The Intercept: As conversas secretas da Lava-Jato que irão abalar o país

Uma enorme coleção de materiais nunca revelados fornece o olhar sem precedentes sobre as operações da força-tarefa anticorrupção que transformou a política brasileira e conquistou a atenção mundial.

Marianna Araujo, via The Intercept Brasil em 9/6/2019

O Intercept Brasil acaba de publicar três matérias exclusivas e explosivas baseadas em mensagens trocadas entre integrantes da Lava-Jato em Curitiba, como o procurador Deltan Dallagnol, e outras pessoas importantes, como o ex-juiz Sérgio Moro. As conversas foram obtidas há algumas semanas pelo Intercept através de uma fonte anônima. As reportagens dão início à série “As mensagens secretas da Lava-Jato”. A primeira delas torna públicas as motivações políticas que guiaram as ações da força-tarefa. A segunda matéria revela como Moro instruiu Deltan Dallagnol, sugerindo mudanças nas fases da operação, dando pistas para a investigação, indicando fontes e, assim, violando a neutralidade de magistrado. E a terceira demonstra como a Lava-Jato blefou no STF para levar o caso do tríplex para Curitiba. Pouco antes de apresentar a primeira denúncia contra Lula, Dallagnol não tinha certeza da ligação entre o apartamento e o esquema da Petrobras: “até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto”, escreveu aos colegas.

Além das matérias quero recomendar também que você leia a íntegra do editorial de Glenn Greenwald, Betsy Reed e Leandro Demori, editores do Intercept e do Intercept Brasil:

Esse é apenas o começo do que pretendemos tornar uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, do procurador Deltan Dallagnol e da força-tarefa da Lava-Jato – além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detêm um enorme poder político e econômico dentro e fora do Brasil.

A importância dessas revelações se explica pelas consequências incomparáveis das ações da Lava-Jato em todos esses anos de investigação. Esse escândalo generalizado envolve diversos oligarcas, lideranças políticas, os últimos presidentes e até mesmo líderes internacionais acusados de corrupção. […]

Moro e os procuradores da Lava-Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusado por tantos outros de ser ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na justiça com o objetivo político de evitar que Lula retornasse à presidência e destruir o PT. Moro e os procuradores têm negado, com a mesma veemência, qualquer aliança ou propósito político, dizendo que estão apenas tentando livrar o Brasil da corrupção.

Mas, até agora, os procuradores da Lava-Jato e Moro têm realizado parte de seu trabalho em segredo, impedindo o público de avaliar a validade das acusações contra eles. É isso que torna este acervo tão valioso do ponto de vista jornalístico: pela primeira vez, o público vai tomar conhecimento do que esses juízes e procuradores estavam dizendo e fazendo enquanto pensavam que ninguém estava ouvindo.

Marianna Araujo é estrategista de comunicação do The Intercept Brasil.

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PARTE 1
COMO E POR QUE O INTERCEPT ESTÁ PUBLICANDO CHATS PRIVADOS SOBRE A LAVA-JATO E SÉRGIO MORO

Série de reportagens mostra comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer.
Glenn Greenwald, Betsy Reed e Leandro Demori, via The Intercept Brasil em 9/6/2019

O Intercept Brasil publicou hoje três reportagens explosivas mostrando discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava-Jato, coordenada pelo procurador renomado Deltan Dallagnol, em colaboração com o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, celebrado a nível mundial.

Produzidas a partir de arquivos enormes e inéditos – incluindo mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens – enviados por uma fonte anônima, as três reportagens revelam comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer.

O material publicado hoje no Brasil também foi resumido em duas reportagens em inglês publicadas no Intercept, bem como essa nota dos editores do The Intercept e do The Intercept Brasil.

Esse é apenas o começo do que pretendemos tornar uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, do procurador Deltan Dallagnol e da força-tarefa da Lava-Jato – além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detêm um enorme poder político e econômico dentro e fora do Brasil.

A importância dessas revelações se explica pelas consequências incomparáveis das ações da Lava-Jato em todos esses anos de investigação. Esse escândalo generalizado envolve diversos oligarcas, lideranças políticas, os últimos presidentes e até mesmo líderes internacionais acusados de corrupção.

O mais relevante: a Lava-Jato foi a saga investigativa que levou à prisão o ex-presidente Lula no último ano. Uma vez sentenciado por Sérgio Moro, sua condenação foi rapidamente confirmada em segunda instância, o tornando inelegível no momento em que todas as pesquisas mostravam que Lula – que terminou o segundo mandato, em 2010, com 87% de aprovaçãoliderava a corrida eleitoral de 2018. Sua exclusão da eleição, baseada na decisão de Moro, foi uma peça-chave para abrir um caminho para a vitória de Bolsonaro. A importância dessa reportagem aumentou ainda mais depois da nomeação de Moro ao ministério da Justiça.

Moro e os procuradores da Lava-Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusados por tantos outros de ser ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na justiça com o objetivo político de evitar que Lula retornasse à presidência e destruir o PT. Moro e os procuradores têm negado, com a mesma veemência, qualquer aliança ou propósito político, dizendo que estão apenas tentando livrar o Brasil da corrupção.

Mas, até agora, os procuradores da Lava-Jato e Moro têm realizado parte de seu trabalho em segredo, impedindo o público de avaliar a validade das acusações contra eles. É isso que torna este acervo tão valioso do ponto de vista jornalístico: pela primeira vez, o público vai tomar conhecimento do que esses juízes e procuradores estavam dizendo e fazendo enquanto pensavam que ninguém estava ouvindo.

As reportagens de hoje mostram, entre outros elementos, que os procuradores da Lava-Jato falavam abertamente sobre seu desejo de impedir a vitória eleitoral do PT e tomaram atitudes para atingir esse objetivo; e que o juiz Sérgio Moro colaborou de forma secreta e antiética com os procuradores da operação para ajudar a montar a acusação contra Lula. Tudo isso apesar das sérias dúvidas internas sobre as provas que fundamentaram essas acusações e enquanto o juiz continuava a fingir ser o árbitro neutro neste jogo.

O único papel do Intercept Brasil na obtenção desse material foi seu recebimento por meio de nossa fonte, que nos contatou há diversas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”) e nos informou de que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas.

Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso.

O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo.

Ao fazer esses julgamentos, empregamos o padrão usado por jornalistas em democracias ao redor do mundo: as informações que revelam transgressões ou engodos por parte dos poderosos devem ser noticiadas, mas as que são puramente privadas e infringiriam o direito legítimo à privacidade ou outros valores sociais devem ser preservadas.

A bem da verdade, ao produzir reportagens a partir desses arquivos, somos guiados pela mesma argumentação que levou boa parte da sociedade brasileira – aí incluídos alguns jornalistas, comentaristas políticos e ativistas – a aplaudir a publicidade determinada pelo então juiz Moro das conversas telefônicas privadas entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (em que discutiam a possibilidade do ex-presidente se tornar ministro da Casa Civil), logo reproduzidas por inúmeros veículos de mídia. A divulgação dessas ligações privadas foi crucial para virar a opinião do público contra o PT, ajudando a preparar o terreno para o impeachment de Dilma em 2016 e a prisão de Lula em 2018. O princípio invocado para justificar essa divulgação foi o mesmo a que estamos aderindo em nossas reportagens sobre esse acervo: o de que uma democracia é mais saudável quando ações de relevância levadas a cabo em segredo por figuras políticas poderosas são reveladas ao público.

Mas a divulgação feita por Moro e diversos veículos da imprensa dos diálogos privados entre Lula e Dilma incluíam não apenas revelações de interesse público, mas também comunicações privadas de Lula sem qualquer relevância para a sociedade – o que levou muitas pessoas a argumentarem que a divulgação tinha o propósito de constranger pessoalmente o ex-presidente. Ao contrário deles, o Intercept decidiu manter reservada qualquer comunicação ou informação relacionada a Moro, Dallagnol e outros indivíduos que seja de natureza puramente privada e, portanto, desprovida de real interesse público.

Nós tomamos medidas para garantir a segurança deste acervo fora do Brasil, para que vários jornalistas possam acessá-lo, assegurando que nenhuma autoridade de qualquer país tenha a capacidade de impedir a publicação dessas informações.

Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.

Tendo em vista o imenso poder dos envolvidos e o grau de sigilo com que eles operam – até agora –, a transparência é crucial para que o Brasil tenha um entendimento claro do que eles realmente fizeram. A liberdade de imprensa existe para jogar luz sobre aquilo que as figuras mais poderosas de nossa sociedade fazem às sombras.

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PARTE 2
“MAFIOSOS!!!!!”: PROCURADORES DA LAVA-JATO TRAMARAM EM SEGREDO PARA IMPEDIR ENTREVISTA DE LULA ANTES DAS ELEIÇÕES POR MEDO DE QUE AJUDASSE A “ELEGER O HADDAD”

Em chats privados, procuradores reagiram indignados ao saber que ex-presidente falaria à Folha e celebraram quando ação do Partido Novo impediu a entrevista.
Glenn Greenwald e Victor Pougy, via The Intercept Brasil em 9/6/2019

Um extenso lote de arquivos secretos revela que os procuradores da Lava-Jato, que passaram anos insistindo que são apolíticos, tramaram para impedir que o Partido dos Trabalhadores, o PT, ganhasse a eleição presidencial de 2018, bloqueando ou enfraquecendo uma entrevista pré-eleitoral com Lula com o objetivo explícito de afetar o resultado da eleição.

Os arquivos, a que o Intercept teve acesso com exclusividade, contêm, entre outras coisas, mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram. Neles, os procuradores da força-tarefa em Curitiba, liderados por Deltan Dallagnol, discutiram formas de inviabilizar uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski porque, em suas palavras, ela “pode eleger o Haddad” ou permitir a “volta do PT” ao poder.

Os procuradores, que por anos garantiram não ter motivações políticas ou partidárias, manifestaram repetidamente nos chats a preocupação de que a entrevista, a ser realizada a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, ajudaria o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad. Por isso, articularam estratégias para derrubar a decisão judicial de 28 de setembro de 2018, que a liberou – ou, caso ela fosse realizada, para garantir que fosse estruturada de forma a reduzir seu impacto político e, assim, os benefícios eleitorais ao candidato do PT.

Essas discussões ocorreram no mesmo dia em que o STF acatou o pedido de entrevista da Folha de S.Paulo. Conforme noticiado no Consultor Jurídico: “Na decisão, o ministro [Ricardo Lewandowski] citou que o Plenário do STF garantiu ‘a ‘plena’ liberdade de imprensa como categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia’”.

Os diálogos demonstram que os procuradores não são atores apartidários e apolíticos, mas, sim, parecem motivados por convicções ideológicas e preocupados em evitar o retorno do PT ao poder. As conversas fazem parte de um lote de arquivos secretos enviados ao Intercept por uma fonte anônima há algumas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”). O único papel do Intercept foi receber o material da fonte, que nos informou que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais, incluindo nosso método para trabalhar com a fonte anônima.

Lula, preso pela Lava-Jato desde abril de 2018, faria “palanque na cadeia”, “um verdadeiro circo”, caso fosse entrevistado pela Folha de S. Paulo. “Que piada!!! Revoltante!!!”, ela exclamou. Foto: Andressa Anholete/AFP/Getty Images.

“Pode eleger o Haddad”
aquele dia, a comoção teve início às 10h da manhã, assim que o grupo soube da decisão de Lewandowski. O ministro ressaltou que os argumentos usados para impedir a entrevista de Lula na prisão eram claramente inválidos, uma vez que com frequência entrevistas são “concedidas por condenados por crimes de tráfico, homicídio ou criminosos internacionais, sendo este um argumento inidôneo para fundamentar o indeferimento do pedido de entrevista”. Assim, levando em conta que Lula “não [se encontra] em estabelecimento prisional, em que pode existir eventual risco de rebelião” e tampouco “se encontra sob o regime de incomunicabilidade”, o ministro decidiu em favor da entrevista.

Um clima de revolta e pânico se espalhou entre os procuradores. Acreditando se tratar de uma conversa privada que jamais seria divulgada, eles deixaram explícitas suas motivações políticas.

A procuradora Laura Tessler logo exclamou: “Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse… “.

“Ando muito preocupada com uma possivel volta do PT,
mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população
para que um milagre nos salve”.

Uma outra procuradora, Isabel Groba, respondeu com apenas uma palavra e várias exclamações: “Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”.

Após uma hora, Tessler deixou explícito o que deixava os procuradores tão preocupados: “sei lá…mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”.

Enquanto essas mensagens eram trocadas no grupo dos procuradores da Lava-Jato, Dallagnol estava conversando em paralelo com uma amiga e confidente identificada no seu Telegram apenas como “Carol PGR” (cuja identidade não foi confirmada pelo Intercept). Lamentando a possibilidade de Lula ser entrevistado antes das eleições, os dois estavam expressamente de acordo que o objetivo principal era impedir o retorno do PT à presidência e concordaram que rezariam para que isso não ocorresse.

Não se trata de uma confissão isolada. Toda a discussão, que se estendeu por várias horas, parece mais uma reunião entre estrategistas e operadores anti-PT do que uma conversa entre procuradores supostamente imparciais.

Descartada a possibilidade de impedir a entrevista, eles passaram a debater qual formato traria menos benefícios políticos para Lula: uma entrevista a sós com Mônica Bergamo, ou uma coletiva de imprensa com vários jornalistas. Januário Paludo, por exemplo, propôs as seguintes medidas: “Plano a: tentar recurso no próprio stf, possibilidade Zero. Plano b: abrir para todos fazerem a entrevista no mesmo dia. Vai ser uma zona mas diminui a chance da entrevista ser direcionada.”

Outro procurador, Athayde Ribeiro Costa, sugeriu expressamente que a Polícia Federal manobrasse para que a entrevista fosse feita depois das eleições, já que não havia indicação explícita da data em que ela deveria ocorrer. Dessa forma, seria possível evitar a entrevista sem descumprir a decisão.

Uma coletiva de imprensa, além de diluir o foco da entrevista, ainda traria a vantagem de possivelmente inviabilizá-la operacionalmente, como pontuou o procurador Julio Noronha horas depois. Ele também sugeriu abrir a entrevista a outros presos para reduzir a repercussão:

[Quando a entrevista foi finalmente autorizada, em abril passado, a Polícia Federal, agora sob o comando do ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, o ex-juiz que havia condenado Lula à prisão, tentou transformá-la numa coletiva de imprensa. Um pedido do El País acatado por Lewandowski finalmente pôs o plano por terra.]

Em nenhum trecho da conversa Dallagnol, que participou de forma ativa das discussões, ou qualquer outro procurador, indicou desconforto com as motivações políticas explícitas das estratégias da acusação. Mais do que isso, esse grupo de Telegram, ativo por meses, sugere que esse tipo de cálculo político era rotineiro nas decisões da força-tarefa.

Em um momento, um dos procuradores citou um artigo publicado no site O Antagonista informando que a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, não pretendia recorrer da decisão autorizando a entrevista. Os procuradores especularam imediatamente sobre as causas da escolha de Dodge:

Parte das discussões tratava também de vazar uma eventual petição para veículos de imprensa.

Os procuradores da força-tarefa estavam tão alarmados com a possibilidade de uma entrevista de Lula levar o PT à vitória que compartilharam um artigo irônico do Antagonista. Publicado naquele dia, o texto sugeria que, num eventual governo Haddad, “Lula sai da cadeia e os procuradores da Lava-Jato entram no lugar dele”.

Os receios dos procuradores, porém, foram logo acalmados. Às 22h49 do mesmo dia, o procurador Julio Noronha compartilhou mais uma reportagem do Antagonista, dessa vez com uma boa notícia: “Partido Novo Recorre ao STF Contra Entrevista de Lula”. Uma hora depois, o clima era de comemoração. O ministro do STF Luiz Fux concedeu uma liminar contra a entrevista, atendendo ao pedido do Partido Novo. Na decisão, o ministro diz que “se faz necessária a relativização excepcional da liberdade de imprensa”. Januário Paludo foi taxativo: “Devemos agradecer à nossa PGR: Partido Novo!!!”.

Os procuradores não demonstraram preocupação com o fato de um ministro do STF ter poder para suspender a liberdade de imprensa – ou de que um partido que se diz liberal entrou com um pedido nesse sentido. Pelo contrário, os procuradores comemoraram a proibição.

Por anos, a Lava-Jato foi acusada de operar com motivações políticas, partidárias e ideológicas, e não jurídicas. A força-tarefa vem negando isso de forma veemente. Agora que suas conversas estão se tornando públicas, a população terá a oportunidade de decidir por si mesma. As discussões do dia 28 de setembro trazem indícios significativos de que a força-tarefa não é o grupo apolítico e apartidário de luta anticorrupção que os procuradores e seus aliados na mídia tentam pintar.

Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens, para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.

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PARTE 3
“ATÉ AGORA TENHO RECEIO”: DELTAN DALLAGNOL DUVIDAVA DAS PROVAS CONTRA LULA E DE PROPINA DA PETROBRAS HORAS ANTES DA DENÚNCIA DO TRÍPLEX

Uma reportagem de 2010 trouxe alívio aos procuradores para levar adiante a acusação – e o PowerPoint – contra o ex-presidente.
Rafael Moro Martins, Leandro Demori e Glenn Greenwald, via The Intercept Brasil em 9/6/2019

Faltavam apenas quatro dias para que a denúncia que levaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão fosse apresentada, mas o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba tinha dúvidas sobre a solidez da história que contaria ao juiz Sérgio Moro. A apreensão de Deltan Dallagnol, que, junto com outros 13 procuradores, revirava a vida do ex-presidente havia quase um ano, não se devia a uma questão banal. Ele estava inseguro justamente sobre o ponto central da acusação que seria assinada por ele e seus colegas: que Lula havia recebido de presente um apartamento tríplex na praia do Guarujá após favorecer a empreiteira OAS em contratos com a Petrobras.

As conversas fazem parte de um lote de arquivos secretos enviados ao Intercept por uma fonte anônima há algumas semanas [bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”]. O único papel do Intercept foi receber o material da fonte, que nos informou que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais, incluindo nosso método para trabalhar com a fonte anônima.

No dia 9 de setembro de 2016, precisamente às 21h36 daquela sexta-feira, Deltan Dallagnol enviou uma mensagem a um grupo batizado de Incendiários ROJ, formado pelos procuradores que trabalhavam no caso.

Ele digitou: “Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”.

As matérias de jornais a que o procurador se referiu são as dezenas citadas na peça de acusação. Dallagnol fazia sua última leitura da denúncia e debatia o texto com o grupo, analisando ponto a ponto cada item que seria oferecido à 13ª vara de Curitiba, onde Sérgio Moro atuava como juiz.

Naquele dia, ninguém respondeu à dúvida de Dallagnol: se o apartamento tríplex poderia ser apontado como propina para Lula nos casos de corrupção na Petrobras. O documento seria anunciado ao público, com direito a um hoje famoso PowerPoint, dali a poucos dias.

Sem essa ligação, o caso não poderia ser tocado em Curitiba, onde apenas ações relacionadas à empresa eram objeto de investigação. A ligação do apartamento com a corrupção na petrolífera tinha gerado uma guerra jurídica nos primeiros meses daquele 2016. De um lado, o Ministério Público do Estado de São Paulo. Do outro, a força-tarefa de Curitiba.

Caso o caso ficasse em São Paulo, não seria julgado por Sérgio Moro, o atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-juiz que ajudou coordenar a operação quando era o encarregado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, como mostram diálogos revelados pelo Intercept.

