“Rio Grande do Sul pode virar nova Roraima se esquerda for eleita na Argentina”, afirma Bolsonaro

Via Zero Hora em 12/8/2019

Em discurso inflamado na cerimônia de inauguração dos 47 quilômetros duplicados da BR-116, em Pelotas, na segunda-feira [12/8], o presidente Jair Bolsonaro criticou a vitória do peronismo kirchnerista nas prévias de domingo [11/8] na Argentina. Defensor do atual presidente Mauricio Macri, Bolsonaro afirmou que a “esquerdalha deu sinal de vida” e deu recado aos apoiadores gaúchos, sob gritos de “mito”:

“Se a esquerdalha voltar na Argentina, poderemos ter no RS um novo Estado de Roraima, com argentinos fugindo para cá”.

Desde 2015, o município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela – a cerca de 200 quilômetros de distância da capital de Roraima – tem recebido grande fluxo de migrantes, em meio ao surgimento de conflitos sociais no país vizinho.

Depois da solenidade, Bolsonaro cumprimentou apoiadores junto ao brete. Debaixo de chuva, respondeu a algumas perguntas da imprensa. Sobre a relação com Argentina caso vença o peronismo kirchnerista, respondeu:

“Aí não sei, aí não sei”.

Vitória kirchnerista na Argentina
No domingo [11/8], o candidato kirchnerista Alberto Fernández, que teve a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, venceu as eleições primárias na Argentina. A chapa de Fernández tinha 47,66% dos votos contra 32,08% da chapa de Macri, atual presidente.

A vitória da chapa de oposição nas primárias presidenciais argentinas representou um revés para o presidente Jair Bolsonaro, na avaliação de integrantes da cúpula militar e da diplomacia brasileira.

Desde maio, Bolsonaro tem feito reiterados ataques a Cristina, inclusive em entrevista à imprensa estrangeira, e pedido à população argentina que não votasse nela. Para ele, o retorno da hoje senadora ao Poder Executivo pode fazer com que a Argentina se torne uma Venezuela.

De acordo com os dados oficiais, o comparecimento às urnas foi alto, com a participação de 75% dos eleitores. As chamadas Paso (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) foram criadas em 2009, com a intenção de diminuir o número de candidaturas que concorriam na eleição.

As primárias argentinas servem mais como uma espécie de pesquisa eleitoral confiável, pois o voto é obrigatório, do que para definir as chapas, que já foram escolhidas por cada coalizão.

Na última eleição, em 2015, o kirchnerismo ganhou nas primárias e no primeiro turno, com Daniel Scioli. No entanto, Macri venceu no segundo turno e se tornou presidente.

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BOLSONARO NEGA “NEGOCIAÇÃO SECRETA” EM ESCÂNDALO DE ITAIPU
Luciano Nascimento, via Agência Nacional em 9/8/2019

Os ministérios de Minas e Energia e das Relações Exteriores divulgaram hoje [9/8] nota conjunta destacando que o processo de negociação de compra de energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, não foi secreto. A ata bilateral do acordo para a negociação de energia elétrica produzida por Itaipu, no período de 2019 a 2022, foi cancelada após a divulgação das condições do acordo ter gerado uma crise política no país vizinho.

“Diferentemente do que tem sido divulgado, todo o processo de negociação que resultou na assinatura da Ata Bilateral não foi secreto. Em todas as reuniões houve a participação dos representantes dos Ministérios das Relações Exteriores de ambos os países, da Eletrobras, da Ande e da Itaipu Binacional”, diz a nota divulgada no final da tarde de sexta-feira [9/8].

No dia 24 de julho, o então presidente da estatal paraguaia de eletricidade, a Agência de Administração Nacional de Eletricidade (Ande), Pedro Ferreira, renunciou ao cargo. Inicialmente, Ferreira justificou a decisão alegando “desentendimentos” em questões envolvendo negociações sobre a compra, pelo Paraguai, de energia de Itaipu. Posteriormente, o próprio Ferreira disse a jornalistas que o acordo não convinha a seu país, pois, entre outras coisas, levaria o Paraguai a pagar mais pela energia.

Uma ata do acordo já havia sido assinada um mês antes de o então presidente da Ande tornar público o assunto. Assinada em 24 de maio pelo embaixador do Brasil no Paraguai, Carlos Simas Magalhães, e pelo embaixador paraguaio no Brasil, Federico González, a ata do acordo foi anulada no dia 1º de agosto, depois que a imprensa do país vizinho tornou pública a negociação, considerada prejudicial aos interesses paraguaios. Jornais e sites do Paraguai falam em um potencial prejuízo de US$200 milhões para o país caso o acordo tivesse sido levado a cabo.

Segundo a nota do Ministério de Minas e Energia e do Itamaraty, a negociação visava a corrigir uma “defasagem histórica” na contratação da energia de Itaipu por parte da Ande. “Considerando que a contratação pela Ande não tem acompanhado o alto crescimento de sua demanda de energia, a Ata Bilateral buscou reequilibrar esta relação, de modo que cada parte pague pela energia que efetivamente consome”, diz o texto.

Ontem [8/8], a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou a criação de uma subcomissão temporária para analisar a assinatura do acordo entre Brasil e Paraguai. De autoria do senador Jaques Wagner (PT/BA), o Requerimento n° 52 aponta a necessidade de o Senado inteirar-se sobre a suspeita de “tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia”. De acordo com o requerimento, a subcomissão também deverá “fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas”.

A esse respeito, a nota também afirma que a venda da energia somente poderia ser feita entre as duas empresas e que “não tem qualquer fundamento a especulação sobre a possibilidade de comercialização da energia da usina binacional por parte de alguma empresa que não seja a Eletrobras e a Ande”.

Com o cancelamento da ata, as discussões sobre a venda de energia voltaram a ser tratada no nível técnico. Na terça-feira [6/8], técnicos da Ande e representantes paraguaios da Itaipu Binancional se reuniram, no Paraguai, para discutir pontos que, posteriormente, negociarão com os representantes brasileiros para estabelecer um novo acordo para contratação de energia elétrica. “A primeira reunião técnica aconteceu nesta terça. Está prevista a constituição de uma mesa de trabalho permanente para avaliar as várias propostas com vistas às próximas tratativas entre representantes paraguaios e da Eletrobras, do Brasil”, informou nota divulgada pela Presidência paraguaia.

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