O pavão não tão misterioso e o software Pegasus, a arma quase letal do Carluxo

Rogério Mattos em 1º/8/2019

Olhando matéria de 8 de julho do DCM, se deduz de onde saíram as supostas invasões hackers. Tem que se lembrar que o governo começou a reclamar de estar sendo hackeado quase no mesmo período de divulgação das reportagens do The Intercept (não lembro se um pouco antes ou um pouco depois). Foi na mesma época que os milicos descobriram o artifício do 02.

Dois dias antes da primeira reportagem, em 09 de junho, houve uma reunião entre os militares onde se provou a eficácia do software Pegasus, desenvolvida pela empresa israelita NSO Group – Cyber Intelligence for Global Security. Como diz a matéria do DCM citada acima:

Durante a reunião os generais ficaram perplexos quando o apresentador pediu apenas o número de um celular dos presentes para testar a capacidade da ferramenta. O resultado foi assustador e provocou algumas indagações pelo general Santos Cruz, ainda ministro-chefe da Secretaria de Governo: “esse software é capaz de invadir celulares e computadores sem realmente deixar rastros? Respondeu o apresentador: “sim. E só existe dois no mundo, os dois são israelenses, sendo que o Pegasus deixa traço capaz de ser identificada a invasão. E mais! Peguem o aparelho do número testado e façam qualquer perícia em qualquer parte do mundo que o resultado será nulo para identificação da violação.

O Pavão Misterioso se utiliza, desde o início do governo, desse software israelense chamado Pegasus. Gustavo Bebbiano foi demitido por causa das informações recolhidas por Carluxo em seu brinquedinho. Seu objetivo é criar um aparato de inteligência paralelo a Abin.

Fazendo a montagem dos fragmentos acima, fica fácil de saber de onde disparou a suposta invasão massiva de membros do governo, alardeando a todos que Greenwald seria o hacker ou se utilizaria de um para fazer suas matérias. Foi só adicionar os infames “outrossim” e o “eu hacker” para dar uma assinatura a violação.

Essa é uma ponta da história. A outra está no único elemento de verdade que parece trabalhar agora a Polícia Federal, a da invasão do celular de Manuela D’Ávila. Como disse em outro post [aqui], alguém soube desse contato previamente ou o provocou e agora o usa como “prova”. Não haveria motivação para se pedir o telefone de Greenwald porque seu site tem uma plataforma exclusiva para a entrega de materiais sigilosos e, pior, para que invadir um celular e pedir um número de sua agenda eletrônica?

As conexões de Sérgio Moro com as agências de espionagens norte-americanas podem ter fabricado a invasão a Manuela para se precaver de movimentações que estariam previamente atentos. Mais um capítulo do mundo de fumo e espelhos característico de quem trabalha com os subterrâneos da espionagem, agora com a presença insidiosa do Pavão Misterioso.

Prova-se também que são duas iniciativas partidas de fontes diferentes: Carluxo e Moro atuam autonomamente. Acusado o golpe no governo pela ação do The Intercept, o primeiro a agir para defender os seus (com a suposta invasão dos membros do governo) foi o filho de número 02. Agindo por fora, Moro e os norte-americanos trabalham para a consolidação da contranarrativa criada para a defesa do núcleo duro do governo, em especial no caso Manuela.

Rogério Mattos é professor, tradutor da revista Executive Intelligence Review. Formado em História (UERJ) e doutorando em Literatura Comparada (UFF).

***

GUERRA CIBERNÉTICA, PEGASUS: A ARMA QUASE LETAL DO ZERO DOIS, CARLOS BOLSONARO
Mino Pedrosa em 8/7/2019

A reunião reservada no alto comando do Exército Brasileiro na manhã do dia 07 de junho de 2019, com seis generais da ativa e o ministro Santos Cruz, revelou a arma usada por Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que culminou com a queda de dois ministros e caminha para o terceiro. NSO Group – Cyber Inteligence for Global Security, é a empresa mãe israelita que gerou o software usado pelo “02” de Bolsonaro. Pegasus é o nome da ferramenta utilizada na invasão de computadores e celulares para retirar conteúdo. Na reunião foi feita uma apresentação do software concorrente ao usado por Carlos Bolsonaro no combate aos seus desafetos, demostrando que a tecnologia foi aprimorada e realmente segundo a explanação, garante não ser possível a identificação do invasor.

