13 episódios que provavelmente estão na #VazaJato

O GGN lista nesta publicação uma dezena de eventos da Lava-Jato, entre 2015 e 2018, que podem ter sido objeto de conversas entre os procuradores de Curitiba e o ex-juiz Sérgio Moro.

Post colaborativo publicado pelo Jornal GGN em 26/7/2019

Enquanto Intercept Brasil e veículos parceiros não divulgam novas informações que compõem o dossiê contra a Lava-Jato, o GGN lista abaixo 13 episódios que podem ter sido objeto de conversas entre os procuradores de Curitiba e o ex-juiz Sérgio Moro.

O leitor do GGN está convidado a participar da construção dessa publicação, deixando sugestões de eventos no box de comentários.

Vamos aos episódios:

1) Quando o TRF4 decidiu, em setembro de 2016, que a Lava-Jato tem caráter excepcional e não precisava seguir o ordenamento jurídico comum. O entendimento foi reafirmando em julgamento de recurso de Lula contra Moro, em 2017. Foi o primeiro grande sinal de apoio das instâncias superiores à operação desenhada em Curitiba, mesmo diante das reclamações de abusos.

2) Quando a defesa de Lula divulgou à imprensa, em junho de 2017, provas de que o triplex no Guarujá não poderia ser ocupado enquanto um depósito com valor correspondente não fosse feito à Caixa Econômica Federal Com isso, os advogados revelaram que o apartamento que Léo Pinheiro, da OAS, dizia que reservou para Lula foi, na verdade, dado como garantia a um banco.

3) Quando procuradores de Curitiba assediaram testemunhas para construir o caso do sítio de Atibaia. O Conjur fez uma matéria especial sobre isso em 2018, mas os fatos teriam acontecido em 2016.

4) Quando Toffoli criticou duramente o uso de prisões preventivas em operações midiáticas, dizendo que nem o Mensalão precisou abusar desse expediente. Decisão foi dada em junho de 2016, no âmbito da operação Custo Brasil, criada pelo Ministério Público Federal em São Paulo em dezembro de 2015, a partir de documentos apreendidos na 18ª fase da Lava-Jato, a Pixuleco 2.

5) Quando da derrota de Lula no STF o durante julgamento de um HC preventivo, e sua consequente prisão. A decisão é de 5 de abril de 2018. A defesa de Lula foi pega de surpresa, pois não esperava prisão a curto prazo. Glenn Greenwald já antecipou que, naquelas horas, os procuradores de Curitiba festejaram como se fosse Natal.

6) Quando da absolvição de Gleise Hoffmann no STF, em junho de 2018, por unanimidade. Ministros da segunda turma aproveitaram o julgamento para criticar duramente o uso exaustivo de delações sem prova pela Lava-Jato. Foi uma das maiores derrotas da operação e não teve grande repercussão na mídia.

7) Quando Lula foi absolvido em Brasília, em meados de julho de 2018, com o Ministério Público Federal apoiando a decisão por falta de provas da delação de Delcídio do Amaral. O senador cassado acusou Lula de arquitetar um plano para comprar o silêncio de Nestor Cerveró e obstruir investigações (coisa que ele mesmo fazia, aparentemente). O parecer do procurador Ivan Cláudio Marx é uma lição para a turma de Deltan Dallagnol.

8) Quando o STF limitou o uso das conduções coercitivas, um dos expedientes favoritos da Lava-Jato.

9) Quando, em 2017, o STF libertou José Carlos Bumlai, o “amigo de Lula”, e criticou a “farra das prisões preventivas” na Lava-Jato.

10) Quando da guerra de despachos entre Rogério Favreto e Gebran Neto, desembargadores do TRF4, com o apoio velado de Sérgio Moro e aliados, em julho de 2018.

11) Quando Gilmar Mendes repercutiu as denúncias da indústria da delação premiada e cobrou de Raquel Dodge uma investigação sobre o procurador Diogo Castor de Mattos, que tem um irmão advogado com atuação na defesa de delatores da operação. Diogo abandonou a Lava-Jato e, após os vazamentos do Intercept, foi alvo de fake news que o apontavam como responsável pelos vazamentos.

12) Quando a Odebrecht tentou denunciar cooperação internacional irregular dos procuradores de Curitiba junto à Suíça, e Moro interveio em favor da Lava-Jato. Em 2015, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardoso recebeu advogados da Odebrecht que reclamavam de cooperação irregular. Era fevereiro. Em janeiro de 2015 e novembro de 2014, os procuradores viajaram à Suíça e os defensores da empreiteira desconfiaram que eles viram provas de contas no exterior, que foram usadas para pressionar delatores, sem a devida burocracia da cooperação. Saiu nota de Moro dizendo que a agenda da Odebrecht junto ao Ministério da Justiça era “intolerável”, pois clara tentativa de interferir no Judiciário por meio político.

13) Em 2015, quando o STF concedeu habeas corpus a vários empreiteiros que estavam negociando delação premiada enquanto estavam presos em Curitiba, e os advogados cogitaram que era um “freio” de arrumação em Moro.

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