O MPSP já investigava o caso Bancoop muito antes de Curitiba. Em uma disputa que envolveu até mesmo o Supremo Tribunal Federal, a Lava-Jato tentava tirar o caso das mãos dos paulistas para denunciar e julgar Lula em Curitiba. Para isso, o imóvel de Lula precisaria obrigatoriamente ter relação com a corrupção na Petrobras.

Não era o entendimento dos promotores de São Paulo. Em março de 2016, ao recorrerem de uma decisão judicial que jogava o caso nas mãos de Dallagnol, eles disseram: “Em 2009/2010 não se falava de escândalo na Petrobras. Em 2005 quando o casal presidencial, em tese, começou a pagar pela cota-parte do imóvel, não havia qualquer indicação do escândalo do ‘petrolão’. Ao contrário, estávamos no período temporal referente ao escândalo do ‘mensalão’. Não é possível presumir genericamente e sem conhecer detidamente as investigações que tramitam perante a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba que tudo tenha partido de corrupção na estatal envolvendo desvio de recursos federais.”

Mas a Lava-Jato venceu e, pouco tempo depois, os procuradores conseguiram tirar o caso de São Paulo alegando que o caso do tríplex tinha, sim, envolvimento com a Petrobras. Agora, com a revelação das conversas secretas do grupo da Lava-Jato, descobre-se que os procuradores blefaram – eles não tinham certeza dessa relação nem mesmo poucas horas antes de apresentarem a denúncia.

E, assim, o caso parou no colo do aliado Sérgio Moro.

“Tesão demais essa matéria. vou dar um beijo em quem achou”
CERCA DE 24 HORAS DEPOIS, no sábado, 10, quando aparentemente chegou ao item 191 do documento (que teria, em sua redação final, 274 itens), Dallagnol vibrou com o que leu. Ele escreveu, às 22h45: “tesao demais essa matéria do O Globo de 2010. Vou dar um beijo em quem de Vcs achou isso.” A reportagem a qual ele se referia – “Caso Bancoop: tríplex do casal Lula está atrasado“ – foi a primeira a tratar do apartamento no Guarujá, muito antes da Lava-Jato. Sem mencionar OAS ou Petrobras, ela dizia apenas que a falência da cooperativa que construía o prédio poderia prejudicar o casal Lula.

Seguiu-se então uma série de mensagens de Dallagnol a respeito da reportagem:

No mesmo minuto, Dallagnol foi a outro chat no Telegram em que além dele estavam apenas os dois assessores de imprensa da operação em Curitiba. “Consegguem pra mim o contato da reporter que fez esta matéria?”, ele teclou. “pede celular, please… precisamos meio que urgente”, insistiu, às 23h55, sem perceber que um dos assessores já enviara o número da jornalista.

Mesmo antes de ter o telefone, no entanto, Dallagnol já parecia aliviado quando retornou ao grupo Incendiários ROJ, em que postou às 23h08: “Vcs não têm mais a mesma preocupacção que tinham quanto ao imóvel, certo? Pergunto pq estou achando top e não estou com aquela preocupação. Acho que o slide do apto tem que ser didático tb. Imagino o mesmo do lula, balões ao redor do balão central, ou seja, evidências ao redor da hipótese de que ele era o dono”, já sugerindo a ideia para o PowerPoint que apresentaria aos jornalistas dali a alguns dias.

Foto: Reprodução/MPF.

Quando voltou ao grupo com os assessores e viu que o número de telefone havia sido enviado, ele imediatamente encaminhou o contato aos procuradores Roberson Pozzobon e Júlio Noronha, junto com um pedido e algumas orientações:

Pelo diálogo no grupo Incendiários ROJ, não é possível saber se Pozzobon ou Noronha fizeram o que lhes foi pedido. Mas a reportagem seria mencionada ainda outra vez nas conversas privadas, agora a dois dias da entrevista em que a denúncia contra Lula seria apresentada.

No dia seguinte, véspera da denúncia, foi a vez do procurador Januário Paludo se lembrar da matéria de O Globo num outro chat, intitulado Filhos do Januário 1:

“Conversei com a TATIANA FARAH DE MELLO, que fez a reportagem em 2010 sobre o TRIPLEX. Ela realmente confirmou que foi para GUARUJA e lá colheu diversas informações sobre os empreendimentos da BANCOOP. A matéria era para ser sobre a BANCOOP e o calote dado nos mutuários. Em guaruja conversando com funcionários da obra – que ainda estava no esqueleto, é que ela descobriu que o tríplex seria do Lula. Ela manteve contato com a Assessoria de comunicação do Palácio do Planalto que confirmou a informação. Toda parte documental, como e-mail e outros dados foram inutilizados quando ela saiu do ‘o Globo’. Acho que podemos tomar por termo o depoimento. Marco uma video e pronto”, escreveu o procurador às 17h40.

“Boooooa demais Jan!”, respondeu imediatamente Pozzobon. Mas outro procurador, Carlos Fernando dos Santos Lima, pediu prudência: “Creio que tomar depoimento de jornalista não é conveniente.”

Os problemas da prova que Moro chamou de “bastante relevante”
A reportagem de O Globo não foi um item trivial nesse caso: além de figurar na denúncia como prova de que o tríplex era de fato do casal Lula, foi usada na sentença assinada por Sérgio Moro. Sobre ela, o juiz escreveu: “A matéria em questão é bastante relevante do ponto de vista probatório.

Mas a reportagem não bate com ao menos dois pontos do que é dito na denúncia do MPF. O texto de O Globo atribui o tríplex a Lula e, para comprovar isso, usa a declaração do então candidato à reeleição apresentada à Justiça Eleitoral em 2006. Ela afirma o seguinte: “Participação Cooperativa Habitacional Apartamento em construção no Guarujá – SP Maio 2005 – R$47.695,38 já pagos”. Em tese, a cota poderia ser usada para qualquer apartamento – a defesa de Lula alegaria mais tarde que se tratava de uma unidade simples. O que é certo é que a palavra tríplex não aparece na lista de bens do político usada pelo Globo.

A segunda inconsistência poderia ter sido percebida pelos procuradores com uma leitura atenta da própria reportagem. A matéria de O Globo atribuiu a Lula a propriedade de um tríplex na torre B, o prédio dos fundos do condomínio. Isso fica claro na matéria: “A segunda torre (a torre A), se construída como informa a planta do empreendimento, lançado no início dos anos 2000, pode acabar com parte da alegria de Lula: o prédio ficará na frente do imóvel do presidente, atrapalhando a vista para o mar do Guarujá, cidade do litoral paulista”.

A Lava-Jato usou a reportagem como prova de que o
apartamento era, sim, uma propriedade ou uma aspiração
da família presidencial, mas indicou outro imóvel na denúncia.

Na denúncia feita pela Lava-Jato, no entanto, os procuradores afirmam que o tríplex de Lula fica na torre A, que ainda não existia quando a reportagem foi publicada. Mas, no item 191 da denúncia assinada pelos 14 procuradores, há o seguinte trecho (citando a reportagem de O Globo): “Essa matéria dava conta de que o então Presidente LULA e MARISA LETÍCIA seriam contemplados com uma cobertura tríplex, com vista para o mar, no referido empreendimento”.

Segundo a apuração do jornal, isso não é verdade. A reportagem diz claramente que o casal Lula da Silva perderia a vista para o mar com a construção da torre A, que seria erguida à frente da torre B, portanto, em frente ao tríplex que o Globo atribuiu a Lula.

A Lava-Jato usou a reportagem como prova de que o apartamento era, sim, uma propriedade ou uma aspiração da família presidencial, mas indicou outro imóvel na denúncia. Uma evidência de que a investigação foi imprecisa num dos pontos mais cruciais da acusação: na definição do imóvel que materializaria a propina que Lula teria recebido da empreiteira.

Ao longo de semanas, nós tentamos contatos com fontes que poderiam ter acesso à troca de e-mails entre a assessoria do petista e a repórter do jornal, mas não obtivemos sucesso. Enquanto o Globo alega que os e-mails foram “inutilizados”, a assessoria diz não ter guardado cópia. Uma terceira dúvida, portanto, ainda permanece: a reportagem diz que Lula era dono de um tríplex no prédio, mas diz que a assessoria da Presidência confirmou que o petista tinha um “imóvel” no local.

O que é verdade: a cota estava declarada em seu imposto de renda. Sem os e-mails, não há como saber se o Globo inquiriu Lula sobre o tríplex ou apenas sobre um imóvel, ou se a assessoria do petista tomou uma coisa por outra – e, sem querer, abasteceu a denúncia que viria contra Lula anos depois.

Ainda que a localização do tríplex na torre A ou B pareça irrelevante para a acusação por lavagem de dinheiro, ela deveria ao menos colocar em dúvida o valor de prova da reportagem, mencionada por Moro como um dos argumentos para a condenação de Lula.

Fotos: Nelson Almeida/AFP/Getty Images.

“A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso”
Na véspera da denúncia, dallagnol voltou ao celular e comentou mais uma vez sobre a peça de acusação, analisando a qualidade das provas que eles tinham em mãos. “A opinião pública é decisiva e é um caso construído com prova indireta e palavra de colaboradores contra um ícone que passou incolume pelo mensalão”, ele teclou no grupo Filhos do Januário 1.

No dia seguinte, quarta-feira, 14, a Lava-Jato mostraria sua primeira denúncia contra Lula, numa entrevista coletiva em uma sala de reuniões de um hotel de luxo em Curitiba. O tríplex – segundo a Lava-Jato, reformado pela OAS e doado ao político como propina em contratos da empreiteira com a Petrobras – era a peça central da denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Dallagnol voltaria ao assunto numa conversa privada com o então juiz Sérgio Moro, em 16 de setembro, dois dias após a denúncia. O procurador estava sendo duramente criticado por parte da opinião pública, que alegava fragilidade na denúncia. Tinha virado, também, alvo de chacotas e memes pelo PowerPoint que apresentou na entrevista coletiva.

O coordenador da Lava-Jato escreveu a Moro: “A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso na denúncia e na comunicação evitamos esse ponto.” Depois, entrou em detalhes técnicos: “Não foi compreendido que a longa exposição sobre o comando do esquema era necessária para imputar a corrupção para o ex-presidente. Muita gente não compreendeu porque colocamos ele como líder para imperar 3,7MM de lavagem, quando não foi por isso, e sim para inputar 87MM de corrupção.”

Em privado, Dallagnol confirmava a Moro que a expressão usada para se referir a Lula durante a apresentação à imprensa (“líder máximo” do esquema de corrupção) era uma forma de vincular ao político os R$87 milhões pagos em propina pela OAS em contratos para obras em duas refinarias da Petrobras – uma acusação sem provas, ele mesmo admitiu, mas que era essencial para que o caso pudesse ser julgado por Moro em Curitiba.

Preocupado com a repercussão pública de seu trabalho – uma obsessão do procurador, como demonstra a leitura de diversas de suas conversas –, ele prossegue: “Ainda, como a prova é indireta, ‘juristas’ como Lenio Streck e Reinaldo Azevedo falam de falta de provas. Creio que isso vai passar só quando eventualmente a página for virada para a próxima fase, com o eventual recebimento da denúncia, em que talvez caiba, se entender pertinente no contexto da decisão, abordar esses pontos”, escreveu a Sérgio Moro.

Dois dias depois, Moro afagaria o procurador: “Definitivamente, as críticas à exposição de vcs são desproporcionais. Siga firme.” Menos de um ano depois, o juiz condenaria Lula a nove anos e seis meses de prisão.

Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens, para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que eles sejam recebidos.

***

PARTE 4
“NÃO É MUITO TEMPO SEM OPERAÇÃO?”: CHATS PRIVADOS REVELAM COLABORAÇÃO PROIBIDA DE SÉRGIO MORO COM DELTAN DALLAGNOL NA LAVA-JATO

Moro sugeriu trocar a ordem de fases da Lava-Jato, cobrou novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão, mostram conversas privadas ao longo de dois anos.
Rafael Moro Martins, Alexandre de Santi e Glenn Greenwald, via The Intrcept Brasil em 9/6/2019

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol trocaram mensagens de texto que revelam que o então juiz federal foi muito além do papel que lhe cabia quando julgou casos da Lava-Jato. Em diversas conversas privadas, até agora inéditas, Moro sugeriu ao procurador que trocasse a ordem de fases da Lava-Jato, cobrou agilidade em novas operações, deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, antecipou ao menos uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas em Dallagnol como se ele fosse um superior hierárquico dos procuradores e da Polícia Federal.

“Talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas”, sugeriu Moro a Dallagnol, falando sobre fases da investigação. “Não é muito tempo sem operação?”, questionou o atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro após um mês sem que a força-tarefa fosse às ruas. “Não pode cometer esse tipo de erro agora”, repreendeu, se referindo ao que considerou uma falha da Polícia Federal. “Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, sugeriu, indicando um caminho para a investigação. “Deveriamos rebater oficialmente?”, perguntou, no plural, em resposta a ataques do Partido dos Trabalhadores contra a Lava-Jato.

As conversas fazem parte de um lote de arquivos secretos enviados ao Intercept por uma fonte anônima há algumas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”). O único papel do Intercept foi receber o material da fonte, que nos informou que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais, incluindo nosso método para trabalhar com a fonte anônima.

A Constituição brasileira estabeleceu o sistema acusatório no processo penal, no qual as figuras do acusador e do julgador não podem se misturar. Nesse modelo, cabe ao juiz analisar de maneira imparcial as alegações de acusação e defesa, sem interesse em qual será o resultado do processo. Mas as conversas entre Moro e Dallagnol demonstram que o atual ministro se intrometeu no trabalho do Ministério Público – o que é proibido – e foi bem recebido, atuando informalmente como um auxiliar da acusação.

A atuação coordenada entre o juiz e o Ministério Público por fora de audiências e autos (ou seja, das reuniões e documentos oficiais que compõem um processo) fere o princípio de imparcialidade previsto na Constituição e no Código de Ética da Magistratura, além de desmentir a narrativa dos atores da Lava-Jato de que a operação tratou acusadores e acusados com igualdade. Moro e Dallagnol sempre foram acusados de operarem juntos na Lava-Jato, mas não havia provas explícitas dessa atuação conjunta – até agora.

Moro negou em diversas oportunidades que trabalhava em parceria com o MPF. “Vamos colocar uma coisa muito clara, que se ouve muito por aí que a estratégia de investigação do juiz Moro. […] Eu não tenho estratégia de investigação nenhuma. Quem investiga ou quem decide o que vai fazer e tal é o Ministério Público e a Polícia [Federal]. O juiz é reativo. A gente fala que o juiz normalmente deve cultivar essas virtudes passivas. E eu até me irrito às vezes, vejo crítica um pouco infundada ao meu trabalho, dizendo que sou juiz investigador”, desafiou, numa palestra que proferiu em março de 2016.

Desde o início da operação, em 2013, Dallagnol e o MPF tentaram passar uma imagem de que Moro atuava com imparcialidade e distância dos acusadores. “Sempre avaliou os pedidos do Ministério Público de modo imparcial e técnico”, escreveu o procurador, sobre o então juiz, em seu livro de memórias. A Procuradoria-Geral da República endossou essa narrativa. “Assim, inviável a declaração de nulidade de todos os atos praticados no curso da ação penal processada e julgada pelo Juízo Criminal Federal de Curitiba, que se manteve imparcial durante toda a marcha processual”, escreveu a PGR em parecer pró-Moro.

Mas a proximidade com o juiz facilitou o trabalho do Ministério Público, e o próprio Dallagnol já admitiu isso. “Demos a ‘sorte’ de que o caso caísse nas mãos de um juiz como Sérgio Moro”, escreveu Dallagnol no Twitter e no seu livro.

Sérgio Moro, então juiz da Lava-Jato, pergunta a Dallagnol: “está um pouco dificil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes”. Foto: Nelson Almeida/AFP/Getty Images.

Os diálogos
“Viram isso????”, escreveu no Telegram Athayde Ribeiro Costa, um dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público Federal do Paraná. “PqP!”, respondeu Roberson Pozzobon, membro da equipe e do grupo FT MPF Curitiba 2, no qual procuradores da Lava-Jato de Curitiba discutiam estratégias para as investigações que transformaram a política brasileira.

As mensagens eram uma reação à notícia “Diretor da Odebrecht que acompanhava Lula em suas viagens será solto hoje”, publicada naquele 16 de outubro de 2015 no blog de Lauro Jardim, de O Globo.

Minutos depois, Dallagnol usou o chat privado do Telegram para discutir o assunto com Moro, até então responsável por julgar os casos da Lava-Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”, escreveu Dallagnol.

“Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia”, alertou o então juiz. Nove minutos depois, Moro deu outra dica ao procurador: “Teriam que ser fatos graves”.

Depois de ouvir a sugestão, Dallagnol repassou a mensagem de Moro para o grupo de colegas de força-tarefa. “Falei com russo”, anunciou, usando o apelido do juiz entre os procuradores. Em seguida, os investigadores da Lava-Jato passaram a discutir estratégias para reverter a decisão, mas Alencar não seria preso novamente, numa demonstração clara de que os diálogos entre Moro e Dallagnol influenciaram diretamente os desdobramentos da operação.

Um mês depois, Sérgio Moro enviou uma questão a Deltan Dallagnol pelo Telegram. “Olha está um pouco dificil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes dos colaboradores augusto, baruscoemario goes na acao penal 5012331-04? O efeito pratico é impedir a execução da pena”, reclamou a Dallagnol. Em teoria, o juiz não deveria ter interesse em resultados do processo, como, por exemplo, o aumento ou redução de penas de um acusado – nem muito menos tirar satisfação com o Ministério Público fora dos autos.

Num despacho publicado às 14h01, o juiz chamou o recurso do MPF de “obscuro”. Minutos depois, às 14h08, Dallagnol respondeu pelo Telegram. Moro rebateu, também pelo aplicativo de mensagens: “Na minha opiniao estao provocando confusão. E o efeito pratico sera jogar para as calendasa existência [da] execução das penas dos colaboradores”.

Em 21 de fevereiro de 2016, Moro se intrometeu no planejamento do MP de forma explícita. “Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas”, afirmou Moro, numa provável menção às fases seguintes da Lava-Jato. Dallagnol disse que haveria problemas logísticos para acatar a sugestão. No dia seguinte, ocorreu a 23ª fase da Lava-Jato, a Operação Acarajé.

Dias depois, Moro cometeu um deslize de linguagem que revela como a acusação e o juiz, que deveria avaliar e julgar o trabalho do MP, viraram uma coisa só. “O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?”, escreveu o juiz em 27 de fevereiro, usando a primeira pessoa do plural, dando a entender que as reações do juiz e do MP deveriam ser coordenadas.

Em 31 de agosto de 2016, Moro mais uma vez escancarou seu papel de aliado dos acusadores ao questionar o ritmo das prisões e apreensões. “Não é muito tempo sem operação?”, perguntou o então juiz ao procurador às 18h44. A última fase da Lava-Jato havia sido realizada 29 dias antes – a operação Resta Um, com foco na empreiteira Queiroz Galvão.

A periodicidade – e até mesmo a realização de operações – não deveria ser motivo de preocupação do juiz, mas Moro trabalhava com Dallagnol para impulsionar as ações do Ministério Público, como comprovam os diálogos e comentários habituais nas conversas entre os dois.

“É sim”, respondeu Dallagnol mais tarde. A operação seguinte ocorreu três semanas depois.

