Maria Cristina Fernandes: Ao lado de Bolsonaro, militares são expostos a desgastes crescentes

Um presidente indomável: Bolsonaro dá sinais crescentes de que prestigia as alas comandadas por seus filhos e pelo guru de Virgínia em detrimento dos militares que levou para o governo.

Via Jornal GGN em 11/4/2019

O grupo que elegeu e, agora, compõe o governo sofre amplo desgaste de imagem ao lado de Jair Bolsonaro. A avaliação é de Maria Cristina Fernandes, bem explicada em artigo “Um presidente indomável” publicado na quinta-feira [11/4] no jornal Valor.

A frente dos militares, por exemplo, assumiu posição ao lado de Bolsonaro dando “um duplo verniz de força e moderação” ao novo presidente. Em princípio, a troca parecia ir bem: ocupam oito cargos no primeiro escalão, e mais de 100 nos segundos e terceiros escalões do Planalto.

Também inicialmente, Bolsonaro se mostrou “curvado aos valores” da hierarquia militar, que “outrora desprezou”, arremata Cristina Fernandes. Em 1988, o então paraquedista militar foi expulso por insubordinação do Exército Brasileiro, por ter planejado ações terroristas, para demonstrar insatisfação sobre o índice de reajuste salarial do Exército.

Mas a realidade, após cem dias de governo, mostra que Bolsonaro não mudou, e hoje “é um presidente indomável”, pontua Cristina Fernandes. A nomeação do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, reforçou essa posição do mandatário, isso porque coroando a “vitória do radicalismo obscurantista” sobre o poder moderador dos generais.

“O presidente da República dá sinais crescentes de que prestigia as alas comandadas por seus filhos e pelo guru de Virgínia em detrimento dos militares que levou para o governo”, ressalta a colunista. Olavo de Carvalho, mentor de Bolsonaro, é autor de constantes ataques contra os militares do governo, não poupando o vice-presidente Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Na avaliação de Cristina Fernandes, “os formuladores da doutrina bolsonarista” insistem em buscar apoio da base eleitoral nas redes sociais, enquanto afastam (e atacam) a base do governo no Congresso e os militares.

“Com a perda no capital político acumulado junto a empresários, investidores e parlamentares, Bolsonaro acelerou a aposta no núcleo duro de seu eleitorado, aquele que reage mais prontamente ao apelo ideológico da caça aos ladrões, corruptos e comunistas”. A saída populista, dando as costas aos militares e aos parlamentares, apenas acentua a crise política e gera retardamento das ações de estado que realmente importam.

“O pelotão desgastado percebeu o jogo e começou a unir forças”, completa a articulista. Mas o grupo se deu conta tarde demais. Esse pelotão inclui no Congresso, especialmente o presidente da Câmara Rodrigo Maia, atacado por uma série de tuítes, alguns deles de Carlos Bolsonaro, filho e articulador da comunicação nas redes sociais do pai. Maia usou suas armas, e a Câmara iniciou uma inflexão contra a reforma da Previdência.

Enquanto isso, os escândalos da família Bolsonaro e de seus gurus vieram à público, respingando sobre os militares e outros, como o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, mostrando que o presidente não desgasta sua imagem sozinho.

Até mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão, que se consolidava como o moderador, foi lançado na frigideira por Bolsonaro para responder sobre os 80 tiros de Guadalupe que tiraram a vida de um músico negro, com duas crianças no carro, a caminho de um chá de bebê.

“O presidente da República deixou o plural majestático de lado e deixou que os próprios militares respondessem pelo crime […] Se Bolsonaro pode se defender de ter como vizinho um grande contrabandista de armas suspeito de assassinato e de ter protegido os currais eleitorais da família ao longo das últimas três décadas com a banda podre da polícia, os militares também podem se virar com os estilhaços em sua vidraça”, completa Cristina Fernandes.

A articulista pontua que, “em sua jornada para deslegitimar as opções ao bolsonarismo” o presidente também atingiu Moro que, no projeto anticrime, deu ao presidente “o discurso de que avança na agenda que o elegeu, mas colheu ainda mais antagonismos no Congresso”, se queimando ao propondo a proteção de agentes da segurança pública que manterem “sob fortes emoções”.

“Moro deixou a condição de condestável da operação do fim do mundo por uma convivência mais próxima com milicianos impunes. Os militares deixaram sucessivas operações de garantia da lei e da ordem sem arranhões graves à sua imagem. Trocaram sua pauta por um governo que os expõe a um desgaste crescente. De portadores da tutela, passaram a prisioneiro do presidente da República e de suas brigadas”, conclui.

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