95 dias: Passagem de Vélez pelo MEC custou R$220 mil aos cofres públicos

Ministro foi demitido por Jair Bolsonaro na segunda-feira [8/4/] após situação ficar insustentável; novo ministro Abraham Weintsraub também tem carteirinha de anticomunista carimbada pela escola do astrólogo Olavo de Carvalho.

George Marques, via Revista Fórum em 9/4/2019

A passagem do agora ex-ministro e incompetente Ricardo Vélez pelo Ministério da Educação custou mais de R$220 mil aos cofres públicos. A soma refere-se a R$120 mil de auxílio mudança, a qual ele tem direito, mais R$75.287 de salário líquido que recebeu durante os três meses no cargo.

A crise vai continuar
A crise no MEC infelizmente vai continuar. Inexperiente para enfrentar as complexidades do Ministério, o novo ministro é seguidor da escola Olavo de Carvalho que usa constantemente o comunismo como inimigo imaginário. Algumas das ideias de Abraham Weintsraub foram expostas em uma palestra na Cúpula Conservadora das Américas, realizada em Foz do Iguaçu em dezembro de 2018.

“Quando ele [um comunista] chegar pra você com papo de ‘nhoin nhoin nhoin’, xinga. Faz como o Olavo diz pra fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais”, diz Abraham, revelando a face de sua postura autoritária.

MEC paralisado
O MEC está paralisado com ameaça de impactar no bom andamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Em março, o Inep anunciou a criação uma comissão para fazer uma “leitura transversal” das questões que compõem o Banco Nacional de itens do Enem. Segundo o instituto, os coordenadores apresentariam o resultado em 10 dias.

Na quarta-feira [3/4], a comissão concluiu os trabalhos, mas não divulgou o resultado devido “ao caráter sigiloso” do banco de dados.

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ATRASO DE BOLSONARO NA EXONERAÇÃO FEZ VÉLEZ GANHAR R$120 MIL COM AUXÍLIO-MUDANÇA
Caso saísse antes de completar 90 dias no cargo, o ex-ministro teria que devolver R$61 mil que recebeu de auxílio-mudança. E não receberia mais R$60 mil para a mudança da volta.
Via Revista Fórum em 9/4/2019

De acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha da terça-feira [9/4/], a demora para a exoneração do ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, o acabou favorecendo. Caso saísse antes de completar 90 dias no cargo, o ex-ministro teria que devolver aos cofres públicos os R$61 mil que recebeu de auxílio-mudança.

Para complicar ainda mais a situação, com o prazo cumprido, o ex-ministro ganhou o direito de receber cerca de R$60 mil para fazer a mudança de volta, caso retorne à cidade de Londrina, no Paraná, onde dava aulas.

A exoneração de Vélez, já era dada como favas contadas há semanas. Crises sucessivas na pasta vinham expondo uma disputa entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho.

A jornalista Eliane Cantanhêde chegou a anunciar a sua demissão, em uma “barrigada” (gíria para erro no jornalismo) histórica na sua conta do Twitter.

“Acabo de anunciar no GloboNews Em Pauta: Bolsonaro decidiu demitir o ministro da Educação, Velez Rodrigues. Os motivos são óbvios.”

A própria Cantanhêde, em artigo publicado no domingo [7/4/], afirmou considerar um mistério o fato de Vélez ainda estar no governo. “E esse mistério fica ainda pior porque Bolsonaro já tinha decidido a demissão antes da viagem a Israel, mas preferiu ficar fritando o ministro em público do que fazer o que tinha de fazer. Por fim, avisou na sexta que pretende defenestrá-lo amanhã. Avisar três dias antes, pela mídia, que pretende demitir alguém?!”, indagou a colunista.

Talvez esteja aí, nos R$120 mil de bônus, a resposta para o enigma.

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