Saída de cubanos e fuga de brasileiros reduzem médicos na atenção básica

Salas vazias: três meses depois de terem assumido, cerca de 1.050 médicos já desistiram das vagas.

Cenário em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, onde seis profissionais se revezam entre as 11 unidades de saúde, reflete situação crítica do país.

Via RBA em 9/4/2019

A saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos tem refletido nas unidades de saúde em todo o Brasil, como mostra reportagem da TVT, que aponta as dificuldades causadas pela falta de atendimento à atenção básica em Embu-Guaçu, região sudoeste da Grande São Paulo. Naquela cidade, seis profissionais se revezam entre 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Na última-quinta [4/4/], o Ministério da Saúde informou que 15% dos profissionais que aderiram ao Mais Médicos no último edital – todos brasileiros – desistiram de seguir participando do programa. Nos editais anteriores, a desistência média foi de cerca de 10%.

“Temos um médico trabalhando, por enquanto só um está com agenda”, relatou uma funcionária do Ambulatório Municipal de Especialidades (AME) de Embu-Guaçu ao repórter Leandro Chaves.

As 11 UBS de Embu-Guaçu atendem uma demanda de cerca de 68 mil habitantes, situação que já era precária e se agravou após a saída dos cubanos. “O impacto foi de 70% do atendimento, que ficou prejudicado. A secretaria de Saúde reorganiza o atendimento médico, distribuindo os seis profissionais que tinham ficado até agora para cobrir todas essas unidades sem médico um dia por semana”, explicou Maria Júlia Barbosa, coordenadora de Atenção Básica da secretaria de saúde do município.

O cenário se estende por todo o Brasil. Após a saída dos cubanos, o governo Bolsonaro abriu às pressas um edital para contratação de médicos para cobrir as vagas deixadas. Cerca de 7 mil médicos brasileiros ingressaram no programa.

Porém, três meses depois de terem assumido, 1.052 médicos já haviam desistido de continuar no Mais Médicos – o último balanço foi divulgado na segunda [8/4/]. Os principais motivos alegados foram a incompatibilidade com os locais de trabalho designados, além da busca por outra modalidade de residência médica.

“Isso precisa ser revisto, é uma questão macro, (é preciso) fixar um médico na atenção primária. Envolve uma questão inclusive de residência médica e medicina de família e comunidade“, disse Fernanda Kimura, diretora técnica de saúde de

De acordo com os profissionais da área, o Ministério da Saúde ainda não estipulou um prazo para a reposição das vagas abertas. “Nesse momento não tem previsão, então também estamos aguardando algumas decisões do ministério”, acrescenta Fernanda.

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