Balbúrdia gramatical: Os 11 erros do ministro da Educação que você não pode cometer no Enem 2019

O ministro da Educação Abraham Weintraub, durante entrevista exclusiva ao UOL, em seu gabinete em Brasília. Foto: Kleyton Amorim/UOL.

Carolina Santos, via UOL em 15/10/2019

As gafes e erros do ministro da Educação, Abraham Weintraub, viralizaram na internet e se tornaram notícia. Os internautas não perdoaram. Piadas, memes e comentários como “o ministro da Educassão” ou dizendo que ele reprovaria no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pipocaram nas redes.

Assim como Weintraub, muita gente pode escorregar no português. Nem sempre é fácil escrever da maneira correta e ninguém quer ser “o chato da gramática” nas redes sociais.

Mas demonstrar domínio da norma culta da língua portuguesa na escrita é uma das competências que devem ser seguidas para uma boa nota na redação do Enem. Além disso, o texto precisa ter coerência, o que significa que as frases precisam fazer sentido.

Alguns errinhos são muito comuns na hora de produzir o texto e são exatamente essas falhas que tiram pontos. Entenda quais declarações do ministro poderiam ser um problema se elas fossem usadas na prova.

Erro 1: Concordância verbal
No filme “Cantando na Chuva”, Gene Kelly empoleirava-se num poste sob um temporal com seu guarda-chuva. Em um vídeo divulgado em seu Twitter, Weintraub faz referência ao musical. Ele aparece com guarda-chuva na mão anunciando a suposta “chuva de fake news” que teria acometido o MEC. A fala, no entanto, chamou atenção por um erro de concordância verbal.

Haviam emendas parlamentares de R$55 milhões para recuperar o museu.
Abraham Weintraub, ministro da Educação

Forma correta: Havia emendas parlamentares de 55 milhões para recuperar o museu.
Explicação: Erro de concordância verbal. No sentido de existir, o verbo haver é impessoal. Só se conjuga na terceira pessoa do singular. Se o ministro quisesse mesmo utilizar um verbo no plural, ele deveria ter optado pelo verbo existir. O correto ficaria: “Existiam emendas”.

Erro 2: Ortografia
Weintraub foi acusado de curtir um post que prega a violência contra estudantes. Ao defender sua atitude, o ministro derrapou na gramática. Depois de receber muitas críticas, ele apagou o tuíte e postou novamente, já com a devida correção.

Há uma série de fake news envolvendo meu nome, algumas calúnias nas quais eu insitaria a violência.
Abraham Weintraub, ministro da Educação

Forma correta: Há uma série de fake news envolvendo meu nome, algumas calúnias nas quais eu incitaria a violência.
Explicação: Ele trocou a letra “c” por “s”, grafando errado a palavra incitaria.

Erro 3: Uso de crase

Forma correta: Não vou abrir mão de minha carreira de professor. Qual alternativa a uma semana de férias? Qual o custo fiscal? Não há! Globo/Marinho, deixe de mentiras e populismo barato!
Explicação: A preposição “a” é o correto para tempo futuro (em vez de “há”). O acento grave, indicador de crase, diante da palavra “uma” (numeral ou artigo indefinido) está incorreto, porque esses adjuntos adnominais impedem a inserção de outro artigo, no caso, o “a”, para que o acento grave fosse necessário. Além disso, no texto a palavra “Marinho”, por ser um nome próprio, deveria estar registrada em letra maiúscula.

Erro 4: Ortografia
Em ofício endereçado ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o ministro da Educação assinou o documento no qual aparece duas vezes a palavra “paralisação” usando a letra “z”.

Com a redução de bolsistas de mestrado e doutorado, há paralização (sic) de pesquisas e risco de evasão de pesquisadores para atuação no exterior, comprometendo o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país.
O referencial monetário apresentado ao MEC impossibilita a destinação de menos da metade do orçamento que as universidades e institutos possuem atualmente. Com isso, haverá a paralização (sic) de cursos, campi e possivelmente instituições inteiras, comprometendo a educação superior e a educação profissional e tecnológica (EPT)
Abraham Weintraub, ministro da Educação

Forma correta e explicação: Ele escreveu duas vezes a palavra “paralisação” usando a letra “z”. De acordo com as normas ortográficas da língua portuguesa, a palavra paralisar deve ser grafada com “s”. Dessa forma também são grafadas as palavras da mesma família, por exemplo, paralisia e paralisante.

Erro 5: Hífen

Forma correta: Os jornalistas que não agiram de má-fé (exceto Globo/Marinho) deveriam estudar antes de falar. Não fazendo NADA errado, já há centenas de miras laser em minha cabeça!
Explicação: Má-fé é um substantivo composto (formado a partir da junção de duas palavras) e deve ser escrito com hífen para separar as palavras “má” e “fé”, que são um adjetivo e um substantivo respectivamente.

Forma correta: Bem-vindos ao front!
Explicação: É um erro bastante comum após o novo acordo ortográfico. O elemento “bem” merece uma atenção especial nas palavras compostas em que o segundo elemento se inicia por consoante. No sentido de saudação, “bem-vindo” é um adjetivo e deve ser escrito com hífen. Benvindo, junto e sem hífen, existe, mas neste caso é um nome próprio.

