Ela apoiou o golpe: Dilma deve ser obstáculo do retorno de Marta ao PT

Desculpe Lula, mas ninguém esquece essa foto.

Ex-presidenta não esquece tom duro usado por Marta durante processo de impeachment.

Via iG Último Segundo em 30/11/2019

A volta da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, para o Partido dos Trabalhadores (PT) pode sofrer resistências de membros da sigla. Na avaliação da legenda, segundo a colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo, a ex-presidenta Dilma Rousseff não esquece o tom usado por Marta quando defendeu seu impeachment, em 2016.

Outro episódio relembrado pela ex-presidenta petistas é o o dia em que Marta entregou a deputada Janaina Paschoal um buquê de flores. Janaína foi a autora do pedido de impeachment que tirou Dilma da Presidência. Marta também aplaudiu Paschoal de pé, no dia seguinte à entrega das flores.

Convite
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, no dia 21 de novembro, que o PT lance o maior número possível de candidaturas próprias em cidades importantes durante as eleições municipais de 2020.

Lula e aliados da legenda tentam se aproximar de Marta Suplicy, que rompeu com o PT em 2015. As possibilidades de retorno para a antiga legenda podem ser pela candidatura em São Paulo. Outra alternativa é a filiação de Marta a outro partido para sair como vice em uma chapa encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

***

MARTA SUPLICY É A LIÇÃO DE POLÍTICA E HUMILDADE QUE LULA DÁ A CIRO
Carlos Fernandes em 1º/12/2019

Não é exagero afirmar que 10 em cada 10 militantes petistas simplesmente abominam a ideia de Marta Suplicy, atualmente sem legenda, voltar ao Partido dos Trabalhadores.

Não é para menos.

A forma como Marta saiu do PT e se aliou ao suprassumo da canalha política desse país, feriu de morte toda e qualquer admiração que se pudesse ter por uma mulher que inegavelmente exerceu importante papel histórico na luta pela igualdade social, racial e de gênero no Brasil.

Mas a despeito de sua luta pretérita, suas recentes escolhas, suas afirmações infundadas, seu rancor descontrolado e sua adesão indesculpável ao golpe que, vejam só, apeou do poder a primeira presidente mulher desta nação, trouxeram para seu currículo uma mancha que muitos diriam insuperável.

Mas o que seria a política senão a arte da conciliação em nome de um bem maior?

Quando Luís Carlos Prestes estendeu a sua mão a Getúlio Vargas – o cidadão que entregou a sua esposa, grávida de sua filha, para ser morta nos campos de concentração nazista – um ato de extrema grandeza foi praticado por um homem que colocou o país acima de seus próprios sentimentos.

Consta que ainda preso, Prestes certa vez declarou:

“Eu detesto o senhor Getúlio Vargas. Isso não é mistério para ninguém. Eu o responsabilizo por toda essa apatia, por toda essa degradação moral de que estamos sendo vítimas. Mas, se amanhã consentissem que eu falasse aos brasileiros, eu lhes dou minha palavra de que recalcaria todo esse meu ódio e seria o primeiro a pedir que ele cerrasse fileiras em torno do governo, tanto sinto a premência de nos organizarmos em torno do que existe, tanto noto que já nos falta o tempo de pensarmos numa situação ideal, para nos ocuparmos tão somente de compensar o tempo que perdemos contemporizando ou mesmo nos acumpliciando com o mal…”

É curioso que muitos anos depois, outro grande brasileiro, Leonel Brizola, viria a reprimir possíveis mágoas criadas na batalha política com Lula e iria apoia-lo incondicionalmente contra aquele que julgava, com muito fundamento, ser um mal para o Brasil.

São fatos que entraram para a história justamente por terem sido tomados exclusivamente com a razão.

Colocar o bem nacional acima de suas próprias mágoas e frustrações requer uma maturidade que muitas vezes não se é conquistada com o simples passar dos anos.

É aqui que se separam políticos de estadistas.

Ainda é cedo para prever qual será o futuro da mulher que certo dia entregou flores a Janaína Paschoal, mas ao estender sua mão a Marta Suplicy, Lula mostra que sempre há tempo para rever nossos erros e superarmos aquilo que um dia dividiram nossos caminhos.

Além de um gesto de grandeza e, claro, pragmatismo político ao tentar se organizar com o que de fato existe, como diria Carlos Prestes, é de quebra mais uma lição que o maior líder popular da América latina dá a Ciro Gomes.

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Uma resposta to “Ela apoiou o golpe: Dilma deve ser obstáculo do retorno de Marta ao PT”

  1. José Carlos Bastos Says:

    O PT, meu partido, de vez em quando faz merda. Tentou juntar Dilma com o PMDB em Minas. Em Pernambuco, rifou a candidatura de Marília Arraes, para apoiar o golpista Paulo Câmara, Até agora o resultado desta aliança com o PSB é zero. Agora quer ressuscitar Marta. Isto é, claramente, uma disputa de poder dentro do Partido. Prefere perder a eleição do que permitir que alguém de outro grupo se lance candidato. Lástima.

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