Foto 1: Fernando Frazão/Agência Brasil | Foto 2: Antonio Cruz/ Agência Brasil

“Ainda desconfio muito de nossa capacidade
institucional de limpar o congresso.”

“Estou repassando. a fonte é seria”
O ministro da Justiça de Bolsonaro parece ter cruzado a fronteira que separa juiz e investigador numa conversa de 7 de dezembro de 2015, quando ele passou informalmente uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigasse. “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, escreveu Moro.

“Obrigado!! Faremos contato”, respondeu Dallagnol pouco depois. “E seriam dezenas de imóveis”, acrescentou o juiz. O procurador disse que ligou para a fonte, mas ela não quis falar. “Estou pensando em fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa”, cogitou Dallagnol. Ao que tudo indica, o procurador estava considerando criar uma denúncia anônima para justificar o depoimento da fonte ao MP. O juiz Sérgio Moro poderia condenar a solução – ou ficar quieto. Mas endossou a gambiarra: “Melhor formalizar entao”, escreveu Moro.

Mais um sinal de que ele trabalhava em coordenação com a acusação veio numa troca de mensagens em 13 de março de 2016, quando manifestações contra o governo de Dilma Rousseff tomaram as ruas. O juiz revela o desejo de “limpar o congresso”.

Três dias depois, Dilma tentaria nomear Lula para a Casa Civil, e Moro divulgaria a famosa conversa gravada entre a então presidente e o ex-presidente. Naquela manhã, Dallagnol e Moro conversaram sobre a divulgação dos áudios e se consultaram sobre a estratégia.

As críticas à divulgação dos áudios foram fortes e, seis dias depois, o procurador e o juiz ainda discutiam o assunto:

Uma semana depois da conversa, porém, Moro pediu desculpas pela decisão.

O juiz voltaria a dar conselhos ao MP em 21 de junho de 2016. Deltan Dallagnol apresentou uma prévia impressionante dos indícios de corrupção revelados pela delação de 77 executivos da Odebrecht, que implicavam 150 políticos, incluindo nomes como Michel Temer, Dilma, Lula, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin. “Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus”, disse Moro, usando a expressão em latim para um ditado do meio jurídico – “acabe-se o mundo [mas] faça-se justiça”. “Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova. Espero que LJ sobreviva ou pelo menos nós”, completou.

Outro conselho veio em em 15 de dezembro de 2016, quando o procurador atualizou o juiz sobre as negociações da delação dos executivos da Odebrecht.

“Não pode cometer esse tipo de erro agora”
Em março de 2017, Moro escreveu a Dallagnol para sugerir por baixo dos panos um caminho para a investigação da Lava-Jato – o que, na teoria, só poderia ser feito dentro dos autos. “Prezado, a Deputada Mara Gabrili mandou o texto abaixo para mim, podem dar uma checada nisso. Favor manter reservado”, disse o então juiz.

Seguia-se uma longa mensagem de Gabrilli, do PSDB de SP e atualmente senadora, em que ela sugere que o publicitário Marcos Valério, preso após os processos do Mensalão, fosse ouvido a respeito do assassinato de Celso Daniel, ocorrido em 2002. Daniel era prefeito de Santo André, cidade do ABC paulista, berço político de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

Menos de uma hora depois, Moro ouviu que o apelo da então deputada seria levado em conta pela Lava-Jato. “Falei com Diogo, que checará”, respondeu Dallagnol, fazendo referência ao procurador Diogo Castor de Mattos.

Dois meses depois, em 8 de maio de 2017, Curitiba parecia à beira de uma guerra civil. Dali a dois dias, Lula se sentaria pela primeira vez diante de Moro para depor, como réu, no caso do tríplex. Diante da chegada de caravanas de apoio ao petista – e, em menor número, de fãs de Moro e da Lava-Jato –, a secretaria de Segurança Pública do Paraná montou um gigantesco esquema que incluiu até atiradores de elite no dia do julgamento.

Em meio ao clima de tensão, Moro disparou uma mensagem a Dallagnol em que, duramente, o cobrava sobre a intenção de adiar em cima da hora o depoimento do ex-presidente. “Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando”, escreveu, às 19h09. “Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem”, completou.

Dallagnol só respondeu no dia seguinte, às 8h41. “Passei o dia fora ontem. Defenderemos manter. Falaremos com Nivaldo”, ele prometeu. Referia-se a Nivaldo Brunoni, juiz de primeira instância que cobria as férias do relator da Lava-Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, João Pedro Gebran Neto. Naquele mesmo dia, Brunoni rejeitou pedido da defesa do petista para adiar o interrogatório.

Dois dias depois, uma outra conversa que revela o clima de camaradagem entre juiz e acusação. “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”, teclou Dallagnol. Moro respondeu antecipando a sua decisão: “Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo”.

Em 26 de junho, seria a vez de Moro ditar a estratégia para o Ministério Público Federal manter preso João Vaccari Neto, tesoureiro do PT que ele condenara, mas que seria absolvido por falta de provas, no dia seguinte, pelo TRF4.

A leitura das conversas mostra como Moro e Dallagnol ficaram próximos ao longo dos anos. Entre as últimas mensagens a que o Intercept teve acesso, Moro conversa em tom de amizade com o procurador – que tratava o atual ministro como “Caro juiz” no início dos diálogos.

Mas também houve momentos tensos entre os dois. Em março de 2016, Moro irritou-se com o que considerou um erro da Polícia Federal. “Tremenda bola nas costas da Pf”, digitou o então juiz. As justificativas apresentadas por Dallagnol não o convenceram. “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora.”

Um ano depois, Moro, aparentemente irritado com uma das procuradoras da força-tarefa da Lava-Jato, fez um pedido delicado a Dallagnol:

“Conheço Moro há muitos anos. Não é um modelo de juiz imparcial,
tem um viés de favorecer a acusação”.
Advogado Antônio Sérgio Pitombo, que já defendeu Jair Bolsonaro.

“Moro não é modelo de juiz imparcial”
As conversas entre Moro e Dallagnol enviadas pela fonte anônima compreendem um período de dois anos entre 2015 e 2017. Já no grupo de procuradores citado neste texto, o FT MPF Curitiba, o conteúdo dos chats totaliza o equivalente a um livro de 1.700 páginas.

Juristas ouvidos pelo Intercept disseram que a proximidade entre procuradores e juízes é normal no Brasil – ainda que seja imoral e viole o código de ética dos magistrados.

“Pela Constituição, o processo penal brasileiro é acusatório. Na prática, é inquisitivo”, cravou Lenio Streck, advogado, jurista, pós-doutor em Direito e professor de Direito Constitucional na Unisinos, no Rio Grande do Sul. “O juiz acaba sendo protagonista do processo, age de ofício [ou seja, sem ser provocado por uma das partes], busca provas. Isso acaba fazendo com que o MP, também com postura inquisitiva, acabe encontrando um aliado estratégico no juiz. É um problema anterior, de que a Lava-Jato é um sintoma.”

Aprovado em 2008 pelo Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, o Código de Ética da Magistratura Nacional determina, em seu primeiro artigo, que juízes atuem “norteando-se pelos princípios da independência, da imparcialidade” e “do segredo profissional”, entre outros.

O capítulo 3 do código, que trata exclusivamente da imparcialidade, diz, no artigo oitavo: “O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”. O artigo seguinte determina que o juiz, “no desempenho de sua atividade, cumpre dispensar às partes igualdade de tratamento, vedada qualquer espécie de injustificada discriminação.”

Em várias decisões, o Supremo Tribunal Federal ratificou decisões que proíbem juízes de promover investigações. “A Constituição de 1988 fez uma opção inequívoca pelo sistema penal acusatório. Disso decorre uma separação rígida entre, de um lado, as tarefas de investigar e acusar e, de outro, a função propriamente jurisdicional. Além de preservar a imparcialidade do Judiciário, essa separação promove a paridade de armas entre acusação e defesa, em harmonia com os princípios da isonomia e do devido processo legal”, diz a ementa da Ação Direta de Inconstucionalidade 5.104, relatada pelo ministro Roberto Barroso.

As conversas sugerem que o juiz deu acesso privilegiado à acusação e ajudou o Ministério Público a construir casos contra os investigados, o que pode ser usado pela defesa dos acusados na Lava-Jato. Esse foi, por exemplo, o argumento da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao recorrer da condenação e ao denunciar Sérgio Moro na Comissão de Direitos Humanos da ONU. “O juiz Moro atuou com pré-julgamento, pois ele foi o juiz de investigação de Lula”, disse o advogado que representou o ex-presidente na ONU, Geoffrey Robertson, na época em que o petista foi condenado em segunda instância. A defesa de Lula vem, sem sucesso, questionando a imparcialidade de Moro no Supremo Tribunal Federal.

“O juiz brasileiro, em regra, é um juiz formal, mais distante, mas tem mais proximidade com o MPF, porque são ambos funcionários públicos. Existe um desequilíbrio nesse sentido”, afirmou o advogado Antônio Sérgio Pitombo, que já defendeu na Justiça o atual chefe de Moro, Jair Bolsonaro.

“Conheço o juiz Moro há muitos anos. Não é um modelo de juiz imparcial, tem um viés de favorecer a acusação. [Mas] O ponto sobre Lava-Jato nunca foi o juiz Moro, mas o Tribunal Regional da Quarta Região [responsável por julgar na segunda instância os processos da operação] nunca corrigir o juiz Moro. Juízes com esse ímpeto [punitivista] sempre tivemos no Brasil. Mas nunca tivemos um tribunal tão leniente [com a primeira instância] como o TRF4. Ali parecia haver um pacto ideológico entre tribunal e juiz. O tribunal achava bonito aquilo”, criticou Pitombo.

O relator dos processos da Lava-Jato no TRF4, o juiz de segunda instância João Pedro Gebran Neto, é amigo pessoal de Moro e, via de regra, se alinha ao atual ministro em suas sentenças.

Muitas das decisões tomadas por Moro ainda podem ser questionadas pelas defesas de condenados na Lava-Jato e revistas em tribunais superiores.

Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens, para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.

* Atualizado em 12/6/2019

PARTE 5
LEIA OS DIÁLOGOS DE SÉRGIO MORO E DELTAN DALLAGNOL QUE EMBASARAM A REPORTAGEM DO INTERCEPT.

Publicamos trechos expandidos das conversas que basearam as revelações entre o ex-juiz e o coordenador da Lava-Jato.
Via The Intercept Brasil em 12/6/2019

O Intercept Brasil publicou, no domingo [9/6], trechos de conversas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol que provocaram um terremoto político. Na reportagem, “Chats privados revelam colaboração proibida de Sérgio Moro com Deltan Dallagnol na Lava-Jato”, mostramos comportamentos proibidos e antiéticos entre o então juiz e o coordenador da Lava-Jato que botam em questão o trabalho e a credibilidade de ambos.

No Intercept, sempre trabalhamos com o princípio de máxima transparência possível. Isso significa que colocamos links para fontes primárias, explicamos por que – excepcionalmente – preservamos a identidade de algumas das nossas fontes e sempre lutamos para publicar os documentos que embasam nossas investigações.

São princípios editoriais fundamentais da nossa redação e foram implementados para criar confiança entre nós e nossos leitores. Você não precisa confiar na nossa palavra: avalie os fatos por si mesmo.

É sob essa lógica que decidimos publicar hoje a íntegra dos diálogos privados relevantes à reportagem publicada no domingo, que são claramente de interesse público. As conversas ocorreram de outubro de 2015 a setembro de 2017.

Publicamos apenas os trechos das conversas que basearam as revelações do domingo, agora no seu contexto completo – algo que não cabe numa reportagem. Não se trata das conversas completas entre Moro e Dallagnol ou do grupo FT MPF Curitiba 2, também citado no texto, por duas razões: ainda trabalhamos em outras apurações que têm por base a íntegra desse material e não publicaremos conteúdo de teor apenas pessoal. Nossa missão é proteger a intimidade dos citados, publicando apenas o que é de interesse público.

Entre os trechos expandidos pertinentes, apenas suprimimos o que contém as frases “Tremenda bola nas costas da Pf” e “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora”. Essa passagem pertence a uma investigação em andamento.

Clique aqui para pular para os trechos das conversas do grupo FT MPF Curitiba 2, que reunia procuradores que atuam na operação – ou siga abaixo para ler as conversas entre Moro e Dallagnol.

CONVERSA ENTRE SÉRGIO MORO E DELTAN DALLAGNOL

CHAT MPF 2

* Atualizado em 14/6/2019

PARTE 6
“A DEFESA JÁ FEZ O SHOWZINHO DELA”: SÉRGIO MORO, ENQUANTO JULGAVA LULA, SUGERIU À LAVA-JATO EMITIR UMA NOTA OFICIAL CONTRA A DEFESA. ELES ACATARAM E PAUTARAM A IMPRENSA.

Horas depois do primeiro depoimento de Lula, o então juiz procurou o Ministério Público para sugerir nota à imprensa que esclarecesse “contradições” do petista.
Via The Intercept Brasil em 15/6/2019

Um trecho do chat privado entre Sérgio Moro e o então procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima mostra que o ex-juiz pediu aos procuradores da Lava-Jato uma nota à imprensa para rebater o que chamou de “showzinho” da defesa de Lula após o depoimento do ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá. O conteúdo faz parte do arquivo As mensagens secretas da Lava-Jato.

Os procuradores acataram a sugestão do atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em mais uma evidência de que Moro atuava como uma espécie de coordenador informal da acusação no processo do tríplex. Em uma estratégia de defesa pública, Moro concedeu uma entrevista na sexta-feira [14/6] ao jornal O Estado de S.Paulo onde disse que considera “absolutamente normal” que juiz e procuradores conversem. Agora, está evidente que não se trata apenas de “contato pessoal” e “conversas”, como diz o ministro, mas de direcionamento sobre como os procuradores deveriam se comportar.

Juntamente com as extensas evidências publicadas pelo Intercept no início desta semana – em que Moro e Deltan conversam sobre a troca da ordem de fases da Lava-Jato, novas operações, conselhos estratégicos e pistas informais de investigação –, esta é mais uma prova que contraria a tentativa de Moro de minimizar o tipo de relacionamento íntimo que ele teve com os promotores.

Ao contrário da defesa de Moro de que as comunicações eram banais e comuns – contendo apenas notícias e informações, mas não ajudando os promotores a elaborar estratégias (“existia às vezes situações de urgência, eventualmente você também está ali e faz um comentário de alguma coisa que não tem nada a ver com o processo”, disse ao Estadão) –, essas conversas provam que Moro estava sugerindo estratégias para que os procuradores realizassem sua campanha pública contra o próprio réu que ele estava julgando.

Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fala sobre a 26ª fase da operação Lava-Jato, batizada de Xepa, em coletiva de imprensa na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no dia 22 de março de 2016.

Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fala sobre a 26ª fase da operação Lava-Jato, batizada de Xepa, em coletiva de imprensa na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no dia 22 de março de 2016.

O SHOWZINHO DA DEFESA
O episódio ocorreu em 10 de maio de 2017, quando Moro já presidia um processo criminal contra o ex-presidente no caso do “apartamento tríplex do Guarujá”. Eram 22h04 quando o então juiz federal pegou o celular, abriu o aplicativo Telegram e digitou uma mensagem ao Santos Lima, da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público Federal em Curitiba.

“O que achou?”, quis saber Moro. O juiz se referia ao maior momento midiático da Lava-Jato até então, ocorrido naquele dia 10 de maio de 2017: o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo em que ele era acusado – e pelo qual seria preso – de receber como propina um apartamento tríplex no Guarujá. Disponibilizado em vídeo, o embate entre o juiz e o político era o assunto do dia no país.

Seguiu-se o seguinte diálogo:

Além do depoimento, outro vídeo com Lula também tomava conta da internet e dos telejornais naquele mesmo dia. Depois de sair do prédio da Justiça Federal, o ex-presidente se dirigiu à Praça Santos Andrade, em Curitiba, e fez um pronunciamento diante de uma multidão. Por 11 minutos, Lula atacou a Lava-Jato, o Jornal Nacional e o então juiz Sérgio Moro; disse que estava sendo “massacrado” e encerrou com uma frase que entraria para sua história judicial: “Eu estou vivo, e estou me preparando para voltar a ser candidato a presidente desse país”. Era o lançamento informal de sua candidatura às eleições de 2018.

Um minuto depois da última mensagem, Moro mandou para o procurador Santos Lima:

Moro, o juiz do caso, zombava do réu e de seus advogados enquanto fornecia instruções privadas para a Lava-Jato sobre como se portar publicamente e controlar a narrativa na imprensa.

As afirmações do então magistrado que o Intercept divulga agora contradizem também o que ele dissera horas antes a Lula, naquele mesmo dia do julgamento, publicamente, ao iniciar o interrogatório do petista: que o ex-presidente seria tratado com “todo o respeito”.

“Eu queria deixar claro que, em que pesem alegações nesse sentido, da minha parte não tenho nenhuma desavença pessoal contra o senhor ex-presidente. Certo? O que vai determinar o resultado desse processo no final são as provas que vão ser colecionadas e a lei. Também vamos deixar claro que quem faz a acusação nesse processo é o Ministério Público, e não o juiz. Eu estou aqui para ouvi-lo e para proferir um julgamento ao final do processo”, disse Moro.

“PQ RESOLVERAM FALAR AGORA? PQ ERA O EX-PRESIDENTE?”
Dez minutos depois da conversa com o então juiz, naquele 10 de maio, Santos Lima abriu o grupo Análise de clipping, em que também estavam assessores de imprensa do MPF do Paraná. Ele estaria em Recife no dia seguinte em um congresso jurídico.

Oito minutos depois, Santos Lima copiou a conversa que teve em seu chat privado com Moro – em que o juiz sugere a nota pública para apontar as contradições de Lula – e colou em outro chat privado, com o coordenador da Lava-Jato no MPF, Deltan Dallagnol. Eram 22h38.

Àquele horário, os procuradores da força-tarefa discutiam num chat chamado Filhos de Januário 1 se deveriam comentar publicamente o depoimento de Lula. Às 22h43, Santos Lima escreveu no grupo, dirigindo-se a Dallagnol: “Leia o que eu te mandei.”. Ele se referia às mensagens que trocara com Moro. Três minutos depois, Dallagnol responderia em quatro postagens consecutivas no grupo:

Foi a vez então de Dallagnol mandar uma mensagem ao grupo Análise de clipping, dos assessores de imprensa.

O assessor de imprensa estranhou o pedido e alertou que poderia ser um “tiro no pé”.

O que os assessores não sabiam é que não era o MPF que queria influenciar o juiz, mas o juiz que estava influenciando o MPF. Três minutos antes de mandar essas mensagens ao grupo, Dallagnol havia escrito a Moro. Além de elogiá-lo pela condução da audiência, o procurador falou sobre a nota:

O pedido de Moro para apontar as contradições da defesa de Lula seria discutido no chat Filhos do Januário 1 até o fim da noite e também na manhã do dia seguinte, 11 de maio. E, finalmente, atendido.

Os procuradores, acatando a sugestão de Moro, distribuíram uma nota à imprensa, repercutida por Folha de S.Paulo, Estadão, Jovem Pan e todos os principais veículos e agências do país. As notícias são centradas justamente na palavra desejada pelo juiz: “contradições”.

Na nota, a força-tarefa expõe o que considera serem três contradições do depoimento de Lula e refuta diretamente uma alegação da defesa do petista, que os procuradores consideraram mentirosa.