Forma correta: Pós-graduação.

Explicação: Pós-graduação é uma das palavras com hífen, porque “pós” e outros prefixos como “pré” e “pró” são unidos pelo hífen à palavra seguinte.

Erro 6: Crase

Forma correta: Desejo sucesso aos brasileiros que irão à Olimpíada Internacional de Matemática.
Explicação: A crase é usada para unir duas vogais idênticas. Essa união é representada graficamente pelo acento grave. A forma verbal “ir” exige a preposição “a”. Logo a forma correta seria “… que irão à Olimpíada Internacional”, uma vez que há a fusão da preposição a (exigida pelo verbo ir) e do artigo “a”, que acompanha a palavra Olimpíada, que está determinada.

Erro 7: Uso de vírgulas

Explicação: Existem três erros de pontuação referentes ao uso da vírgula. O primeiro erro de vírgula aparece entre o sujeito composto por vários núcleos e o verbo, na segunda linha. Na mesma linha, o erro de vírgula surge depois da conjunção adversativa, “porém”. Se a conjunção está introduzindo a ideia subsequente, não deve ocorrer vírgula entre ela e a ideia introduzida. Finalmente, o advérbio de confirmação “sim” deve vir entre vírgulas para marcar o seu valor de ratificação.

Erro 8: Esse ou esta?

Forma correta: Com Bolsonaro presidente, esta é a gaita que o ministro do MEC leva e esconde no bolso!
Explicação: O pronome demonstrativo “esta” deve ser usado para apontar algo que está perto de quem fala, ou seja, do emissor da mensagem. O pronome demonstrativo “essa” deve ser usado para apontar algo que está perto de quem ouve, ou seja, do destinatário da mensagem. Logo, se a gaita está no bolso do ministro, ele devia ter usado o pronome demonstrativo “esta”.

Erro 9: Trocar palavras

Forma correta e explicação: Ao comentar o caso envolvendo um militar preso com cocaína, o ministro da Educação usou o termo “acepipes”, o que deixou o texto sem compreensão. Ele queria dizer “asseclas”, termo que significa seguidor ou partidário. Acepipe é uma palavra mais saborosa. Ela se refere a um petisco, em geral um prato servido como entrada de refeição.

Eu sofri na pele um processo inquisitorial. E fui inocentado. Durante oito meses eu fui investigado, processado e julgado num processo inquisitorial e sigiloso. Que eu saiba, só a Gestapo fazia isso. Ou no livro do cafta ou na Gestapo.
Abraham Weintraub, ministro da Educação

Forma correta e explicação: Em uma sessão no Senado, Weintraub cometeu uma gafe inusitada ao explicar aos senadores as prioridades da pasta que comanda. O ministro confundiu o nome do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924) com um prato árabe. Cafta é um prato preparado com carne moída, cebola e hortelã picada.

O escritor é autor de obras consagradas como “A Metamorfose”, em que o protagonista se vê transformado num inseto, e “O Processo”, em que o personagem principal é preso de surpresa e levado a julgamento sem saber por que está sendo julgado. O termo kafkiano passou aos dicionários designando algo absurdo.

Erro 10: Uso de gírias

Forma correta e explicação: Comuna, petralha, coxinha, zoeira, zoiado. Gírias fazem parte da linguagem coloquial. Pode ser uma forma leve e descontraída que usamos para falar com nossos amigos e nas redes sociais. Na redação, a gíria tira pontos e o correto é usar a norma culta. Mas não seja formal demais, pois uma linguagem rebuscada pode ser considerada preciosismo ou prolixismo. A dica é ter clareza na explicação.

Erro 11: Uso de ironia e sarcasmo

Forma correta e explicação: A ironia é uma figura de linguagem. Ela é usada para que algo fique subentendido para o leitor e pode causar um efeito de humor ou crítica. O uso das aspas no início e no fim de palavras e expressões que se pretendem destacar marca a ideia de ironia. Ela já apareceu em questões do Enem, quase sempre como estímulo para o raciocínio, para que o leitor interprete de forma correta o sentido do texto.

Um tipo de ironia, o sarcasmo é uma figura de linguagem mais ácida, que tem como claro objetivo zombar ou ofender o destinatário da expressão. O uso dessas figuras de linguagem na redação do Enem não é uma boa ideia. Na prática, a ironia é mais usada no gênero artigo de opinião, o que não é o caso do texto dissertativo-argumentativo cobrado na redação.

Uma resposta to “Balbúrdia gramatical: Os 11 erros do ministro da Educação que você não pode cometer no Enem 2019”

  1. Magda ferreira santos Says:

    JÁ NÃO BASTA UM PRESIDENTE SEMI ANALFABETO QUE ADESTROU SEUS FILHOS NA ESTREBARIA MAIS PRÓXIMA E SELECIONA MINISTROS DE SUA MESMA ALTURA INTELECTUAL!! POBRE BRASIL!! E É DA “EDUCASSÃO”!!

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