Fake news: Papel das redes sociais na eleição de Bolsonaro é tema de debate nos EUA

Via Folha em 6/4/2019

Ataques à imprensa e aos jornalistas durante um período de forte polarização política foram tema de debate na Brazil Conference, evento organizado por alunos das universidades Harvard e MIT (Massachusetts Institute of Technology), em Boston, nos EUA. Nesta sexta-feira [5/4], as jornalistas Patrícia Campos Mello, da Folha, Vera Magalhães, do jornal O Estado de S.Paulo, e a pesquisadora Yasodara Córdova, de Harvard, discutiram a disseminação de fake news nas redes sociais e os efeitos dessa prática na disputa que elegeu Jair Bolsonaro (PSL) presidente no ano passado. Durante o painel “Jornalismo: os desafios da mídia em tempos de polarização”, Patrícia disse que não é possível afirmar que Bolsonaro venceu a disputa contra Fernando Haddad (PT) no 2º turno apenas em razão das redes sociais, mas é preciso observar com atenção os desdobramentos desse processo.

Na avaliação da repórter especial da Folha, ações em massa no Twitter, Facebook e WhatsApp podem ser espontâneas, mas também uma tentativa de manipular a opinião pública. “A automatização, militantes ou bots [robôs] estão inflando alguns tipos de narrativa. Isso está sendo usado e a gente [jornalista/imprensa] é vítima. É preciso ver o quanto é voluntário e espontâneo e o quanto é tentativa de manipular a opinião pública”. Patrícia foi alvo de ataques nas redes sociais após a publicação de uma reportagem, em outubro do ano passado, que revelou que empresários impulsionaram disparos em massa pelo WhatsApp contra o PT.

Vera Magalhães, por sua vez, disse que é redutor afirmar que Bolsonaro foi eleito pelas ações nas redes sociais. Para ela, houve uma “conjunção de fatores” que o levaram ao Planalto, como a Operação Lava-Jato, o desgaste da imagem do PT – envolvido em diversas denúncias de corrupção – , a situação econômica do país e, por fim, o atentado a faca que Bolsonaro sofreu em setembro. Ainda de acordo com a jornalista de O Estado de S.Paulo, a imprensa errou ao não tratar Bolsonaro como uma hipótese real de vitória e, a partir de agora, precisa expor e informar os fatos de maneira responsável, em um caminho que, para ela, ainda é de aprendizado. “Não podemos repetir os erros. Ele [Bolsonaro] ataca a imprensa e isso não vai mudar”, afirmou Vera. “Nosso papel é expor de maneira responsável, é um caminho de aprendizado que tem erros e acertos e é um dever de casa de todos nós”.

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