Naquela noite, Dallagnol enviou uma mensagem a Moro para explicar por que não explorou a fundo as contradições do petista:

A RESPOSTA DO MINISTRO MORO AO INTERCEPT BRASIL
Nós procuramos a assessoria do ministro Sérgio Moro na sexta-feira [14/6] e apresentamos com antecedência todos os pontos mostrados nesta reportagem. Recebemos como resposta a seguinte nota: “O ministro da Justiça e Segurança Pública não comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa de hackers e que podem ter sido adulteradas e editadas, especialmente sem análise prévia de autoridade independente que possa certificar a sua integridade. No caso em questão, as supostas mensagens nem sequer foram enviadas previamente.”

Apesar de chamar as conversas de “supostas”, Moro admitiu, hoje, a autenticidade de um chat. Em uma coletiva, ele chamou de “descuido” o episódio no qual, em 7 de dezembro de 2015, passa uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigue.

Nós também entramos em contato com a assessoria do Ministério Público Federal do Paraná, que não respondeu.

AS CONVERSAS NA ÍNTEGRA
9 de maio de 2017
Dallagnol – 19:23:34
– CF, é óbvio, mas não caia em provocações amanhã. Não importa se ele xingar sua mãe ou qq de nós. Não caia. É isso que ele quer.

Nota: as mensagens restantes de 9 de maio foram enviadas por Dallagnol ao grupo de procuradores Incendiários ROJ e encaminhadas a Carlos Fernando dos Santos Lima. Por isso, todas aparecem com o mesmo horário.

Dallagnol – 19:23:34 – Lembrem como Júlio Marcelo foi elogiado no impeachment
Dallagnol – 19:23:34 – Temos que mostrar que não é pessoal do nosso lado
Dallagnol – 19:23:34 – Que é mais um caso
Dallagnol – 19:23:34 – Se elevarmos o tom, vai parecer briga e perseguição, é tudo que ele quer
Dallagnol – 19:23:34 – É tudo que ele quer
Dallagnol – 19:23:34 – Inclusive ele pode falar de mim pra provocar Vcs
Dallagnol – 19:23:34 – Não dá para cair nesa armadilha

10 de maio de 2017
Santos Lima – 07:41:04
– Vou falar que agora ele está falando com um homem, não um juvenil… RS
Santos Lima – 22:38:33 – Carlos Lima: [10/5 22:04] Moro: O que achou? [10/5 22:10] Carlos: Achei que ficou muito bom. Ele começou polarizando conosco, o que me deixou tranquilo. Ele cometeu muitas pequenas contradições e deixou de responder muita coisa, o que não é bem compreendido pela população. Você ter começado com o Tríplex desmontou um pouco ele. [10/5 22:11] Moro: A comunicação é complicada pois a imprensa não é muito atenta a detalhes [10/5 22:11] Moro: E alguns esperam algo conclusivo [10/5 22:12] Moro: Talvez vcs devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele [10/5 22:13] Moro: Por que a Defesa já fez o showzinho dela. [10/5 22:13] Carlos: Podemos fazer. Vou conversar com o pessoal. [10/5 22:13] Moro: A se pensar. Tb não tenho opinião formada [10/5 22:16] Carlos: Não estarei aqui amanhã. Mas o mais importante foi frustrar a ideia de que ele conseguiria transformar tudo em uma perseguição sua.
Santos Lima – 22:39:32 – Posso dar uma entrevista em Recife.

Nota: a mensagem abaixo foi copiada de outro chat por Carlos Fernando dos Santos Lima e colada na conversa com Dallagnol.

22:41:12 – Vou esperar para ver os comentários. Qualquer coisa, conversamos. O Moro pode estar ansioso.
Dallagnol – 22:44:58 – Vou responder lá no grupão

Nota: a primeira mensagem abaixo foi enviada por Dallagnol a Sérgio Moro e copiada e colada pelo procurador na conversa com Carlos Fernando dos Santos Lima. A segunda foi enviada por Moro a Dallagnol e também colada pelo procurador na conversa com Lima.

Dallagnol – 23:18:01 – Caro parabéns por ter mantido controle da audiência de modo sereno e respeitoso. Estamos avaliando eventual manifestação. A GN acabou de mostrar uma série de contradições e evasivas. Vamos acompanhar.
Dallagnol – 23:18:01 – Blz. Tb tenho minhas dúvidas dá pertinência de manifestação, mas eh de se pensar pelas sulilezas envolvidas

11 de maio de 2017
Santos Lima – 07:01:45 – Deltan. Veja a afirmação da defesa sobre acesso a provas. Eles acusaram o MP de usar documentos a que a defesa não teve acesso. Isso não é certo e merece uma nota.
Dallagnol – 10:15:48

CHAT FILHOS DO JANUÁRIO 1
10 de maio de 2017
Santos Lima – 22:38:01
– Pessoal. Falo ou não sobre o interrogatório? Se for para falar, será do meu jeito.
Deltan – 22:42:41 – Neste momento, eu seria cauteloso e conservador. Falar por quê? Ele fez disso um ato político e falar pode só dar razão ao que ele está fazendo, smj. Da pra ver como vai repercutir e eventualmente falar, mas temos que saber o que é preciso ser dito e por quê. Não acho no momento que o que falarmos vai influenciar a análise de terceiros. Há tanta gente que vai analisar e comentar isso… a maior chance é tentarem explorar contra, salvo se nosso silêncio começar a ser interpretado de alguma forma negativa…
Santos Lima – 22:43:45 – Leia o que eu te mandei.
Deltan – 22:46:46 – Então temos que avaliar os seguintes pontos: 1) trazer conforto para o juízo e assumir o protagonismo para deixá-lo mais protegido e tirar ele um pouco do foco; 2) contrabalancear o show da defesa.
Deltan – 22:47:19 – Esses seriam porquês para avaliarmos, pq ng tem certeza.
Deltan – 22:47:50 – O “o quê” seria: apontar as contradições do depoimento.
Deltan – 22:49:18 – E o formato, concordo, teria que ser uma nota, para proteger e diminuir riscos. O JN vai explorar isso amanhã ainda. Se for para fazer, teríamos que trabalhar intensamente nisso durante o dia para soltar até lá por 16h
Santos Lima – 22:49:39 – Eu iria direto na jugular, falando que culpar quem morreu é uma tática velha de defesa.
Santos Lima – 22:50:07 – E não poderia ser uma nota, pois notas são para momentos de crise.
Santos Lima – 22:50:57 – Deve ser uma entrevista, e entre as diversas perguntas eu falaria do interrogatório.
Deltan – 22:51:35 – Ele não reconheceu os crimes e colocou nas costas dela… ele apenas disse que ela que tratou disso e que ela mesma não ia comprar no fim… qto ao item apreendido, pulou fora. Vcs que estavam lá podem avaliar melhor, mas pelo pouco que vi não me pareceu que foi isso. Foi?
Santos Lima – 22:53:37 – Foi mais que isso. Veja o que o Bunlai falou sobre o terreno. 2+2=4.Bom. Vou dormir. Decidam até eu chegar em Recife. Pensem os comentários dos jornalistas neutros.
Athayde – 22:54:06 – GNews ta detonando o LULA, explorando varias contradicoes, dizendo tb nao ser crivel varias evasivas dele. Nao vejo necessidade de falar por agora
Deltan – 22:54:43 – Sei que Vc é confiante, safo e ótimo nisso, mas morro de medo de que em uma entrevista as perguntas surpreendam e as respostas acabem mais atrapalhando do que ajudando. Além disso, já sofremos tantas vezes com coisas sobre ele que minha primeira inclinação é nos poupar desse risco (e Vc está preservado por enquanto qto ao Lula e não seria ruim se permanecesse preservado para qdo necessário…)
Deltan – 22:56:16 – Enfim, seria bom se mais gente der opinião e irmos acompanhando
Welter – 22:56:53 – Tivemos uma coletiva da Ode, após a denuncia, que nao teve repercussão alguma. Claro que o Lula tem mais apoiadores, mas da pouca repercussão que vi, a grande imprensa não vai comprar a tese do Lula e não vai ver excessos do Juiz ou do MPF. Ninguem vai comprar a versão dele. Acho que o momento é de nos recolhermos um pouco
Santos Lima – 22:58:33 – Pelo que eu vi na audiência, não será necessário. Ele não foi bem, e mesmo os erros do Moro não comprometeram. O Moro pode estar ansioso. Vemos as repercussões e decidimos amanhã. Mas se for para fazer, que seja eu, pois não sou de ficar na defensiva.
Athayde – 22:58:55 – Gostei de uma coisa tb. Merval Pereira defendeu a conducao coercitiva dele. Disse q manifestantes e o esquema de seguranca q se fez necessario justificou aquele ato
Santos Lima – 22:59:46 – Aliás, isso é outro ponto a ser considerado. Amanhã haverá o julgamento das coercitivas.

Nota: A mensagem abaixo foi enviada por Ricardo Brandt a Santos Lima e copiada e colada pelo procurador no chat Filhos do Januário 1.

Santos Lima – 23:01:32 – Ricardo Brandt: Dr. qual sua avaliação geral do depoimento? Se enrolou? Algo te surpreendeu? pode ser off. sem problemas Carlos Lima: Estamos decidindo se falamos… RS Ricardo Brandt: haha. ok. fale conosco se falar ele atacou vcs demais ele é circular. não sai do roteiro. repete frases exatas em varios momentos distintos. achei na minha opinião vcs têm que falar. se hj ou amanhã não sei. mas não falar é pior
Julio Noronha – 23:01:57 – Sangue frio agora. Acho q a imprensa precisa de tempo para analisar o depoimento. Não foi bom para Lula (para nós, basta). Acho q é questão de tempo; amanhã cedo já terão visto
Julio Noronha – 23:02:13 – Nosso momento de bater forte de novo é nas alegações finais; enumerar 537 provas
Santos Lima – 23:02:48 – Boa noite.
Julio Noronha – 23:03:15 – Um novo passo nosso neste processo dará razão/palco para mais uma manifestação deles
Welter – 23:17:45 – A impressão de alguns amigos é que o Lula se perdeu. Botou culpa na mulher morta. Fim da picada
Januario Paludo – 23:17:52 – Não podemos antecipar as alegações finais.
Januario Paludo – 23:19:01 – Se formos falar, e genericamente de que audiência transcorreu dentro do que estava previsto, mas sem antecipar as declarações dele.
Januario Paludo23:19:16 – A análise das declarações.
Deltan – 23:23:37 – De todo modo, se ROJ tiverem fácil anotado ou lembrarem de contradições, podemos passar isso para algum jornalista que queira fazer em nome próprio
Januario Paludo – 23:23:55 – Concordo
Januario Paludo – 23:25:17 – Acho que podemos levantar a bola do do dotti que impôs respeito.
Athayde – 23:29:09http://m.oantagonista.com/posts/okamotto-quer-emprego-e-dias-toffoli-como-relator

11 de maio de 2017
Santos Lima – 06:17:08 – Estou vendo agora alguns trechos, mas aquela resposta sobre a reportagem do O Globo sobre o Tríplex foi ridícula. Acusou o MP de combinar com o jornal a reportagem. Agora nós temos uma máquina de tempo.
Santos Lima – 06:45:22 – O único ponto que acho que merece resposta é a questão levantada pela defesa na coletiva de não ter acesso a documentos da Petrobras, inclusive aquela ata que foi mostrada em audiência.
Galvão – 06:52:08 – Tb acho desnecessário falar agora
Andrey B Mendonça – 07:39:54 – Pela capa da folha, parece q ele se queimou sozinho… acho q vcs ganham só de ficar em silêncio
Andrey B Mendonça – 07:40:55 – Pela do estadao tb…
Santos Lima – 08:22:42 – Vejam a afirmação da defesa sobre acesso a provas. Eles acusaram na coletiva o MP de usar documentos a que a defesa não teve acesso. Isso não é certo e merece uma nota.
Santos Lima – 08:48:08 – Inclusive a ata que foi apresentada.
Santos Lima – 09:03:33 – Falei com repórter no aeroporto.
Santos Lima – 09:07:38 – Aliás, aqui está difícil de escapar.
Julio Noronha – 09:07:51 – Talvez falar com o repórter(s) já resolva. Se não, vale nota curta e específica. Disseram q não tiveram acesso e está lá desde setembro de 2016. Para conferir a mentira, todo mundo pode acessar o eproc, evento 3, anexo 25. Todos os documentos da Petrobras pertinentes ao caso foram juntados. Mais q isso, outros tantos documentos q a própria defesa pediu foram fornecidos tb.
Santos Lima – 09:10:12 – Já falei sobre isso com o repórter.
Januario Paludo – 09:21:56 – Vale a nota se mais de um veículo pontuou isso, senão, só pra quem falou, basta responder.
Januario Paludo – 09:24:13 – António e Laura. Vamos???
Laura Tessler – 09:26:25 – Encontro vcs lá
Laura Tessler – 09:26:50 – Vou só pra reunião com Pace, ok?
Laura Tessler – 09:29:22 – Acho boa a nota tb. Deixa evidente a má fé deles em tentar, mais uma vez, induzir a mídia e a opinião pública em erro.

DELTAN DALLAGNOL E SERGIO MORO
10 de maio de 2017
Deltan – 23:02:20
– Deltan Caro parabéns por ter mantido controle da audiência de modo sereno e respeitoso. Estamos avaliando eventual manifestação. A GN acabou de mostrar uma série de contradições e evasivas. Vamos acompanhar.
Moro – 23:16:49 – Blz. Tb tenho minhas dúvidas dá pertinência de manifestação, mas eh de se pensar pelas sulilezas envolvidas

11 de maio de 2017
Deltan – 22:14:23
– Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia. Não são imprescindíveis.
Deltan – 22:16:26 – Informo ainda que avaliamos desde ontem, ao longo de todo o dia, e entendemos, de modo unânime e com a ascom, que a imprensa estava cobrindo bem contradições e que nos manifestarmos sobre elas poderia ser pior. Passamos algumas relevantes para jornalistas. Decidimos fazer nota só sobre informação falsa, informando que nos manifestaremos sobre outras contradições nas alegações finais.
Moro – 23:07:15 – Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo

CHAT ANÁLISE DE CLIPPING
10 de maio de 2017
Santos Lima22:26:23 – Será que não dá para arranjar uma entrevista com alguém da Globo em Recife amanhã sobre a audiência de hoje?
Assessor 122:28:19 – Possível é, só não sei se vale a pena. E todos os jornalistas que estão aqui e já pediram entrevista?
Assessor 222:28:32 – Mas dr., qual o motivo?
Assessor 2 – 22:29:13 – Qual a necessidade, na realidade..
Santos Lima – 22:30:50 – Uma demanda apenas. Como está a repercussão da coletiva dos advogados?
Assessor 2 – 22:30:58 – Rito normal do processo…vcs nunca deram entrevista sobre audiência…vai servir pra defesa bater…mais uma vez…
Assessor 1 – 22:31:23 – Vou postar aqui.
Assessor 2 – 22:31:48 – Normal…nada demais…mesmo discurso de sempre..
Assessor 1 – 22:33:12 – Importante notar que, fora a mídia “alternativa”, ninguém transmitiu a coletiva da defesa ao vivo/na íntegra.
Assessor 1 – 22:33:46http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,defesa-critica-perguntas-de-moro-a-lula-alheias-a-processo,70001772772
Assessor 2 – 22:34:11 – Ponto é: foi mais uma audiência. Como todas as outras. Como a condução coercitiva foi mais uma como as demais. A partir do momento que se muda discurso, abre brecha pra questionamentos.
Assessor 1 – 22:34:24http://m.folha.uol.com.br/poder/2017/5/1882948-interrogatorio-de-lula-por-moro-foi-politico-diz-defesa-do-petista.shtml?mobile
Assessor 1 – 22:37:25http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/defesa-diz-que-lula-demonstrou-ser-inocente-em-depoimento.ghtml
Assessor 1 – 22:38:04http://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/a-imprensa-defesa-insiste-na-tese-de-perseguicao-politica-a-lula-d83zm6xlaqxvfnpd9y0bu42zi
Assessor 2 – 22:41:25 – E falar sobre audiencia do ex-presidente no dia que stf vai julgar legalidade das conducoes coercitivas pode cair mal…
Santos Lima – 22:42:09 – Será amanhã?
Assessor 2 – 22:42:19 – Sim
Assessor 2 – 22:42:29 – Tá na pauta de julgamento do stf
Assessor 2 – 22:42:56 – Gilmar vai votar contra, mas vai ser no plenário
Assessor 1 – 22:44:43http://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/gilmar-deve-se-posicionar-contra-conducao-coercitiva-para-investigados.html
Assessor 1 – 22:46:10http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/advogados-de-lula-dizem-que-depoimento-a-moro-comprova-inocencia-do-ex-presidente/5860571/
Assessor 1 – 23:05:35http://brasil.elpais.com/brasil/2017/5/10/ politica/1494448425_600643.html
Deltan – 23:05:51 – Caros, mantenham avaliando a repercussão de hora em hora, sempre que possível, em especial verificando se está sendo positiva ou negativa e se a mídia está explorando as contradições e evasivas. As razões para eventual manifestação são: a) contrabalancear as manifestações da defesa. Vejo com normalidade fazer isso. Nos outros casos não houve isso. b) tirar um pouco o foco do juiz que foi capa das revistas de modo inadequado.
Pessoa 1 – 23:10:56https://glo.bo/2r1t1gM
Assessor 1 – 23:11:30 – de hora em hora não, dr Deltan! tenho insônia, mas acho que não teremos nenhuma grande novidade na madrugada… rs
Deltan – 23:11:36 – Kkkkk
Deltan – 23:11:47 – Digo em horários “normais” rs
Deltan – 23:11:59 – Pq se precisarmos produzir algo, pode tomar tempo
Assessor 1 – 23:13:57 – ah, bom… rsrs acho que as edições de amanhã já darão um bom panorama. precisamos “monitorar” a defesa, comunicados, entrevistas deles…
Assessor 1 – 23:14:42 – o que inclui acompanhar a “mídia independente”.
Assessor 2 – 23:15:30 – Quem bate vai seguir batendo. Quem não bate vai perceber a mudanca de posicionamento e questionar. É uma parte do processo. Na minha visão é emitir opinião sobre o caso sem ele ter conclusão…e abrir brecha pra dizer que tão querendo influenciar juiz. Papel deles vai ser levar pro campo político. Imprensa sabe disso. E já sabe que vcs não falam de audiências geralmente. Mudar a postura vai levantar a bola pra outros questionamentos. Pq resolveram falar agora? Pq era o ex-presidente? E voltar o discurso de perseguição…é o que a defesa fez, faz…pq não tem como rebater a acusação. Acusação utilizar da mesma estratégia pode ser um tiro no pé.
Assessor 1 – 23:24:57https://www.brasildefato.com.br/2017/5/11/lula-diz-em-interrogatorio-que-seu-crime-foi-provar-que-este-pais-pode-dar-certo/

