Há 100 dias no governo, Dória mantém paralisados R$33,5 bilhões e 50 obras

Canteiros de obras da Estação Fazenda da Juta, da linha 15-Prata, que hoje não tem previsão de inauguração. Foto: Reinaldo Canato.

Mapa elaborado pelo Tribunal de Contas revela ainda que o Executivo estadual tem outras 49 obras na cidade com atrasos. Em todo o estado, são 1.677 empreendimentos com problemas

Rodrigo Gomes, via RBA em 5/4/2019

Mapeamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo revela que o governo de João Dória (PSDB) tem atualmente 50 obras paralisadas apenas na capital, com custo inicial estimado de R$33,5 bilhões. Outras 49 obras, que somam R$8,3 bilhões, estão atrasadas. Os empreendimentos contemplam diversas áreas, como habitação (4% do total), saúde (20,4%), educação (26,5%) e mobilidade urbana (42,8%). Não há previsão para regularização ou retomada das ações. O Metrô, com 26 obras, e a Universidade de São Paulo (USP), com 16, são os órgãos com mais problemas.

No caso do Metrô, as obras paralisadas ou atrasadas somam aproximadamente R$13,3 bilhões. Boa parte das ações paralisadas se refere à extensão da linha 2-Verde (Vila Madalena-Vila Prudente) até a futura estação Presidente Dutra, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Os monotrilhos das linhas 17-Ouro (Congonhas-Morumbi) e 15-Prata (Vila Prudente-Cidade Tiradentes) são os que apresentam mais problemas com atrasos. Há ainda 12 obras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), das quais 10 estão paralisadas, estimadas em R$1,5 bilhão.

Na educação, há 14 obras de reformas variadas em escolas estaduais paralisadas ou atrasadas, estimadas em R$7,7 milhões. E a USP tem atualmente 16 obras na mesma situação, estimadas em R$226 milhões. São empreendimentos que vão desde reformas e ampliações de campis até a construção de um edifício administrativo na região central da capital paulista.

A saúde tem 11 obras paradas, com custo estimado de R$163,7 milhões. O governo Dória está com reformas e adequações de laboratórios paradas na Fundação Butantan, estimadas em R$48 milhões, e no Hospital das Clínicas, ao custo de R$115 milhões. Neste, uma das ações paralisadas é a reestruturação de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

As ações de habitação do governo estadual na capital paulista se referem a construção de 485 unidades habitacionais cujas obras estão atrasadas, com custo estimado de R$35 milhões. A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) tem atrasos em duas obras relacionadas à captação, tratamento e fornecimento de água, no valor de R$27,7 milhões. Uma delas é a constituição do reservatório de Pedreira, na zona sul, e a outra é construção de uma nova rede de distribuição de água na Penha, zona leste.

O mapeamento completo do TCE abrange as 656 cidades paulistas, relatando um total 1.677 obras atrasadas ou paralisadas, estimadas a um custo de R$49 bilhões. Os empreendimentos são de responsabilidade das prefeituras, do governo estadual ou de parcerias entre as esferas de governo.

O mapa pode ser acessado pela população e permite consultas por cidade, tipo de obra, órgão responsável, entre outros cruzamentos de dados.

Em nota, o governo Dória justificou que nenhuma das obras citadas foi iniciada ou paralisada na atual gestão.

“Desta forma, os problemas apontados são anteriores à atual gestão, que herdou em janeiro de 2019 ao menos 175 obras paralisadas em todo o Estado, fato identificado durante a transição e que foi amplamente divulgado pela imprensa.

O Governo de São Paulo está empreendendo todos os esforços para a retomada dos trabalhos. Somente neste ano, foram entregues 1.739 unidades habitacionais, um piscinão e uma Estação de Tratamento de Esgoto em Franco da Rocha, 15 creches, 7 Delegacias da Mulher reformadas, 15 UBSs, 2 CAPS e um Bom Prato em São Bernardo do Campo.

Além disso, o relatório conta com erros, como no caso da Fundação Butantan. A reforma e ampliação da fábrica da vacina contra Influenza (gripe) foi realizada entre maio e setembro de 2018. Ela nunca esteve paralisada e a fábrica está em funcionamento desde setembro de 2018. Das 25 obras de creches com recursos da Educação estadual, três já foram retomadas e as restantes estão em negociação com as prefeituras, responsáveis pelas obras.”

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