagens.

Os promotores brasileiros alegam que o escritor Glenn Greenwald era membro de uma “organização criminosa” que pôs as mãos em comprometer as conversas entre funcionários do governo e depois disseminou o material para o público em geral. Afirmo que os promotores brasileiros estão apenas oferecendo a melhor definição de bom jornalismo.

Existem poucas questões com as quais eu concordo com Greenwald – algumas de suas opiniões considero detestáveis, na verdade – mas, por qualquer caracterização razoável, ele é jornalista. Muito bom, de fato. Se você concorda com suas conclusões, objetivos ou visão de mundo, as informações de Greenwald sobre o estado de vigilância mudaram a maneira como os norte-americanos falam sobre seu governo.

Nos últimos anos, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, publicou mensagens de texto vazadas que levantam questões sobre a imparcialidade do ex-juiz (agora ministro da Justiça) Sérgio Moro e de outros promotores que atuaram em uma força-tarefa anticorrupção que indiciou vários políticos de esquerda de destaque, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa corrupção desenfreada ajudou o presidente de direita Jair Bolsonaro a conquistar o poder.

Agora, não pretendo ser um especialista em política brasileira, mesmo que ache hiperbólica parte da reação a Bolsonaro, que parece não ser mais autocrático do que o líder de esquerda médio na América do Sul. Mas três coisas parecem inegáveis: (1) As mensagens de texto e transcrições divulgadas pela publicação de Greenwald, The Intercept Brasil, têm valor genuíno em notícias; (2) Greenwald adquiriu essas conversas usando práticas jornalísticas estabelecidas e sólidas; e (3) Bolsonaro está tentando intimidar jornalistas buscando retribuição contra um repórter que fez um trabalho particularmente eficaz em danificá-lo.

Sim, Greenwald é um escritor ideologicamente orientado. O mesmo acontece com a maioria dos repórteres norte-americanos (embora o problema do jornalismo nos Estados Unidos não seja tanto ideológico quanto partidarismo sem princípios, que flui como uma torrente em uma direção). E sim, o marido de Greenwald, David Miranda, é um deputado eleito no partido Socialismo e Liberdade de esquerda da oposição. Tudo isso importa, mas nada prejudica a veracidade das conversas que Greenwald descobriu. Tampouco, mais importante, significa que o processo pelo qual ele obteve as informações deve ser considerado criminoso em uma nação livre.

O caso do governo brasileiro se baseia em parte na alegação de que Greenwald ajudou a “facilitar a prática de um crime”, incentivando suas fontes anônimas a excluir cópias de mensagens roubadas, em um esforço para evitar a detecção pelas autoridades. Bem, usando essa justificativa maleável, a maioria dos jornalistas investigativos poderia ser acusada de um crime no Brasil, uma vez que a maioria conspira para fugir das autoridades em algum nível.

Pergunte a qualquer repórter norte-americano, e eles lhe dirão com prazer que iriam para a prisão para proteger o nome de fontes que transmitem ilegalmente informações a eles.

Greenwald gostaria de fazer comparações entre seu caso e o de Julian Assange, acusado pelas autoridades norte-americanas de conspirar para invadir computadores do governo. Mas há uma distinção importante: Assange supostamente participou da criminalidade inicial, oferecendo assistência na violação de senhas, enquanto Greenwald aconselhou uma fonte sobre como proteger sua identidade depois de já ter entregue informações.

No ano passado, uma justiça na suprema corte do Brasil impediu a polícia federal de investigar o papel de Greenwald na divulgação de mensagens invadidas. A decisão proibiu Bolsonaro de usar “medidas coercitivas” para impedir Greenwald. Não está claro se o governo Bolsonaro vai lutar contra a decisão do juiz ou simplesmente ignorá-la e seguir em frente com uma acusação de Greenwald.

De qualquer forma, é autoritário usar os poderes da polícia para silenciar jornalistas que o envergonham. Porque muitas vezes – talvez na maioria das vezes – o jornalismo mais importante implica trabalhar com informantes ou denunciantes que se envolvem em ilegalidade para descobrir interações pouco lisonjeiras ou corruptas que pessoas poderosas adorariam enterrar. Sem essa confusão, muito jornalismo significativo seria ilegal.

David Harsanyi é escritor sênior da National Review e autor de First Freedom: A Ride Through Enduring History of the America with the Gun. @davidharsanyi

E na NRO.

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