11 de maio de 2017
Santos Lima – 09:08:41
– Para que vocês não se surpreendam, falei com alguns repórteres no aeroporto. Difícil escapar.
Assessor 2 – 11:49:52 – Pessoal, Julio preparou uma nota simples
Assessor 2 – 11:50:13 – Eu e Orladinho já demos nossos pitacos
Assessor 2 – 11:50:15 – Ficou assim
Assessor 2 – 11:50:20 – Força-tarefa em Curitiba esclarece informação falsa prestada pela defesa de Lula Defesa alegou não ter tido acesso a documento que se encontra juntado na denúncia desde 14/9/2016 Em coletiva realizada ontem, imediatamente após o interrogatório do ex-presidente Lula, seus advogados afirmaram que na audiência foi utilizada ata de reunião de diretoria da Petrobras à qual a defesa do ex-presidente não teria tido acesso. A informação é absolutamente falsa, uma vez que, como pode ser verificado por qualquer pessoa, o documento mencionado encontra-se juntado desde a propositura da denúncia em 14/9/2016 (evento 3, COMP25, autos nº 5046512-94.2016.4.04.7000). Trata-se, portanto, de apenas mais uma declaração inverídica propalada com o intuito de tentar falsamente influenciar a opinião pública.
Welter Prr – 11:52:10 – Podem esperar a grnte chegar?
Roberson MPF – 11:57:19 – Yep
Assessor 2 Particular12:02:03 – Ok. Quando aprovarem é só nos avisar.
Julio Noronha – 12:02:12 – Acho q poderíamos voltar com a seguinte finalização da nota: Quanto às contradições verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula, imputação de atos à sua esposa, confissão de relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras, e ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente nos autos, especialmente nas alegações finais, como determina o Código de Processo Penal.
Julio Noronha – 12:02:32 – Vão perguntar se vamos manifestar sobre isso e já fica a dica
Julio Noronha – 12:02:46 – E já previne a contra-resposta da defesa sobre a nota: MPF so conseguiu falar de um único documento
Assessor 2 – 12:24:06
Assessor 1 – 12:29:50http://g1.globo.com/google/amp/g1.globo.com/politica/operacao- lava-jato/ noticia/fachin-derruba-sigilo-da-delacao-premiada-de-joao-santana-e-monica-moura.ghtml
Assessor 1 – 12:39:02http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/justica-divulga-videos-com-angulo-ampliado-de-depoimento-de-lula.ghtml
Assessor 1 – 12:39:33http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/depoimento-de-lula-a-moro-veja-os-videos-e-os-principais-pontos.ghtml
Assessor 1 – 12:40:07https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/5/11/ As-5-horas-de-depoimento- de-Lula-a-Moro-na-Lava-Jato-em-12-t%C3%B3picos
Assessor 1 – 12:41:13http://g1.globo.com/mundo/noticia/depoimento-de-lula-a-moro-repercute-na-imprensa-internacional.ghtml
Assessor 1 – 12:43:45http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto- macedo/um-tanto-triste-diz-procurador-da-lava-jato-sobre-lula-responsabilizar-marisa/
Assessor 2 – 12:45:16 – Valor, Reuters, AFP, Bandnews…também querem entrevista… se falou com um pq não atende os outros…
Assessor 2 – 12:46:24 – Tão alegando isso…
Assessor 2 –12:46:54 – E diminui interesse pela nota…
Assessor 1 – 12:47:19http://m.folha.uol.com.br/opiniao/2017/5/1882939-prisao-nada-temporaria.shtml?mobile
Assessor 1 –12:58:35 – Tiago Herdy, do Globo, tb quer falar com vcs.
Assessor 2 – 12:59:29 – Gustavo também pediu…
Assessor 1 – 12:59:55 – Sobre ontem, claro. Ficará em Curitiba até o final da tarde.
Assessor 1 – 13:07:48 – Rádio Gaúcha tb quer entrevista.
Assessor 2 – 13:08:04 – Radio Itatiaia (MG)…
Pessoa 1 – 13:14:14 – Tinha acabado de falar pra Gaúcha que não faríamos entrevista E saiu a do CF
Assessor 2 – 13:16:03 – Pois então…
Januario Paludo – 13:20:29
Assessor 2 – 13:32:59http://m.blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2017/5/11/ lider-da-forca-tarefa-na-lava-jato-e-o-entrevistado-do-resenha-politica-nesta-quinta/
Julio Noronha – 13:54:07 – Vejam se têm sugestões:
Julio Noronha – 13:54:10 – Força-tarefa em Curitiba esclarece que defesa de Lula prestou informação falsa à sociedade Defesa afirmou “desconhecer” documento que se encontra no processo desde 14/9/2016 Em entrevista coletiva realizada ontem, imediatamente após o interrogatório do ex-presidente Lula, seus advogados afirmaram que foi utilizada, na audiência, uma ata de reunião de diretoria da Petrobras à qual a defesa do ex-presidente não teve acesso. A informação é absolutamente falsa, uma vez que o documento está no processo desde 14/9/2016, data da acusação criminal. Isso pode ser verificado por qualquer pessoa, mediante acesso ao evento 3, “COMP25”, dos autos eletrônicos nº 5046512-94.2016.4.04.7000. Trata-se, portanto, de apenas mais uma declaração inverídica propalada com o intuito de tentar influenciar a opinião pública. Quanto às muitas contradições verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula, à imputação de atos à sua falecida esposa, à confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e à ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente, no processo, especialmente nas alegações finais.
Assessor 1 – 13:58:04 – Retiraria o “absolutamente” e a última frase do 1o parágrafo (“Trata-se…”), porque acho melhor usar um tom mais “neutro”.
Assessor 1 – 14:14:07http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/delegado-da-pf-diz-que-lula-se-incriminou/amp/
Julio Noronha – 14:26:48 – Força-tarefa em Curitiba esclarece que defesa de Lula prestou informação falsa à sociedade Defesa afirmou “desconhecer” documento que se encontra no processo desde 14/9/2016 Em entrevista coletiva realizada ontem, imediatamente após o interrogatório do ex-presidente Lula, seus advogados afirmaram que foi utilizada, na audiência, uma ata de reunião de diretoria da Petrobras à qual a defesa do ex-presidente não teve acesso. A informação é falsa, uma vez que o documento está no processo desde 14/9/2016, data da acusação criminal. Isso pode ser verificado por qualquer pessoa, mediante acesso ao evento 3, “COMP25”, dos autos eletrônicos nº 5046512-94.2016.4.04.7000. Quanto às muitas contradições verificadas no interrogatório do ex-presidente Lula, à imputação de atos à sua falecida esposa, à confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e à ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência, o Ministério Público Federal se manifestará oportunamente, no processo, especialmente nas alegações finais.
Julio Noronha – 14:27:14 – Podem largar. Todo mundo fechou posição para publicar. Obrigado pelas sugestões, SUPRIMIDO
Assessor 2 – 14:31:21 – Ok.
Assessor 2 – 14:33:59 – É a nota… seguimos sem atendimento…isso?
Assessor 1 – 14:35:55 – De nada! Só mais uma ponderação: esta “acusação” da defesa não teve repercussão. Com a nota, vamos colocar esse tema em evidência.
Deltan – 14:50:24 – É documental. Está bem claro. Podem enviar…
Deltan – 14:50:35 – Seguimos sem atendimento
Deltan – 14:50:42 – Como está a avaliação de Vcs?
Assessor 1 – 14:53:33 – até agora, o ponto mais abordado pela imprensa tem sido o encontro com Duque, com avaliação negativa da resposta de Lula.
Assessor 1 – 14:53:49 – a cobertura está normal.
Assessor 2 – 14:54:05 – Contradição de Lula, em especial sobre relação de Vaccari com Duque está sendo o enfoque. E especulação previsão de quando ação pode ter sentença para que possa ir pro TRF (por causa das eleições de 2018)
Assessor 1 – 14:55:28 – na pouca repercussão da coletiva e do posicionamentos da defesa, o que aparece são críticas à própria defesa.
Assessor 1 – 14:56:20 – comentaristas pontuam o caráter político do interrogatório de ontem. vou colocar alguns links aqui.
Deltan – 15:19:55 – CF não vai dar entreevista hoje sobre ontem. Não vai abordar o interrogatório
Deltan – 15:20:30 – como Lula transformou em ato político, certo?
Assessor 2 – 15:22:32 – Sim, mas também abordam que o “confronto” MoroxLula terminou 0 a 0.
Assessor 1 – 15:22:34 – sim.
Assessor 2 – 15:36:49http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/defesa-de-lula-prestou-informacao-falsa-a-sociedade-diz-mp/
Santos Lima – 15:41:05 – Eles estão fazendo pressão, pois vivem correndo atrás.
Galvão – 15:42:59 – http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/delegado-da-pf-diz-que-lula-se-incriminou/
Assessor 2 – 15:48:52https://br.noticias.yahoo.com/exclusivo-federais-vao-processar-lula-por-denunciacao-caluniosa-contra-agentes-da-pf-165714583.html
Assessor 1 – 15:52:28http://istoe.com.br/defesa-de-lula-prestou-informacao-falsa-a-sociedade-diz-mpf-pr/
Assessor 1 – 16:06:21 – repercussão do interrogatório nas redes sociais:
Assessor 1 – 16:06:37 – O depoimento realizado pelo ex-presidente, Lula, ao juiz, Sérgio Moro, na tarde de ontem (10) repercutiu nas redes sociais. Usuários do Twitter criticaram a postura do juiz e do MPF, afirmando que, após o depoimento divulgado, não existem provas concretas contra o ex-presiente. Mídias: Twitter (@silviosaba) (@ruipalanque) (@fioreze2014) (@DharioDahnuel) (@PatoCorporation) (@StellaMendonca) (@ToniBulhoes) (@AdrianoArgolo) (@jonasmelloshow) (@miriamborba) (@OlivettiFelipe) (@blogdogarotinho).
Assessor 1 – 16:06:48 – Segundo blog, Deltan Dallagnol demole a falácia de que Lula foi denunciado “sem provas”; “Sem provas consistentes, nós não teríamos feito a acusação criminal oferecida contra ele. Aliás, mais de uma”, afirmou o procurador. Mídias: Twitter (@implicante_org) (@jonasmelloshow) /Blog (Implicante).
Assessor 1 – 16:07:06 – Em depoimento prestado na tarde de ontem (10), o ex-presidente, Lula, critica a atuação do Ministério Público e de Moro na Lava-Jato. Lula disse ao juiz para considerar o processo ilegítimo e classificou a denúncia elaborada pelos procuradores como uma “farsa”. Disse ainda que a denúncia do MPF foi baseada em denúncias publicadas pela imprensa, além de ter se exaltado em resposta a um procurador. Mídias: Facebook (Época) (Congresso em Foco) (O Globo) (VEJA) (Jornal GGN) (Stanley Burburinho) /Twitter (@ReuterBrazil) (@UOLNoticias) (@congemfoco) (@radaronline) (@Blogdojosias) (@JornalGGN) (@stanleyburburin) (@luisnassif) (@reinaldoazevedo) (@diogomainardi) /Blog (Radar On-Line) (Jornal GGN) (Reinaldo Azevedo) (O Antagonista).
Assessor 1 – 16:07:20 – Durante o depoimento prestado pelo ex-presidente, Lula, o procurador Roberson Pozzobon, do MPF, se referiu ao ex-presidente como “Sr. Luiz Inácio”. O advogado de Lula reclamou afirmando que ‘Senhor Luiz Inácio’ não era uma forma adequada de se referir a um ex-presidente da República. O juiz interviu dizendo que não houve intenção de ofensa pela parte do MPF, mas que o procurador se reportasse ao réu como “Sr. Ex-presidente”. Mídias: Facebook (Brasil 247) /Twitter (@brasil247) (@BlogOlhoNaMira) (@reinaldoazevedo) /Blog (Reinaldo Azevedo).
Assessor 1 – 16:07:42 – Em entrevista ao Estadão, o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, disse que é “triste” que o ex-presidente, Lula, tenha atribuído à sua mulher, dona Marisa Letícia, a intenção de adquirir o tríplex em Guarujá, em seu depoimento. O procurador afirmou que o MPF vai pedir mais diligências antes das alegações finais no processo. Mídias: Facebook (Estadão) /Twitter (@estadao) (@reinaldoazevedo) (@teresinhalopes) /Blog (Reinaldo Azevedo) (Fausto Macedo).
Assessor 1 – 16:23:12 – mais repercussão da nota de hoje:https://oglobo.globo.com/brasil/mpf-diz-que-advogados-de-lula-prestaram-informacao-falsa-em-coletiva-21326180 http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/procuradores-da-lava-jato-acusam-defesa-de-lula-de-informacao-falsa-a-sociedade/
Assessor 1 – 16:23:38http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/mpf-pede-a-moro-que-outras-tres-pessoas-sejam-ouvidas-no-processo-do-tríplex.ghtml
Assessor 1 – 16:35:30 – análises/comentários sobre ontem: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2017/05/1883067-perguntas-que-moro-nao-fez-e-otras-cositas-mas.shtml http://blogs.oglobo.globo.com/merval-pereira/post/contra-os-fatos.html http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/bandido-que-de-preza-morre-jurando-inocencia/  http://noblat.oglobo.globo.com/meus-textos/noticia/2017/05/pobre-marisa-leticia.html  http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,analise-mulher-emerge-como-investidora,70001773096 http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,analise-a-culpa-foi-de-marisa,70001773114  http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/o-foco-na-politica.html http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1882975-apoio-reduzido-nas-ruas-reflete-limite-de-lula.shtmlhttp://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/moro-ofereceu-palanque-lula.html
Assessor 1 – 16:37:29 – em vídeo: http://g1.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/videos/t/todos-os-videos/v/eventual-confronto-poderia-interessar-a-defesa-de-lula-diz-lo-prete/5860744/ http://g1.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/videos/t/todos-os-videos/v/lula-quer-ser-eleito-e-nao-ser-julgado-pela-justica-diz-merval/5860758/ http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/lula-nao-saiu-nem-enfraquecido-e-nem-fortalecido-do-depoimento-diz-valdo/5861394/ http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/nao-da-para-dizer-que-um-lado-nocauteou-o-outro-diz-natuza-nery/5862156/ http://noticias.band.uol.com.br/cafecomjornal/videos/(Boechat)
Assessor 1 – 17:35:58 – dr Carlos, entrevista em Recife agora:http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2017/5/11/assista-a-entrevista-com-o-procurador-da-forca-tarefa-na-lava-jato-no-resenha-politica/
Assessor 2 – 18:10:56 – STF encerrou sessão sem discutir questão das conduções coercitivas. Pararam durante julgamento da legalidade das cotas para negros em concursos públicos.
Diogo – 18:13:14 – cf prestou depoimento ao moro?
Diogo – 18:13:15 – kceta
Assessor 1 – 18:14:57http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/leia-toda-a-delacao-do-marqueteiro-de-lula-e-dilma/
Assessor 1 – 18:16:24http://www.correiobraziliense.com.br/app/ outros/ultimas-noticias/63,37,63,14/2017/5/11/internas_polbraeco,594331/defesa-de-lula-prestou-informacao-falsa-a-sociedade-diz-mpf-pr.shtml
Assessor 1 – 18:19:56 – http://dilma.com.br/dilma-fim-do-sigilo-chega-tarde-e-prejudicou-defesa-no-tse/
Assessor 2 – 19:32:52https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/5/11/lula-disse-nao-sei-84-vezes-no-depoimento-a-sergio-moro.htm
Assessor 1 – 21:59:36http://www.conjur.com.br/2017-mai-11/alexandre-frota-entra-pedido-impeachment-gilmar-mendes

* Atualizado em 18/6/2019

PARTE 7
“TEM ALGUMA COISA MESMO SÉRIA DO FHC?”: LAVA-JATO FINGIU INVESTIGAR FHC APENAS PARA CRIAR PERCEPÇÃO PÚBLICA DE “IMPARCIALIDADE”

Moro não gostou do alvo tucano e repreendeu: “Melindra alguém cujo apoio é importante”.
Rafael Moro Martins, Amanda Audi, Leandro Demori, Glenn Greenwald e Tatiana Dias, via The Intercept Brasil em 18/6/2019

Um trecho do chat privado entre Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol revela que o ex-juiz discordou de investigações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Lava-Jato porque, nas palavras dele, não queria “melindrar alguém cujo apoio é importante”. O diálogo ocorreu em 13 de abril de 2017, um dia depois do Jornal Nacional ter veiculado uma reportagem a respeito de suspeitas contra o tucano.

Naquele dia, Moro chamou Deltan Dallagnol em um chat privado no Telegram para falar sobre o assunto. O juiz dos processos da Lava-Jato em Curitiba queria saber se as suspeitas contra o ex-presidente eram “sérias”. O procurador respondeu acreditar que a força-tarefa – por meio de seu braço em Brasília – propositalmente não considerou a prescrição do caso de FHC e o enviou ao Ministério Público Federal de São Paulo, segundo ele, “talvez para [o MPF] passar recado de imparcialidade”.

À época, a Lava-Jato vinha sofrendo uma série de ataques, sobretudo de petistas e outros grupos de esquerda, que a acusavam de ser seletiva e de poupar políticos do PSDB. As discussões haviam sido inflamadas meses antes, quando o então juiz Moro aparecera sorrindo em um evento público ao lado de Aécio Neves e Michel Temer, apesar das acusações pendentes de corrupção contra ambos.

Sérgio Moro, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Michel Temer na cerimônia de premiação “Brasileiros do Ano”, da Revista IstoÉ, em 2016. Foto: Diego Padgurschi/Folhapress.

FHC foi citado na Lava-Jato pelo menos nove vezes (1, 2, 3, 4 e 5, 6, 7, 8 e 9). Caso fossem investigados e comprovados, nem todos os possíveis crimes cometidos pelo ex-presidente estariam prescritos.

Naquele dia, antes de responder a Moro, Dallagnol encaminhou a dúvida do juiz para um chat em grupo chamado Conexão Bsb-CWB, no qual estavam procuradores das duas cidades. Foi de Brasília, onde o caso tramitava, que ele recebeu a resposta de que a documentação foi encaminhada a São Paulo sem a análise sobre a prescrição.

A acusação que Dallagnol classificou como “recado de imparcialidade” já era de conhecimento interno do Ministério Público desde o final de 2016, graças à delação de Emílio Odebrecht, que afirmou que deu “ajuda de campanha” a FHC para as eleições vitoriosas de 1994 e 1998. “Ajuda de campanha eu sempre dei a todos eles. E a ele também dei. E com certeza teve a ajuda de caixa oficial e não oficial”, afirmou o empresário, falando sobre caixa 2. “[E]u dava e dizia que era para atender mesmo. Então vai fulano de tal lhe procurar, como eu dizia também para Marcelo, e eles então operacionalizavam. Ele me pediu. Todos eles.” O valor dos pagamentos não foi divulgado.

O depoimento permaneceu em segredo de justiça até abril de 2017, quando foi enviado para ser investigado pela Procuradoria da República de São Paulo e virou notícia. Mas já nasceu morto: os fatos estavam prescritos, e a investigação não poderia terminar em uma denúncia formal. Foi arquivada pela Justiça três meses depois.

Essas revelações sugerem mais uma vez a parcialidade na Lava-Jato, que tanto Moro quanto a força-tarefa negam veementemente. Na nota oficial divulgada pela força-tarefa em resposta à primeira série de reportagens do Intercept no último domingo, por exemplo, eles insistiram que seu trabalho sempre foi movido pela “imparcialidade da atuação da Justiça”. Em entrevista ao Estadão na semana passada, o ministro Moro disse que não via “[n]enhum viés político nas mensagens que me foram atribuídas.”

Em 2016, FHC ainda apareceria em outras três delações. Em uma delas, ele apareceu na boca do operador ligado ao MDB Fernando Baiano, por causa do suposto beneficiamento da empresa de um filho do ex-presidente, Paulo Henrique Cardoso, em contratos com a petroleira. Foto: Antonio Scorza/AFP.