Durante a reunião os generais ficaram perplexos quando o apresentador pediu apenas o número de um celular dos presentes para testar a capacidade da ferramenta. O resultado foi assustador e provocou algumas indagações pelo general Santos Cruz, ainda ministro-chefe da Secretaria de Governo: “esse software é capaz de invadir celulares e computadores sem realmente deixar rastros? Respondeu o apresentador: “sim. E só existe dois no mundo, os dois são israelenses, sendo que o Pegasus deixa traço capaz de ser identificada a invasão. E mais! Peguem o aparelho do número testado e façam qualquer perícia em qualquer parte do mundo que o resultado será nulo para identificação da violação.

A invasão do celular testado durou 13 minutos e o resultado foi devastador. Na resma reunião foi comentado que o software Pegasus foi utilizado em 44 países e atualmente ainda é utilizado no Brasil. Na tensa reunião ficou claro o motivo real pelo qual Carlos Bolsonaro fez várias investidas para que o governo brasileiro adquirisse o software tão poderoso. Mas, sua intenção é montar um aparato paralelo a Abin. Ao enfrentar Bebbiano, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Carlos Bolsonaro se abasteceu de “informações” onde Bebbiano vazava para a imprensa assuntos privados do presidente Jair Bolsonaro. O embate culminou com a queda do então ministro. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa do filho e acusou o ministro de ter vazado para o site O Antagonista, informações privilegiadas. Na saída, Bebbiano indignado respondeu sua exoneração com ameaças. Porém, após conversar com o presidente, desistiu. Ficando em silêncio e reconhecendo o potencial de Carlos.

De acordo com um relatório, o Pegasus foi criado como uma ferramenta legítima de investigação criminal para uso governamental com a finalidade de combater o terrorismo e o crime, permitindo que seu operador pudesse acessar a uma enorme quantidade de dados da “vítima”, como: mensagens de texto, informações de calendário, mensagens de WhatsApp, localização, microfone e câmera do dispositivo – tudo sem que a vítima pudesse perceber. O spyware desenvolvido pela empresa israelita NSO Group, foi notícia em 2017, quando o jornal New York Times divulgou informações sobre uma investigação produzida pelo laboratório Citizen Lab, que destacou o uso da ferramenta no México para espionar jornalistas, assim como defensores dos direitos humanos e ativistas anticorrupção no âmbito de uma campanha de espionagem realizada pelo governo desde 2011. Em setembro de 2018, o Pegasus voltou a ganhar destaque.

Hide and seek: Tracking NSO Group’s Pegasus Spyware to Operations in 45 Countries

Após a reunião os generais sentiram um clima perigoso em torno do general Heleno que convidado para participar da reunião, não compareceu, pois, atendia a agenda do presidente Jair Bolsonaro. O ministro Santos Cruz, não revelou ao presidente que teve acesso ao software poderoso e que ainda é mantido em sigilo. Sete dias após, na sexta-feira seguinte, Santos Cruz teve a sua exoneração publicada no Diário Oficial. Ali estava claramente demostrando o poder de Carlos Bolsonaro aos considerados adversários. Na caserna, militares de alta patente comentam que o 02 tem um núcleo de inteligência paralelo à Agência Brasileira de Inteligência Nacional (Abin). A queda de Santos Cruz foi mais um troféu levantado por Carlos Bolsonaro que agora escolheu o general Augusto Heleno Ribeiro, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e comandante da Abin, como alvo por também criar dificuldades na implantação da ferramenta que ele acredita ter ajudado a eleger seu pai.

Com a vitória do genitor na eleição para presidente, o 02 como é chamado por Bolsonaro pretendia assumir o cargo de ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, porém, enfrentou a resistência dos militares que evitavam o desgaste do novo governo. A partir daí o 02 que sonhava ser o comandante da área de inteligência da presidência da república e colocar em prática o aparato tecnológico de que dispunha, vem mostrando sua força.

O concorrente do Pegasus está sendo guardado a sete chaves para contrapor Carlos Bolsonaro no momento exato em que a artilharia for virada contra o general, conselheiro do presidente e querido das Forças Armadas. Paralelo a isso o ministro da Justiça, Sérgio Moro e os procuradores da Força Tarefa da Operação Lava-Jato, vítimas de invasão em seus telefones e computadores tentam desqualificar as notícias publicadas no site The Intercept. No entanto, já possuem convicção de que realmente houve uma invasão profissional em seus telefones e computadores. “A invasão não foi de hacker, meninos desocupados, mas, de profissionais”, revela Mouro para os parlamentares no congresso. Já na segunda-feira [8/7], o ministro Sérgio Moro pediu licença de cinco dias para tratar de assuntos pessoais.

Por outro lado, os militares e diretores, da Abin tem fortes suspeitas da ação de “fogo amigo”, contra Moro e os procuradores.

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