Leandro Fortes: As páginas amarelas da Veja são uma arapuca para a esquerda

ARAPUCA
Leandro Fortes em 17/9/2019

As páginas amarelas da revista Veja exercem, para a esquerda, um fascínio semelhante ao que aquelas armadilhas luminosas que, colocadas estrategicamente sobre a mesa, atraem e torram insetos distraídos.

Mesmo no auge de sua popularidade nefasta, quando era praticamente o braço armado das classes dominantes contra os governos do PT, as amarelas conseguiam seduzir quadros da esquerda para seu abismo editorial.

Foi lá, por exemplo, que o senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, anunciou que iria deixar o partido, em plena convulsão golpista – tramada com a ajuda da Veja – contra Dilma Rousseff, em 2015. Não saiu. Mas o vexame está na internet, para quem quiser ler.

Desta feita, a vítima foi Rui Costa, governador da Bahia.

Rui, a bem da verdade, não disse nada demais: reiterou sua posição sobre a prisão injusta de Lula, mas ponderou que, ao fazer alianças, o PT deveria levar em conta a necessidade de não impor o #LulaLivre a futuros aliados.

Também admitiu que, na sua visão pragmática de política, às esquerdas deveriam ter se unido em torno do nome de Ciro Gomes, por ora, no PDT, para vencer as eleições de 2018.

Nesse último caso, não se trata de nenhum desvario. Ciro era, sim, uma opção de convergência, à época, quando não sabíamos que ele iria fugir para Paris, como um príncipe ressentido, após ser relegado ao terceiro lugar que, insistentemente, a História tem lhe reservado.

Quanto ao #LulaLivre, embora seja uma posição honesta, Rui cometeu um desses sincericídios que a luz mágica das páginas amarelas da Veja parece suscitar na esquerda nacional para, justamente, se voltar contra ela.

Colocou o governador contra a direção do partido, jogou um balde de água fria nos ânimos levantados pela #VazaJato e, o pior de tudo, tem obrigado Rui a, reiteradamente, ficar se explicando – um espiral de ruídos negativos que, quase sempre, deixa alguma mácula na narrativa de quem por ele é aprisionado.

Em tempos ultraconsolidados de comunicação em rede, com dezenas, centenas de plataformas digitais de informação disponíveis sob todos os aspetos, é difícil acreditar que essa arapuca da Veja ainda funcione.

Mas funciona.

***

NOTA DO PT SOBRE A ENTREVISTA DO GOVERNADOR RUI COSTA À REVISTA VEJA
Em nota, o PT reafirma que a bandeira “Lula livre” é central na defesa da democracia, da soberania e dos direitos no Brasil.
Via Portal do PT em 14/9/2019

Diante da entrevista concedida à revista Veja pelo governador da Bahia, Rui Costa, também integrante do Partido dos Trabalhadores, temos a declarar:

1) O PT tomou uma decisão absolutamente correta ao lançar candidatura própria nas eleições presidenciais de 2018. O companheiro Lula, nosso primeiro representante, liderava todas as pesquisas de opinião, com forte tendência a vencer no primeiro turno. Com a candidatura de Lula ilegalmente cassada, lançamos o nome de Fernando Haddad que teve grande desempenho político e eleitoral, chegou ao segundo turno e só não venceu a eleição pelo uso criminoso de notícias falsas pela campanha de Bolsonaro, com financiamento ilegal até de fontes estrangeiras, contando com a omissão da mídia e da Justiça Eleitoral;

2) O eventual apoio do PT a Ciro Gomes, se à época já não se justificava porque nunca foi intenção dele constituir uma alternativa no campo da centro-esquerda, hoje menos ainda, dado que ele escancara opiniões grosseiras e desrespeitosas sobre Lula, o PT e nossas lideranças;

3) Dado o caráter autoritário, antinacional e fortemente antipopular do governo Bolsonaro, não cabe outra atitude ao PT que não seja fazer oposição permanente e destemida a seu governo neoliberal de extrema-direita e promover a defesa intransigente das liberdades e da democracia que ele ameaça diuturnamente. Diferentemente do que afirma o companheiro Rui, o PT não tem se restringido a combater o governo. Elaboramos e apresentamos propostas para enfrentar os graves problemas do país e do povo, como o desemprego, o aumento da injustiça social, para o sistema tributário, o pacto federativo, entre outros.

4) O PT não impõe condições para dialogar com todos os setores que se oponham ao governo autoritário, antinacional e antipovo. Ao contrário, temos trabalhado fortemente pela reconstituição da frente de esquerda dentro e fora do parlamento, pela construção da mais ampla frente democrática e participado de todos os fóruns em defesa da liberdade e da democracia. Em todos esses espaços denunciamos o caráter político da prisão de Lula e o que isso representa de afronta ao próprio regime democrático. Temos bem claro que a bandeira “Lula livre” é central na defesa da democracia, da soberania e dos direitos no Brasil;

5) Nossa visão sobre a Venezuela considera primeiramente que o país vizinho se encontra sob criminoso embargo econômico e tentativa de intervenção militar estadunidense (com apoio do governo Bolsonaro), o que denunciamos em todos os fóruns. O PT repudia as tentativas de golpe, defende a pacificação do país e uma saída negociada democraticamente para a crise da Venezuela, respeitando o direito de autodeterminação do povo venezuelano;

6) Consideramos totalmente extemporâneo o debate sobre candidaturas presidenciais para 2022. No momento, nossa luta é para fortalecer a resistência ao bolsonarismo, defender a soberania nacional e os direitos sociais ameaçados. Esse processo vai produzir as condições políticas e a frente que irá, no campo da centro-esquerda, representar o povo brasileiro nas eleições de 2022. O PT certamente fará parte desse conjunto e, sendo um partido democrático como os demais, poderá sugerir nomes de seus quadros para participarem desse processo. É alentador identificar em nossas fileiras nomes com legitimidade para assumir essa responsabilidade, a começar pelo companheiro Lula, com sua reconhecida capacidade para unificar essas forças e o próprio povo brasileiro. O PT saberá fazer esse debate, democraticamente, no momento adequado.

Comissão Executiva Nacional do PT

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