Mas, aqui, Moro estava explicitamente preocupado com investigações da Lava-Jato contra um apoiador político de seu trabalho. E Dallagnol admitiu acreditar que outros procuradores da força-tarefa passaram adiante uma investigação que sabidamente não resultaria em processo, a fim de fabricar uma falsa percepção pública de “imparcialidade”, sem, no entanto, colocar FHC em risco.

As conversas agora reveladas fazem parte de um lote de arquivos secretos enviados ao Intercept por uma fonte anônima (leia nosso editorial e entenda). Os arquivos publicados até agora mostram, entre outras coisas, que a Lava-Jato sempre teve muita preocupação com sua imagem pública, e seguia conselhos informais do então juiz Moro, o que é ilegal.

“PORRA BOMBA ISSO”
Para os procuradores, era importante incluir o PSDB no rol de investigados para acalmar o ânimo dos críticos. Eles já falavam sobre isso muito antes de Moro alertar Dallagnol sobre evitar “melindrar” FHC.

Em uma conversa no dia 17 de novembro de 2015, o procurador Roberson Pozzobon mandou uma sugestão em um grupo do Telegram chamado FT MPF Curitiba 2: investigar, num mesmo procedimento, pagamentos da Odebrecht aos institutos de Lula e FHC. “Assim ninguém poderia indevidamente criticar nossa atuação como se tivesse vies partidário”, justificou Pozzobon. “A da LILS vocês já sabem os indícios para a investigação, mas vejam essa fratura expostas da Fundação iFHC”, disse ao grupo. Nesse caso – diferentemente daquele que virou notícia na imprensa sobre caixa 2 nos anos 1990 –, os pagamentos ao iFHC aos quais Pozzobon se referia não estariam prescritos, caso fossem propina.

Depois de comentar sobre o instituto de FHC, Pozzobon postou duas imagens no grupo.

A primeira é uma troca de e-mails de 2014 entre a secretária de FHC e dois interlocutores: um representante da Associação Petroquímica e Química da Argentina, a Apla, identificado como Manuel Diaz, e um empresário do ramo cultural, Pedro Longhi. A secretária fala para verificarem com a Braskem – empresa do ramo petroquímico controlada pela Odebrecht – qual a “melhor maneira para [a empresa] fazer a doação [para o iFHC]”.

A secretária dá duas opções para o que ela chama de “doação”. Uma delas seria fazer uma doação direta, ou seja, depositar dinheiro na conta bancária do instituto. A outra seria a contratação de um serviço não especificado. “Não podemos citar que a prestação de serviço será uma palestra do presidente”, afirmou. Manuel respondeu que poderia fazer doação direta. Poucos dias depois, Helena Gasparian, então assessora de FHC, enviou outro e-mail à Braskem dizendo que o ex-presidente não iria comparecer ao evento.

A segunda imagem encaminhada por Pozzobon era de um laudo da Polícia Federal daquele mesmo ano, que mostrava que a Odebrecht havia feito pagamentos mensais que somaram R$ 975 mil ao iFHC entre dezembro de 2011 e de 2012.

Os policiais federais que fizeram o relatório explicaram que não foram atrás desses pagamentos ao iFHC porque os dados da Braskem não foram colocados à disposição deles. Mas ressaltaram: “É possível que outros pagamentos tenham sido feitos e não tenham sido encontrados” por causa das limitações dos dados ou caso tenham sido feitos por “meio de triangulação entre Grupo Odebrecht, o contratante do serviço (exemplo do evento Apla) e o Instituto Fernando Henrique Cardoso”.

Após enviar as imagens, Pozzobon sugeriu ao grupo aprofundar a investigação sobre as doações. Ao contrário da investigação referente aos recursos recebidos nos anos 90, esses fatos, se investigados, não estariam prescritos e poderiam apontar caixa 2 em campanhas do PSDB. Os procuradores reagiram com empolgação:

A euforia durou pouco, e os procuradores começaram a ponderar que o caso teria chance de ser enquadrado apenas como crime tributário – e que os argumentos de defesa de FHC poderiam também ser usados por Lula. O argumento: Lula também poderia alegar que os pagamentos feitos ao Instituto Lula e à LILS, sua empresa de palestras, não escondiam propinas ou caixa 2.

Quase um ano e meio depois dessa conversa, o fim do sigilo da delação de Marcelo Odebrecht, filho de Emílio, mostraria que o esquema de remessa de dinheiro aos institutos de FHC e de Lula tinha um modus operandi semelhante. A Fundação FHC – ex iFHC – disse ao Intercept que os valores recebidos foram regularmente contabilizados e que “não tem conhecimento de qualquer investigação ou denúncia do MPF tendo por base as doações feitas pela Odebrecht”.

Na época em que foi citado na delação de Emílio Odebrecht, Fernando Henrique Cardoso disse que não tinha “nada a temer” e defendeu a operação Lava-Jato. Foto: Mauricio Lima/AFP.

“DARÁ MAIS ARGUMENTOS PELA IMPARCIALIDADE”
No ano seguinte às conversas do procuradores, em 2016, FHC ainda apareceria em outras três delações (1, 2, 3). Em uma delas, ele apareceu na boca do operador ligado ao MDB Fernando Baiano, por causa do suposto beneficiamento da empresa de um filho do ex-presidente, Paulo Henrique Cardoso, em contratos com a petroleira. Em junho, o caso do filho de FHC foi mencionado no chat FT MPF Curitiba 3. A preocupação dos procuradores era, novamente, criar a percepção pública de imparcialidade da Lava-Jato:

Três dias depois, no mesmo grupo, o assunto voltou a ser discutido.

Nós perguntamos ao Ministério Público Federal do Paraná, sede da força-tarefa da Lava-Jato, quais são os ex-presidentes investigados e em que fase está cada um dos procedimentos. Também questionamos quais fatos envolvendo os ex-presidentes foram mandados para outros órgãos. Eles não responderam aos questionamentos e se limitaram a enviar as notas já divulgadas pela instituição, que dizem que não há ilegalidade nas trocas de mensagens reveladas pelo Intercept.

Em uma conversa com os procuradores Paulo Galvão e Carlos Fernando Santos Lima, em 20 de maio do ano passado, no entanto, Deltan Dallagnol relembrou quais foram os ex-presidentes investigados pela operação. Dilma Rousseff e FHC são os únicos que ficam de fora:

Antes da publicação desta reportagem, o Intercept procurou as assessorias do ministro Sérgio Moro, do MPF no Paraná e em São Paulo, da Procuradoria Geral da República e da Fundação Fernando Henrique Cardoso, antigo iFHC.

A PGR disse que não vai se manifestar.

A força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo informou que “não cuidou de caso relativo a Fernando Henrique Cardoso. Desdobramento oriundo da Operação Lava-Jato, relativo ao ex-presidente, veio para São Paulo junto com outros casos da “lista do Facchin” e foi distribuído para uma procuradora que não integra o grupo”. O órgão afirmou que está esperando resposta da procuradora responsável pelo caso, mas confirma que a única investigação envolvendo FHC é a que foi arquivada.

A assessoria de Moro respondeu que ele “não comenta supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa, que podem ter sido adulteradas e editadas e que sequer foram encaminhadas previamente para análise. Cabe esclarecer que o caso supostamente envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nunca passou pelas mãos do Ministro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, sendo encaminhado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal a outros fóruns de justiça. Então, nenhuma interferência do então juiz seria sequer possível e nenhuma foi de fato feita”.

Já o MPF do Paraná, em um segundo contato, afirmou que “a divulgação de supostos diálogos obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por um contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido.” Para o MPF, os diálogos inteiros podem ter sido “forjados pelo hacker”. Eles disseram também que “um hackeamento ilegal traz consigo dúvidas inafastáveis quanto à sua autenticidade, o que inevitavelmente também dará azo à divulgação de fake news”, dizendo que há uma “uma agenda político-partidária” nas reportagens.

O Intercept reafirma que as reportagens da série são publicadas assim que produzidas, editadas e checadas dentro de princípios editoriais rigorosos, e que o material é autêntico.

Na época em que foi citado na delação de Emílio Odebrecht, Fernando Henrique Cardoso disse que não tinha “nada a temer” e defendeu a operação Lava-Jato. “O Brasil precisa de transparência. A Lava-Jato está colaborando no sentido de colocar as cartas na mesa”, afirmou. Ao Intercept, o ex-presidente disse, por meio de sua assessoria, que não teve conhecimento de nenhum inquérito ou denúncia relacionados à delação de Cerveró. Também afirmou desconhecer as menções sobre seu filho e a compra de votos nas eleições – por isso, “não sabe se teriam resultado em investigação ou denúncia”. A única confirmada pelo ex-presidente foi a investigação que terminou arquivada.

Após a divulgação da primeira leva de reportagens sobre as mensagens secretas da Lava-Jato, FHC fez uma defesa pública de Moro: “O vazamento de mensagens entre juiz e promotor da Lava-Jato mais parece tempestade em copo d’água. A menos que haja novos vazamentos mais comprometedores…”, disse.

AS CONVERSAS NA ÍNTEGRA
Chat FT MPF Curitiba 2
17 de novembro de 2015

Roberson – 20:29:48 – Meus caros, o que acham de instaurarmos um PIC para investigar, no mesmo procedimento, pagamentos efetuados pelo Grupo Odebrecht (e outras cartelizadas) ao LULA (via LILS e INSTITUTO) e ao FHC (via Fundação iFHC)? Assim ninguém poderia indevidamente criticar nossa atuação como se tivesse vies partidário, poderíamos oficiar todas as empreiteiras contratantes, verificar padrões indevidos, etc.
Roberson – 20:30:32 – A da LILS vocês já sabem os indícios para a investigação, mas vejam essa fratura expostas da Fundação iFHC:
Roberson – 20:30:52 –

Roberson – 20:31:16

Roberson – 20:32:12 – Email da iFHC “GOSTARIA QUE VOCES VERIFICASSEM COM A BRASKEM QUAL A MELHOR MANEIRA PARA FAZER A DOAÇÃO. TEMOS AS SEGUINTES OPÇOES:
Roberson – 20:32:20 – DOAÇÃO DIRETA
Roberson – 20:32:51 – A ELABORAÇÃO DE UM CONTRATO, POREM NÃO PODEMOS DIZER QUE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SERÁ UMA PALESTRA DO PRESIDENTE
Roberson – 20:33:43 – E ai???? Querem mais baton na cueca?
Paulo Galvão – 20:35:08 – porra bomba isso
Roberson – 20:35:20 – Pois é!!!
Roberson – 20:35:39 – O que acha da ideia do PIC?
Roberson – 20:35:47 – Vai ser massa!
Paulo Galvão – 20:35:51 – Acho excelente sim Robinho
Roberson – 20:36:47 – Legal! Se os demais tb estiverem de acordo, faço a portaria amanha cedo
Roberson – 20:38:08 – Acho que vale até uma BA na Secretaria da iFHC que mandou o email. Ela é secretária da Presidencia!
Laura Tessler – 20:38:36 – Sensacional esse email!!!!
Roberson – 20:38:48 – Mais, talvez pudessemos cumprir BA nos três concomitantemente: LILS, Instituto Lula e iFHC
Paulo Galvão – 20:39:04 – De quando é esse email?
Roberson – 20:39:12 – Uma prova reforça a outra
Paulo Galvão – 20:39:24 – Questão é, FHC estamos investigando crime tributário apenas?
Roberson – 20:39:28 – Outubro de 2014!!!!!!!!!!!!!
Roberson – 20:39:52 – Provavelmente por isso a mençao de que não poderia ser palestra do FHC
Paulo Galvão – 20:39:52 – Vamos pedir a fiscal, ver se o dinheiro saiu para alguma campanha
Paulo Galvão – 20:40:16 – Pq se ficou lá e só crime tributário? Ou teria que achar uma obra do psdb para dizer que é propina
Roberson – 20:41:52 – Sim, esse aprofundamento é essencial
Paulo Galvão – 20:42:28 – Mas a ideia é excelente. Despolitizar
Paulo Galvão – 20:42:40 – Se bem q vc votou na Dilma hahaha
Roberson – 20:43:48 – MPF hahaha
Diogo – 21:44:28 – Mas será q não será argumento pra defesa da lils dizendo q eh a prova q não era corrupção?
Welter Prr – 21:51:24 – [áudio acidental]
Roberson – 22:07:24 – Pensei nisso tb. Temos que ter um bom indício de corrupção do fhc/psdb antes
Dallagnol – 22:14:24 – Claro
Dallagnol – 22:18:00 – Será pior fazer PIC, BA e depois denunciar só PT por não haver prova. Doação sem vinculação a contrato, para influência futura, é aquilo em Que consiste TODA doação eleitoral

Chat FT MPF Curitiba 3
3 de junho de 2016
Dallagnol – 09:54:59
– Viram do filho do FHC?
Dallagnol – 09:55:01http://pgr.clipclipping.com.br/impresso/ ler/noticia/6092614/cliente/19
Dallagnol – 09:56:20 – Creio que vale apurar com o argumento de que pode ter recebido benefícios mais recentemente, inclusive com outros contratos … Dará mais argumentos pela imparcialidade… Esses termos já chegaram, Paulo? Esse já tem grupo?
Paulo Galvão – 10:00:38 – Chegaram vários do Cervero, mas não sei se esse especificamente desceu
Paulo Galvão – 10:00:59 – Nos temos de qq forma todos os depoimentos na pasta
Dallagnol – 10:24:20 – Algum grupo se voluntaria? Eu acho o caso bacanissimo, pelo valor histórico. E recebendo naquela época pode ter lavagem mais recente pela conversão de ativos ou outro método como compra subfaturada de imóvel o que é mto comum…. Seria algo para analisar
Paulo Galvão – 10:26:33 – Deixa ver antes se desceu. Pode ter sido mandado p outro lugar, como os que foram p o rio (e isso é um dos temas q eu quero tratar na reunião)
P.N.I. – 11:06:56http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias /2016/06/03/deputado-do-conselho-de-etica-pagou-r-92-mil-a-empresa-ligada-a-filha-de-cunha.htm
P.N.I. – 11:07:52 – Castor. Esse fato já era do nosso conhecimento? Ele tem alguma relevância?
Diogo – 11:09:52 – pra denúncia nao pq ela se restringe aos gastos do cartão de crédito com dinheiro da conta secreta do exterior.
Diogo – 11:10:03 – contudo, é fato relevante para continuidade das investigações
Diogo – 11:10:13 – mormente se este serviço nao foi prestado
Dallagnol – 14:23:53http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1777768-secretaria-de-temer -integrou-articulacao-criminosa-diz-pgr.shtml?mobile
Dallagnol – 17:03:07SUPRIMIDO
Paulo Galvão – 17:52:53 – divisão de tarefas atualizada na pasta: L:\CRIME\Deltan\FT-procuradores\COORDENACAO\Divisao de tarefas
Paulo Galvão – 17:57:32 – lá tem uma versão sem as novas frentes, que estou passando p toda a assessoria
P.N.I. – 17:57:32 – lá tem uma versão sem as novas frentes, que estou passando p toda a assessoria
P.N.I. – 18:10:15 – Pelo que entendi da mensagem do moro, ele tornou sem efeito a requisição do Mauat.
Welter Prr – 18:22:06 – Da lei Rounet?
Welter Prr – 18:22:15 – Rouanet?
Paulo Galvão – 18:43:06 – quem tem pendências com Bsb, por favor me encaminhe a relação inbox p eu atualizar a nossa lista de demandas semana que vem
Paulo Galvão –18:43:23 – Eles deram abertura para a gente minutar a petição de desmembramento do Pedro Correa por aqui
Paulo Galvão – 19:24:38http://www.correiobraziliense.com.br/app /noticia/politica/2016/06/03/internas_polbraeco,534870/moro-barra-ofensiva-da-pf-sobre-os-100-maiores-da-lei-rouanet.shtml
Athayde – 19:45:03 – [imagem não encontrada]
Orlando SP – 19:50:00 –
Realmente, light
Dallagnol – 21:42:18 – Caros, há uma programação de que sub vai represetnar a lava jato no STJ até dezembro. O problema está em dezembro… será aSUPRIMIDO
Dallagnol – 21:42:28ANEXO SUPRIMIDO
Dallagnol – 21:42:35 – bom termos essa pauta do subs do stj
P.N.I. – 21:59:01 – Mestre, tudo bem? Vc acha que consegue me ajudar com isso? Abração! http://istoe.com.br/o-acerto-de-r-12-milhoes/ O acerto de R$ 12 milhões Em acordo de delação, Marcelo Odebrecht revela que a presidente Dilma cobrou pessoalmente doação de campanha para pagar via caixa 2 o marqueteiro João Santana e o PMDB em 2014
P.N.I. – 22:05:34SUPRIMIDO
P.N.I. – 22:05:48 – Disse que não há nada disso.
P.N.I. – 22:06:33 – Mas aqui sinto cheiro do Mauat, que se tornou amiguinho do MO.
Dallagnol – 23:00:04 – [imagem não encontrada]

4 de junho de 2016
Isabel Groba – 07:39:57
– Alguém vai hoje ou amanhã na FT? Eu precisava que fosse ligado o computador que eu uso para fazer acesso remoto.
P.N.I. – 08:29:53 – “Queda a jato Há ministros caindo por causa da Lava-Jato. Mas tem um que deverá cair nas próximas horas por causa de um jato. Isto mesmo: um jato. Trata-se de Fábio Osório, advogado-geral da União, que provocou um fuzuê ao tentar embarcar esta semana para Curitiba, na Base Aérea. Negado o pedido, Osório deu uma carteirada nos oficiais da Aeronáutica, dizendo ter status de ministro de Estado. A confusão chegou ao gabinete do presidente. Para complicar ainda mais a situação de Osório, Temer descobriu que Toffoli só revogou a sua decisão de demitir o presidente da EBC nomeado por Dilma porque o advogado-geral da União, que deveria fazer a defesa do governo, estava nessa fatídica viagem a Curitiba. Agora, até o padrinho do advogado, o ministro Eliseu Padilha, está pedindo sua cabeça ao presidente.”
Jerusa Viecilli – 08:37:58
P.N.I. – 08:47:50http://m.oantagonista.com/posts/13-governadores-e-36-senadores
P.N.I. – 08:48:18 – A informação é bem precisa
Welter Prr – 08:50:24 – Alguém está de sacanagem. A questão do vazamento vai ter que ser preliminar na reunião de segunda
Paulo Galvão – 11:50:19http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/congresso/ mpf-pede-medidas-duras-contra-renan-juca-sarney-e-cunha/
Athayde – 11:55:34 – A regra hj sao os vazamentos…
Dallagnol – 12:05:44http://m.gaucha.com.br/noticia-aberta/ministro-da-agu -nega-saida-e-diz-que-sofre-retaliacoes-no-governo-168328.html
P.N.I. – 12:43:58http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/mpf- alerta-projetos-de-lei-sao-a-nova-estrategia-para-abafar-a-lava-jato-aqiei02udtdk1rqjjpr3souvw
Welter Prr – 14:15:19ANEXO SUPRIMIDO
Welter Prr – 14:39:37 – O Globo: Temer decide demitir chefe da Advocacia-Geral da União http://glo.bo/1TOW9PJ
Welter Prr – 14:40:07 – Ministerio de breves
Jerusa Viecilli – 14:40:29
Jerusa Viecilli – 14:40:39 – Teu amigao, Welter! Hehehe
Welter Prr – 14:41:02 – Bah
Welter Prr – 14:41:25 – Amigao e tanto
Welter Prr – 14:43:03 – Ele se mostrou rápido demais
Dallagnol – 14:49:00 – Onde isso?
Dallagnol – 14:49:10
Welter Prr – 14:52:03 – Na AGU
Dallagnol – 16:31:25 – Caracaxá
Dallagnol – 20:54:51http://m.oantagonista.com/posts/a-verdadeira-briga-do-agu
Dallagnol – 20:55:28 – Dizendo que Fabio veio a CWB falar com a FT-LJ… Houve algo relacionado a ele ou com a AGU nessa semana?
Dallagnol – 20:57:03 – O julgamento da apelação da OAS não era para ter sido na última quarta!
Dallagnol – 20:57:04 – ?
P.N.I. – 20:58:46 – Próxima
Roberson – 21:05:05 – Ele estava na cerimônia do prêmio da Ajufe e conversou conosco
Jerusa Viecilli – 21:06:16 – Comigo não!!!
Roberson – 22:20:11 – Kkkkk É vero! A Je ficou só fuzilando ele com os olhos. Acho, inclusive, que foi o princípio da queda
Dallagnol – 22:28:32http://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do- estadao/aumento-do-judiciario-contraria-novo-lider/

5 de junho de 2016
Jerusa Viecilli – 08:54:32
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br /2016/06/05/moro-proferiu-105-condenacoes-stf-nenhuma/
Athayde – 09:58:49http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1778355-medo-de-grampos-leva-politicos-a-esconder-celulares-e-tirar-ternos.shtml
Laura Tessler – 10:08:26http://m.economia.estadao.com.br/noticias/ geral,arrastada-pela-lava-jato-odebrecht-demite-50-mil-e-ve-divida-ir-a-r-110-bi,10000055278
Dallagnol – 11:56:05 – Um dos assuntos mais comentados do tt
Dallagnol – 11:56:07http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1778352- para-pf-gravacao-mostra-lider-tucano-sergio-guerra-sabotando-cpi.shtml
Dallagnol – 14:27:12 – Curitiba promete dias curitibanos
Dallagnol – 14:27:17 – [imagem não encontrada]
Dallagnol – 14:28:02 – Aeroporto fechado agora
Dallagnol – 14:28:18 – Quem aposta que amanhã vamos e não vamos a BSB? rs
Dallagnol – 14:47:02 – Pessoal da Brigada está preocupado com a notícia de que a série da PF dirá que “a PF que investiga”. A nota fala do juiz é da PF, ignorando MP:
Dallagnol – 14:47:12 – [imagem não encontrada]
Dallagnol – 15:08:34SUPRIMIDO
Orlando SP – 15:33:36SUPRIMIDO
Orlando SP – 15:34:07SUPRIMIDO
Orlando SP – 15:34:49SUPRIMIDO
Paulo Galvão – 16:03:45 – [imagem não encontrada]
Paulo Galvão – 16:04:00SUPRIMIDO
Julio Noronha – 20:28:07 – Falando de “mídia independente”:
Julio Noronha – 20:28:16 – [imagem não encontrada]
Julio Noronha – 20:28:17 – [imagem não encontrada]
Julio Noronha – 20:28:18 – [imagem não encontrada]
Julio Noronha – 20:28:18 – [imagem não encontrada]
Laura Tessler – 20:30:29 – aposto que é só coincidência!!!
Dallagnol – 21:11:07 – Que absurdo!! Isso valeria ACPs em outros locais…

6 de junho de 2016
Diogo – 00:49:28
SUPRIMIDO
Diogo – 00:50:13 – Ia ser engraçado pq este cara batia na lava jato. Mas como a lava jato começou a pegar o pmdb ele ia ter Q apoia lá
P.N.I. – 06:46:27http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1778556- preferida-para-chefiar-pf-delegada-e-elogiada-por-atuacao-na-lava-jato.shtml
Dallagnol – 07:07:00 – Que tal a FTLJ fazer uma moção de apoio a ela como capacitada etc para ser DG, sem mencionar lista triplice?
Orlando SP – 07:20:31 – Aí dá para fazer, inclusive podendo expressamente falar q independentemente de lista, a SUPRIMIDO é um nome excelente pará tal cargo.
Orlando SP – 08:17:31 – De outro lado, deve haver uma dúzia aguardando para ser o escolhido, q ficarão bem contrariados. Temer não cometerá este erro primário de colocar alguém desvinculado do MJ e dele próprio na PF. Ele não é amador
P.N.I. – 10:52:46 – Creio que cada um no seu quadrado. Gosto daSUPRIMIDO, mas me sinto entrando em discussão de uma questão que vai além da simples simpatia. Pode ser um passo maior que a perna por parte dela. Além disso é um assunto de outra corporação.
P.N.I. – 10:52:52http://mobile.nytimes.com/2016/06/06/opinion/ brazils-gold-medal-for-corruption.html?referer=https://www.google.com.br/
Paulo Galvão – 11:41:26 – 304396.odt
Paulo Galvão – 11:41:46 – Segue petição de desmembramento do acordo do Cerveró – deixo p o grupo responsável analisar
Paulo Galvão – 11:42:39 – Mas vejo que, sobre o filho do FHC, é um termo que ficou no STF por conta do Delcídio e teria vindo para cá por cópia. É o mesmo termo que trata da GE, lembrando que a GE protocolou petição querendo colaborar e está fazendo investigação interna
Dallagnol – 12:04:38 – se veio pra cá, é nosso
Dallagnol – 12:04:40 – se veio pra cá com cópia, é nosso
Dallagnol – 12:04:46 – se pensaram em mandar pra cá, é nosso tb

Deltan Dallagnol e Sérgio Moro
13 de abril de 2017
Moro – 09:07:39
– Tem alguma coisa mesmo seria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco?
Moro – 09:08:18 – Caixa 2 de 96?
Dallagnol – 10:50:42 – Em pp sim, o que tem é mto fraco
Moro – 11:35:19 – Não estaria mais do que prescrito?
Dallagnol – 13:26:42 – Foi enviado pra SP sem se analisar prescrição
Dallagnol – 13:27:27 – Suponho que de propósito. Talvez para passar recado de imparcialidade
Moro – 13:52:51 – Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante

Chat Conexão BSB-CWB
13 de abril de 2017
Dallagnol – 11:42:54
– Caros o fato do FHC é só caixa 2 de 96? Não tá prescrito? Teve inquérito?
Sérgio Bruno Mpdft – 11:51:25 – Mandado pra SP
Sérgio Bruno Mpdft – 11:51:44 – Não analisamos prescrição
Dallagnol – 13:26:11

Deltan Dallagnol, Paulo Galvão e Carlos Fernando Santos Lima
20 de maio de 2018
Dallagnol – 01:46:42
– CF, só tem 2 (ex) presidentes presos: Lula e Humala no peru
Dallagnol – 01:48:12 – Opa o Jorge Glas no equador tb
Dallagnol – 01:48:38 – No BR, vou considerar como investigados Temer, Collor, Sarey e Lula
Dallagnol – 01:49:07 – (excluindo Dilma e FHC – não lembro de investigações sobre eles fora o que tá bem sigiloso da dilma, sem conclusão)
Dallagnol – 01:49:55 – Tem um quarto com prisão decretada, mas foragido, o Maurício Funes, de El Salvador
Dallagnol – 01:53:59 – segue artigo com atualiação dos números de presientes investigados e presos. Faltam estados do BR, que terei na segunda
Dallagnol – 01:54:08 – Quem pode olhar o artigo agora?
Dallagnol – 01:54:21ANEXO SUPRIMIDO
Dallagnol – 01:54:49 – CF, como PG viu depois de Vc, olha Vc o artigo agora e veja se está OK. Se não, faça alterações e passa pro Paulo. Seria bom se pudermos fechar na segunda.

21 de maio de 2018
Santos Lima – 12:58:22
– Fiz algumas substituições. Secretary of state é um dos ministérios. A palavra para ministério é cabinet. A FGV é uma think tank (ela mesma assim se coloca). “other ilicits é fraco, coloquei white collar and electoral crimes,
Santos Lima – 12:59:03 – Algumas frases soltas eu coloquei entre vírgulas. Ficou grande, mas creio que ficou mais readable.
Santos Lima – 12:59:25ANEXO SUPRIMIDO
Santos Lima – 13:01:48 – Tirei future na última frase e coloquei a brazilian progressive era para fechar com o começo.

22 de maio de 2018
Dallagnol – 10:28:04 – Vejo hoje

***

Intercept/Folha – 23/6/2019
LAVA-JATO ARTICULOU APOIO A MORO DIANTE DE TENSÃO COM STF

***

Intercept/Veja – 28/6/2019
AS “TESTEMUNHAS” QUE PUSERAM EM XEQUE A IMPARCIALIDADE DE SÉRGIO MORO

***

* Atualizado em 29/6/2019

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, participa da cerimônia de entrega do Selo Nacional de Responsabilidade Social pelo Trabalho no Sistema Prisional. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

PARTE 8
“MORO VIOLA SEMPRE O SISTEMA ACUSATÓRIO”

Chats da Lava-Jato revelam que procuradores reclamavam de violações éticas de Moro e temiam que operação perdesse toda credibilidade com sua ida ao governo Bolsonaro. Às vésperas de Moro aceitar convite para o Ministério da Justiça, procuradores do MPF discutiam como ingresso do juiz na política podia legitimar críticas à Lava-Jato.
Glenn Greenwald, Rafael Moro Martins, Leandro Demori e Victor Pougy, via The Intercept Brasil em 29/6/2019

Procuradores do Ministério Público Federal, em mensagens privadas trocadas em grupos com integrantes da Lava-Jato, criticaram Sérgio Moro duramente pelo que consideraram uma agenda pessoal e política do juiz. Eles foram além no decorrer e logo depois da campanha eleitoral de 2018: para os procuradores, Moro infringia sistematicamente os limites da magistratura para alcançar o que queria.

“Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”, disse a procuradora Monique Cheker em 1º de novembro, uma hora antes de o ex-juiz anunciar ter aceito o convite de Jair Bolsonaro para se tornar ministro da Justiça. Integrantes da força-tarefa da Lava-Jato lamentavam que, ao aceitar o cargo (algo que ele havia prometido jamais fazer), Moro colocou em eterna dúvida a legitimidade e o legado da operação. Os óbvios questionamentos éticos envolvidos na ida do juiz ao ministério poderiam, afinal, dar maior credibilidade às alegações de que a Lava-Jato teria motivações políticas.

Uma vez que o alinhamento de Moro com o bolsonarismo se tornou claro, até os maiores apoiadores do ex-juiz dentro da Lava-Jato passaram a expressar um descontentamento antigo com as transgressões dele. Mesmo o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol (que sempre defendeu Moro), e o decano do grupo, Carlos Fernando dos Santos Lima, íntimo do então juiz, confessaram preferir que ele não aderisse ao governo

Um dia antes do anúncio de Moro, em 31 de outubro, quando circulavam fortes boatos de que Moro participaria do governo Bolsonaro, a procuradora Jerusa Viecili, integrante da força-tarefa em Curitiba, escreveu no grupo Filhos do Januario 3: “Acho péssimo. Só dá ênfase às alegações de parcialidade e partidarismo.”

A procuradora Laura Tessler, também da força-tarefa, concordou com a avaliação: “Tb acho péssimo. MJ nem pensar… além de ele não ter poder para fazer mudanças positivas, vai queimar a LJ. Já tem gente falando que isso mostraria a parcialidade dele ao julgar o PT. E o discurso vai pegar. Péssimo. E Bozo é muito malvisto… se juntar a ele vai queimar o Moro.” Viecili completou: “E queimando o moro queima a LJ”. Outro procurador da operação, Antônio Carlos Welter, enfatizou que a postura de Moro era “incompatível com a de Juiz”:

No dia seguinte, 1º de novembro, quando ficou claro que Moro seria anunciado como ministro da Justiça, outros procuradores do MPF não envolvidos com a Lava-Jato aderiram ao coro. Conversando no grupo BD, do qual faziam parte procuradores de vários estados, eles dispararam duras críticas ao ex-juiz:

É particularmente significativo que procuradores tenham chamado algumas absolvições de Moro de “tabelinhas” – destinadas a criar uma falsa percepção de imparcialidade –, já que as absolvições haviam sido citadas pelo ex-juiz e por Deltan Dallagnol justamente para refutar acusações de que Moro era o verdadeiro chefe dos procuradores.

Quando Moro foi finalmente confirmado como ministro da Justiça, o procurador Sérgio Luiz Pinel Dias, que atua na Lava-Jato no Rio de Janeiro, digitou no grupo MPF GILMAR MENDES que, daquele momento em diante, seria muito difícil “afastar a imagem de que a LJ integrou o governo de Bolsonaro”:

A procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, da Lava-Jato em Curitiba, opinou no grupo Filhos do Januario 3: “É realmente péssimo. O nome da LJ não pode ser conspurcado.”

“ERRO CRASSO”
As críticas a Moro vinham se acumulando desde muito antes do anúncio oficial de que ele seria empregado de um presidente de trajetória marcada por apologia à tortura, à ditadura e a declarações misóginas e homofóbicas. A três dias do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, os procuradores Jerusa Viecili e Paulo Roberto Galvão lamentaram que Moro e que a própria força-tarefa passassem a impressão de favorecer a candidatura de Bolsonaro.

Galvão se mostrava especialmente preocupado com o silêncio da força-tarefa em relação às declarações do político contra a liberdade de imprensa e ao seu desprezo pelo devido processo legal. Essas posições eram criticadas pela Lava-Jato quando verbalizadas por outros políticos. Galvão se incomodava também com o silêncio dos colegas frente aos ataques dirigidos contra os protestos anti-Bolsonaro que ocorriam em universidades, assim como Jerusa Viecili:

Três horas depois, o procurador Paulo Roberto Galvão disse no mesmo grupo: “Pessoal, nós somos procuradores da República. Cumprimos a nossa função no combate à corrupção, e não poderíamos ter feito diferente, ainda que soubéssemos que daí poderia advir um eleito antidemocrático (e sabíamos pois estudamos e conhecíamos o risco Berlusconi)”. Para ele, a força-tarefa não poderia ser acusada de ter tentando influenciar as eleições presidenciais, porque só fez o seu trabalho. “Infelizmente, Moro indiretamente e Carlos Fernando diretamente erraram ao deixar transparecer preferência (o primeiro) ou dizer abertamente de sua preferência (o segundo)”, ponderou.

Um dia depois, Jerusa Viecili insistiu no assunto: “Já desvirtuam o que falamos contra a corrupção ser a favor do Bolsonaro. 😊 mas não vou mais insistir. o fato é que a FT sempre comentou tudo (desde busca e apreensão em favela, lei de abuso de autoridade, anistia, indulto, panelinha, etc. …) e agora não comenta independencia do MP, liberdade de imprensa e BA em universidade”.

Sérgio Moro sai de encontro com Jair Bolsonaro no dia 1º de novembro de 2018 na casa do recém-eleito presidente, no Rio de Janeiro. Fotos: Mauro Pimentel/AFP.

MORO ASSUME, AS RECLAMAÇÕES AUMENTAM
Na noite do segundo turno, antes de ser anunciado o resultado, procuradores da Lava-Jato e outros membros do MPF se mostraram irritados no grupo BD com a esposa de Moro. Mesmo depois de o ex-juiz já ter “cumpriment[ado] o eleito”, Rosângela comemorou explicitamente a vitória de Bolsonaro em suas redes sociais:

Confirmada a vitória de Bolsonaro, o procurador Luiz Fernando Lessa ironizou a ânsia de Moro em fazer parte do governo. Ainda no grupo BD, ele se dirigiu ao então presidente da Associação Nacional de Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti: “Robalinho, já tem lugar na posse, do lado do Mourão? Com as tuas medalhas?”

As críticas à parcialidade e ao partidarismo do juiz foram se intensificando à medida que a especulação acerca de um cargo para Moro no governo Bolsonaro aumentava. Comentando uma postagem do site O Antagonista, que tratava de uma suposta intenção de Bolsonaro de nomear Moro ao STF e integrar a força-tarefa ao governo sob um “conselhão” a ser presidido por Deltan Dallagnol, o procurador Paulo Galvão reclamou no grupo Filhos do Januario 3: “impressionante como toda vez que moro fala fora dos autos fala bobagem.” Quando Laura Tessler respondeu com uma defesa moderada de Moro (“Ele quis estancar os boatos, mas sem fechar as portas”), Jerusa Viecili respondeu: “o ‘sem fechar as portas’ é que é perigoso para um juiz.”

No dia 31 de outubro, véspera do anúncio, a preocupação dos procuradores deu lugar à raiva e até pânico quando foi postado no grupo Winter is Coming um artigo de O Globo com a notícia que Moro viajaria ao Rio de Janeiro para um encontro com Bolsonaro na casa do presidente recém-eleito. Enquanto o sempre leal Deltan defendia Moro sozinho, os outros procuradores manifestavam sua indignação:

Às 9h36, Ascari completaria, no mesmo grupo: “Se Moro topar ser MJ, para mim será a sinalização de estar de olho na próxima campanha presidencial.”

Simultaneamente, o assunto mobilizava o grupo Filhos do Januario 3.

À medida que apareciam na imprensa as notícias de que Moro estava negociando com Bolsonaro um superministério com poderes expandidos, o procurador Ângelo Augusto Costa chamou a atenção do grupo BD para o precedente perigoso que estava sendo criado: “Não eh muita coisa? Acho que o próprio Bolsonaro vai ficar com medo. Rs. Isso sem falar de quem vem depois. Moro, ok, mas nada eh eterno. Esse super MJ pode virar uma máquina de perseguição política.”

Mesmo os poucos defensores que o juiz ainda tinha passaram a admitir o que era antes impensável assim que a notícia de que ele havia aceitado o ministério se espalhou: as constantes reclamações do PT – de perseguição por parte da Lava-Jato e de partidarismo e motivação política por parte de Moro – ganhariam credibilidade, e que todo o trabalho da Lava-Jato seria contaminado pela aventura política de Moro:

Minutos depois, os procuradores do grupo BD começaram a se preocupar em como a nomeação de Moro serviria de munição para o PT contra a Lava-Jato. “Acho que o PT deve estar em festa agora, para justificar todo o discurso deles”, escreveu Alan Mansur. Peterson de Paula Pereira, procurador da República no Distrito Federal, disse que a decisão de Moro mostrava como ele atuava contra o ex-presidente Lula: “Fica claro que ele tinha Lula como troféu”. Para Monique Cheker, o movimento do ex-juiz passava uma imagem de que ele estava fazendo uma “escadinha” política com a Lava-Jato:

Em 6 de novembro, dias depois de Moro ter aceitado o convite, mesmo Deltan Dallagnol, o procurador mais leal a Moro, confessou estar preocupado com os danos causados à reputação e à credibilidade do trabalho realizado por cinco anos pela operação Lava-Jato. Ele e a procuradora Janice Ascari concordaram em uma conversa entre os dois que a conduta de Moro gerava “uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão”. Mesmo assim, os dois continuariam a defendê-lo.

Num outro grupo integrado por procuradores e assessores de imprensa da força-tarefa no Paraná, um dos jornalistas revela que Carlos Fernando dos Santos Lima “torcia” para que Moro recusasse o convite do presidente de extrema-direita: “CF mesmo, disse estar torcendo pra ele não aceitar”. “Creio que o que eu tinha para falar, já está falado. Agora é rezar para que ele não aceite”, prosseguiu Santos Lima, de acordo com o relato de seu assessor.

Em resposta a nossos contatos, o porta-voz da força-tarefa da Lava-Jato enviou o que já se tornou sua resposta padrão, evitando qualquer comentário sobre o conteúdo da reportagem e preferindo insinuar falsa e levianamente que as conversas podem não ser autênticas: “O trecho do material enviado à Força-Tarefa não permite constatar o contexto e a veracidade do conteúdo. Autoridades públicas foram alvo de ataque hacker criminoso, o que torna impossível aferir se houve edições no material alegadamente obtido. A Lava-Jato é sustentada com base em provas robustas e em denúncias consistentes, analisadas e validadas por diferentes instâncias do Judiciário. Os integrantes da Força-Tarefa pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade.”

A procuradora Monique Cheker disse que “não tem registro da mensagem enviada e, portanto, não reconhece a suposta manifestação”. “A procuradora ainda afirma que são públicas e notórias as incontáveis manifestações de apoio à operação Lava-Jato e ao então juiz Sérgio Moro”, acrescentou sua assessoria. O procurador regional da República Luiz Fernando Lessa esclareceu que, desde recentes ataques ao Telegram, não possui mais o aplicativo nem as mensagens trocadas por meio dele, de modo que não reconhece as mensagens. Demais procuradores que não fazem parte da força-tarefa foram procurados e não responderam até a publicação deste texto. Eventuais comentários serão publicados se forem enviados ao Intercept.

O Intercept publicou a primeira reportagem sobre a #VazaJato há menos de três semanas. Desde então, o trabalho jornalístico realizado pelo Intercept – bem como pela Folha de S.Paulo e pelo jornalista Reinaldo Azevedo, da BandNews – demonstrou de forma clara que Sérgio Moro violou repetidamente as normas éticas da magistratura, não exercendo seu poder judicial “pautado pela ética e pela legalidade”, mas cometendo diversos desvios éticos e atropelando os procedimentos legais.

Ao passo que essas revelações chocaram boa parte dos brasileiros, a imagem que emerge das conversas é que, entre os procuradores, o comportamento antiético e politizado de Moro já era há muito conhecido. Quando ficou claro que os desvios de Moro poderiam causar prejuízos ao trabalho da força-tarefa, os procuradores passar a expressar suas críticas – ao menos quando pensavam estar falando de forma privada – de forma bastante clara, sincera e raivosa.

Intercept/Folha – 29/6/2019
Lava-Jato forçou Léo Pinheiro da OAS a dizer exatamente o que precisavam para condenar Lula

Intercept/Veja – 5/7/2019
Novos diálogos revelam que Moro orientava ilegalmente ações da Lava-Jato

Intercept/Folha – 7/7/2019
Lava-Jato e Moro atuaram para expor dados sigilosos sobre Venezuela

* Atualizado em 7/7/2019

“Talvez seja o caso de tornar pública a delação dá Odebrecht sobre propinas na Venezuela. Isso está aqui ou na PGR?”, sugeriu Moro ao coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba Deltan Dallagnol às 14h35 do dia 5 de agosto de 2017. Foto: Nelson Almeida/AFP.

PARTE 9
“CARAAAAACA”: LAVA-JATO TRAMOU VAZAMENTO DE DELAÇÃO PARA INTERFERIR NA POLÍTICA DA VENEZUELA APÓS SUGESTÃO DE SÉRGIO MORO

A principal motivação era política. Os procuradores sabiam que teriam que agir às escondidas. “Naõ dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontãnea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público”, escreveu Deltan Dallagnol.
Leandro Demori, Andrew Fishman e Amanda Audi, via The Intercept Brasil em 7/7/2019

Procuradores da Lava-Jato se articularam para vazar informações sigilosas da delação da Odebrecht para a oposição venezuelana após uma sugestão do então juiz Sérgio Moro. As conversas privadas pelo aplicativo Telegram em agosto de 2017 indicam que a principal motivação para o vazamento era política, e não jurídica, e que os procuradores sabiam que teriam que agir nas sombras. “Talvez seja o caso de tornar pública a delação dá Odebrecht sobre propinas na Venezuela. Isso está aqui ou na PGR?”, sugeriu Moro ao coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba Deltan Dallagnol às 14h35 do dia 5 de agosto.

Deltan respondeu mais tarde, explicando como eles poderiam fazer a operação: “Naõ dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontãnea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público”. Antes, Deltan já havia dito a Moro, em meio a uma conversa sobre os vazamentos: “Haverá críticas e um preço, mas vale pagar para expor e contribuir com os venezuelanos”.

Deltan respondia a mais uma das várias sugestões que o ex-juiz Moro deu a procuradores ao longo da Lava-Jato, atuando como coordenador de fato da força-tarefa, o que é ilegal.

A intenção de expor informações secretas comprometedoras contra o governo de Nicolas Maduro, agindo politicamente, o que não é papel do MPF, chegaria em um momento bastante tenso. Em julho daquele ano, os EUA tinham ameaçado Maduro com novas sanções se a Venezuela prosseguisse com a fundação de uma Assembleia Constituinte – uma nova entidade legislativa criada para fortalecer o governo e desmoralizar o Congresso, dominado pela oposição. Uma semana depois, Trump faria uma ameaça de ação militar pela primeira vez desde o começo das tensões entre Washington e Caracas, quando Hugo Chávez foi eleito presidente em 1999.

À época, o Brasil ainda mantinha relações normais com a Venezuela – o reconhecimento do governo paralelo de Juan Guaidó só aconteceria mais de um ano depois. A divulgação não autorizada de informações sigilosas por parte dos procuradores poderia caracterizar, em tese, o crime previsto no artigo 325 do Código Penal, que pune com até dois anos de prisão o agente público que “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”.

Com poucos interlocutores em Caracas, a Lava-Jato recorreu à ex-procuradora-geral Luísa Ortega Díaz, naquele momento já destituída de seu cargo por ser vista como uma ameaça a Maduro. Moro enviou mensagem a Deltan sugerindo a abertura das informações da Odebrecht no mesmo dia em que a Assembleia Constituinte venezuelana aprovou o afastamento de Ortega. Semanas antes, ela tinha feito denúncia ligada a corrupção da Odebrecht. Batia direto em Maduro.

“Imagina se ajuizamos e o maluco manda prender
todos os brasieliros no territorio venezuelano”.

Poucos dias depois de se auto-exilar no Brasil, Ortega se reuniu com a Procuradoria Geral da República brasileira. As mensagens obtidas pelo Intercept mostram agora o que ela desejava: cooperar com a Lava-Jato mesmo não tendo mais a atribuição de conduzir negociações. “Assistimos a um estupro institucional do Ministério Público venezuelano”, declarou o então procurador-geral Rodrigo Janot, ao recebê-la em Brasília. “Sem independência, o Ministério Público do nosso vizinho ao norte não tem mais condições de […] conduzir investigações criminais ou atuar em juízo com isenção”.

Fora dos holofotes, a força-tarefa discutia o assunto intensamente, debatendo inclusive o poder de mobilização que as informações teriam em uma Venezuela em crise profunda. “Vejam que uma guerra civil lá é possível e qq ação nossa pode levar a mais convulsão social e mais mortes”, ponderou o procurador Paulo Galvão. Colega dele, Athayde Ribeiro Costa também mostrou cautela: “Imagina se ajuizamos e o maluco manda prender todos os brasieliros no territorio venezuelano”.

Um dia depois, Deltan tentou amenizar o temor dos colegas. “PG, quanto ao risco, é algo que cabe aos cidadãos venezuelanos ponderarem. Eles têm o direito de se insurgir.”

As revelações, que publicamos em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, estão em um arquivo de documentos fornecidos exclusivamente ao Intercept por uma fonte anônima (leia nossa declaração editorial aqui) e fazem parte da série #VazaJato.

“VCS QUE QUERIAM LEAKAR AS COISAS DA VENEZUELA, TÁ AÍ O MOMENTO”
Depois de conversar com Moro no início da noite de 5 de agosto de 2017, Deltan foi debater a questão com os colegas do grupo Filhos do Januario 2. A conversa durou algumas horas até que, já perto do final da noite, os procuradores fecharam questão.

Pouco mais de duas horas depois, Deltan respondeu:

Na tarde do dia 28 de agosto, o procurador Orlando Martello mandou uma mensagem no grupo relatando uma conversa telefônica sua com Vladimir Aras. Então secretário de cooperação judicial internacional do Ministério Público, Aras dissera, no início de 2016, que não confiava em Ortega. “Temos bom contato com um ou dois ‘fiscales’ na Venezuela, mas a PGR lá não nos inspira confiança”, declarou no chat Acordo LMeirelles. Pelo teor da ligação com Orlando, Aras havia mudado de ideia, e Ortega passou a ser a ponte crucial para organizar a cooperação clandestina com o Ministério Público venezuelano.

Pelos chats, foi Aras quem organizou a acolhida de dois procuradores venezuelanos que vieram ao Brasil em segredo em meados de setembro para trabalhar nos documentos, ideia de Ortega. Dois procuradores de Curitiba ofereceram suas casas, enquanto Deltan pediu ajuda à Transparência Internacional para que a ONG financiasse a estadia deles no Brasil.

“Vcs que queriam leakar as coisas da Venezuela,
tá aí o momento. A mulher está no Brasil”.

Ortega chegou antes deles no Brasil, em 22 de agosto, duas semanas depois de a força-tarefa começar a se movimentar. “Vcs que queriam leakar as coisas da Venezuela, tá aí o momento. A mulher está no Brasil”, escreveu o procurador Paulo Galvão. Como se Galvão estivesse brincando, os colegas reagiram com ironias.

Semanas depois, já em outubro, Ortega publicou em seu site dois vídeos: eram trechos de depoimentos do ex-diretor da Odebrecht na Venezuela Euzenando Azevedo, nos quais ele admite ter repassado 35 milhões de dólares da empreiteira à campanha eleitoral de Maduro. Na delação, ele também admitiu ter pagado 15 milhões de dólares para a campanha do candidato da oposição, Henrique Capriles, fato que não foi incluído nos vídeos divulgados por Ortega.

Faltavam apenas cinco dias para as eleições dos governos estaduais quando a população venezuelana viu nas redes o ex-diretor da Odebrecht no país detalhando a corrupção no governo Maduro. Em uma notícia-crime protocolada pela Odebrecht, a empresa insinuou que o vazamento teria acontecida pela PGR. “Os vídeos dos relatos de todos os colaboradores da companhia, especialmente daqueles que abordam fatos ocorridos no exterior, encontram-se custodiados pela PGR, sendo que jamais foram oficialmente entregues aos colaboradores, aos seus causídicos ou a quem quer que seja”, disse a empresa.

Vídeo com depoimento de Euzenando Azevedo, ex-diretor da Odebrecht Venezuela. Em uma notícia-crime protocolada pela Odebrecht, a empresa insinuou que o vazamento teria acontecido pela PGR. Fotos: Reprodução/Luisa Ortega Díaz.

RISCO DE VIDA
Após o vazamento, Mauricio Bezerra, advogado da Odebrecht, mandou uma mensagem para o procurador Carlos Bruno Ferreira, da Secretaria de Cooperação Internacional da PGR, encaminhada ao grupo Filhos do Januario 2 pelo procurador Roberson Pozzobon. Nela, Bezerra reclama que o vazamento “aumentou significativamente o risco” para várias pessoas:

A Odebrecht chegou a apresentar uma notícia-crime no STF, insinuando fortemente que a Procuradoria Geral da República, entidade que chefia a Lava-Jato, teria vazado o vídeo. Segundo eles, apenas a PGR teve acesso à gravação. A PGR foi chamada a prestar esclarecimentos. Há um mês, a procuradora-geral Raquel Dodge informou que há um inquérito sigiloso na Justiça Federal em Brasília.

O risco de vida dos funcionários da Odebrecht, comentado pelo representante da empresa, era preocupação da própria Lava-Jato, mesmo antes dos procuradores debaterem os vazamentos. Em dezembro de 2016, o próprio Deltan se disse contra a divulgação daquelas informações, reconhecendo que eram potencialmente explosivas. “Eu estou preocupado com a transmissão de informação internacional”, escreveu em uma cartaem inglês que compartilhou com seus colegas pelo chat. A primeira justificativa que ele listou foi “para evitar o risco de vida para funcionários da Odebrecht em países como Angola e Venezuela, como os contratos ainda estão em andamento aí”.

“FHC veio conversar comigo no final e disse que é uma boa ideia”, teclou o diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, numa mensagem enviada a Deltan em outubro de 2017.

“FHC VEIO CONVERSAR COMIGO NO FINAL E DISSE QUE É UMA BOA IDEIA”
Quando Ortega teve acesso ao depoimento de Euzenando, Brasil e Venezuela tinham um termo de compromisso sobre a delação do ex-marqueteiro petista João Santana. O acordo não previa acesso dos venezuelanos à delação da Odebrecht, disse a Procuradoria Geral da República quando procurada pela reportagem da Folha.

Nos chats, fica clara a preocupação da Transparência Internacional com a situação cada vez mais crítica da Venezuela. A ONG passou a defender publicamente a abertura de um processo contra autoridades do país, e discutiu o assunto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante um evento realizado em sua fundação.

“FHC veio conversar comigo no final e disse que é uma boa ideia”, teclou o diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, numa mensagem enviada a Deltan em outubro de 2017.

Mas uma conversa entre procuradores do último dia 12 de abril revela que o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, decidiu que o caso venezuelano não deve ser tocado em Curitiba por não ter relação com a Petrobras.

“Estou com sérias dúvidas se podemos prosseguir aqui Cwb com o caso em razão do ‘reconhecimento da incompetência’ da 13VF”, escreveu Orlando Martello no chat Venezuela Dream. “Fachin reconheceu que nos fatos relatados por Euzenando , embora possa ter fatos relacionados ao setor de operação estruturadas (essa era a tese do mpf para manter os termos em Cwb), ele afastou a conexão pq não tem relação com a Petrobras.”

OUTRO LADO
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, não quis fazer comentários sobre o conteúdo das mensagens. Ele limitou-se a reafirmar posicionamento adotado nas últimas semanas, pondo em dúvida a autenticidade das mensagens obtidas pelo Intercept e sugerindo que elas podem ter sido adulteradas.

Como em outras vezes que falou sobre o assunto, Moro não nega ter dito o que aparece nos chats. “Mesmo se as supostas mensagens citadas na reportagem fossem autênticas, não revelariam qualquer ilegalidade ou conduta antiética, apenas reiterada violação da privacidade de agentes da lei com o objetivo de anular condenações criminais e impedir novas investigações.”

A força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba seguiu a mesma linha. “O material apresentado pela reportagem não permite verificar o contexto e a veracidade das mensagens”, afirmou sua assessoria.

A Procuradoria Geral da República afirmou que não se manifestará sobre o assunto, assim como a Odebrecht. A advogada Carla Domenico não quis comentar as citações ao ex-diretor da empresa Euzenando Azevedo, que coopera com a Lava-Jato e é seu cliente.

A Transparência Internacional afirmou defender medidas para aprimorar a cooperação jurídica internacional e ações das instituições brasileiras para responsabilizar autoridades estrangeiras envolvidas com esquemas de corrupção como os desvendados pela Lava-Jato.

“Além de consolidar sua liderança internacional no enfrentamento da corrupção, [o Brasil] pode estabelecer importante jurisprudência contra a impunidade em nações institucionalmente mais frágeis, incluindo ditaduras que se valem sistematicamente da corrupção para sua manutenção no poder”, disse a organização.

“O caso da Venezuela talvez seja um dos mais graves no contexto internacional da Lava-Jato, pois a reação do governo local contra os procuradores responsáveis pelas investigações dos crimes revelados pelos brasileiros foi tão extrema que resultou no exílio destas autoridades, com suas vidas e as de seus familiares ameaçadas”, acrescentou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não se lembrar das conversas.

“Naõ dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontãnea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público”. Antes, Deltan já havia dito a Moro, em meio a uma conversa sobre os vazamentos: “Haverá críticas e um preço, mas vale pagar para expor e contribuir com os venezuelanos”. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Intercept – 9/7/2019
PARTE 9
#VazaJato1Mês: EM ÁUDIO INÉDITO DOS ARQUIVOS DO INTERCEPT, DELTAN COMEMORA CENSURA A LULA

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Intercept/Veja – 13/7/2019
NOVOS DIÁLOGOS MOSTRAM QUE JOÃO PEDRO GEBRAN, DO TRF4, E DELTAN DISCUTIRAM PROVAS DA VAZA-JATO

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Intercept – 14/7/2019
PARTE 10

DELTAN LUCROU PELO MENOS R$400 MIL EM PALESTRAS E LIVROS USANDO A LAVA-JATO

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Intercept/Folha – 15/7/2019
AS ESTRATÉGIAS DE DELTAN, O SEDUTOR, E O JANTAR/COQUETEL NA CASA DE BARROSO

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Intercept/Folha – 18/7/2019
MENSAGENS APONTAM QUE MORO INTERFERIU EM NEGOCIAÇÃO DE DELAÇÕES

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Intercept – 21/7/2019
Parte 11
DALLAGNOL SUSPEITAVA QUE MORO NÃO INVESTIGARIA FLÁVIO BOLSONARO
“E agora, José?”: Deltan Dallagnol, em chats secretos, sugeriu que Sérgio Moro protegeria Flávio Bolsonaro para não desagradar ao presidente e não perder indicação ao STF
Procuradores concordaram não haver dúvidas de corrupção de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz, mas Dallagnol só queria comentar caso de petista.

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Intercept – 26/7/2019
Parte 12
DELTAN RECEBEU R$33 MIL POR PALESTRA DE EMPRESA INVESTIGADA PELA LAVA-JATO

“Isso é um pepino pra mim”: Deltan Dallagnol deu palestra remunerada para empresa investigada na Lava-Jato.
Coordenador da operação também fez aproximação entre representantes da firma e procuradores para emplacar produto da companhia em trabalhos da força-tarefa.

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Intercept/Veja – 26/7/2019
GLENN GREENWALD REVELA DIÁLOGO COM FONTE DE MENSAGENS VAZADAS

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Intercept – 26/7/2019
Parte 13
DELTAN FOI ESTRELA DE ENCONTRO SECRETO COM BANCOS ORGANIZADO PELA XP INVESTIMENTOS

“O risco tá bem pago rs”: Deltan foi estrela de encontro com bancos e investidores organizado pela XP “com compromisso de confidencialidade”.
Banqueiros de J.P. Morgan, Goldman Sachs e Deutsche Bank foram convidados para conversar com Deltan – e Fux – em eventos secretos

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Intercept/Folha – 26/7/2019
DELTAN E FUX FIZERAM REUNIÕES CLANDESTINAS COM BANQUEIROS. TEMA: “LJ E ELEIÇÕES”.

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Intercept – 29/7/2019
MORO ATUA PARA INCRIMINAR LULA EM DELAÇÃO DE PALOCCI

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Intercept – 1º/8/2019
Parte 14
DELTAN INCENTIVOU CERCO DA LAVA-JATO A TOFFOLI
“Consegue ainda o endereço do Toffoli?”: Deltan Dallagnol incentivou cerco da Lava-Jato ao ministro do STF Dias Toffoli.
Procurador incentivou colegas a investigar o ministro clandestinamente quando ele passou a ser visto como um adversário disposto a frear o avanço da operação.

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