Olavo de Carvalho e Bolsonaro envergonham o Brasil e desonram a própria memória do Holocausto

Negar fatos históricos apenas para incitar mais ódio político, culpando uma única ideologia por todos os problemas e conflitos do mundo, é um ato criminoso e quase infantil.

Lucia Helena Issa, via Jornal GGN em 3/4/2019

A indigência mental de Jair Bolsonaro, alimentada há anos pelo autoproclamado “filósofo” Olavo de Carvalho destrói a imagem do Brasil também em Israel e desonra a própria memória judaica do Holocausto.

Ao sair do Museu do Holocausto ontem, Bolsonaro afirmou que não têm dúvidas de que “o nazismo é um movimento de esquerda”.

Essa discussão em relação ao espectro do nazismo e do fascismo nem sequer existe na Itália, onde vivi por anos, pois qualquer criança de 10 anos na Itália sabe que esses movimentos, que renasceram recentemente no mundo todo pelas mãos de pessoas como Steve Bannon e Olavo de Carvalho, representam a extrema-direita (ódio aos refugiados, às minorias, às diferenças religiosas, aos homossexuais etc., ou seja, as mesmas pautas dos seguidores de Olavo e Bolsonaro) e ninguém, nem o próprio Steve Bannon, representante dos supremacistas brancos, afirmaria na Europa ou nos EUA que essas pautas são as da esquerda. Os fatos são claros e não há como mudá-los, a não ser que você seja um seguidor de Olavo de Carvalho.

Qualquer criança europeia de 10 anos sabe que os primeiros mortos do nazifascismo foram os comunistas, os homossexuais e os refugiados da época.

O próprio Museu do Holocausto, em Israel, onde estive em 2016, define o nazismo, claro, como um movimento de direita (visite o site do Museu do Holocausto e comprove por você mesmo).

O fato de o partido nazista da época ter colocado a palavra “socialismo” no meio de seu nome, como quase todos os partidos faziam naquele momento, o torna um partido de esquerda? É claro que não.

Na mente dos boçais que tomaram o poder hoje, os senhores Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo e Jair Bolsonaro o leão-marinho é um felino porque tem leão no nome? O macaco-prego é um objeto de lojas de material de construção? E um garoto batizado de Frank Sinatra? Já deixará a maternidade cantando My Way apenas pelo nome com que foi batizado?

Se você for a Roma, cidade em que vivi durante seis anos, e afirmar para um italiano que seu “professor” Olavo de Carvalho (o sujeito que não completou sequer o Ensino Fundamental) lhe disse que os fascistas são de esquerda, meu amigo romano permanecerá três dias rindo de sua afirmação.

Os “Camicie Nere”, milícia iniciada por um grupo de jovens da década de 1930 para combater o “comunismo”, ficaram célebres por agredirem, com chicotes e pedras, qualquer pessoa mais progressista, qualquer italiano que ousasse defender as Ligas Camponesas, as mulheres, os refugiados, os judeus, árabes ou lutar por mais igualdade social na Itália. E os neofascistas de hoje pensam exatamente da mesma forma, odeiam os refugiados, os gays e os não-cristãos e, assim como Olavo e Bolsonaro, alimentam essas pautas.

Fiz uma matéria em Roma quando eu estava escrevendo meu livro “Quando amanhece na Sicília…” e entrevistei dois jovens neofascistas que se definiam como “a nova voz dos fascistas e dos Camicie Nere”. Foi uma das entrevistas mais assustadoras que já fiz. Era como conversar com Olavo de Carvalho em pessoa. As mesmas ideias e ideais, o mesmo ódio aos refugiados muçulmanos, a mesma admiração por Bannon, o mesmo ódio pelos homossexuais e pelos negros, o mesmo ódio pelas minorias.

Olavo é um charlatão assustador pois, ao continuar afirmando que “o nazifascismo é um movimento da esquerda europeia”, ao falsificar a identidade dos assassinos de milhões de judeus, ele desonra a memória e a própria dor sofrida pelos judeus na 2ª Guerra Mundial.

Um grupo de amigos judeus em São Paulo já se mobiliza para fazer com que o “astrólogo” pare de destruir a memória judaica de maneira abjeta.

Negar fatos históricos apenas para incitar mais ódio político, culpando uma única ideologia por todos os problemas e conflitos do mundo, é um ato criminoso e quase infantil, é tripudiar sobre a imensa dor dos judeus, dos homossexuais, dos refugiados e de todos os que foram assassinados na 2ª Guerra Mundial.

Olavo é um anão moral.

Entrevistei em Roma, quando lá vivia, a parlamentar de extrema-direita Alessandra Mussolini, a neta de Mussolini e herdeira do fascismo italiano, uma mulher que defende as mesmas pautas de Olavo de Carvalho, defende que imigrantes não-cristãos e os refugiados sejam expulsos da Europa, ataca parlamentares gays e negros e é visivelmente desequilibrada.

Se eu, como jornalista, me referisse a Alessandra Mussolini como “uma mulher de esquerda” durante a entrevista, associando a esquerda ao Fascismo italiano, Alessandra Mussolini provavelmente encerraria a entrevista tomada pela ira e me mandaria estudar a história da Europa!

Se você não acredita que o Fascismo e o Nazismo são movimentos da extrema-direita de hoje e de ontem, experimente ir a uma reunião de neofascistas italianos em Roma, como eu fui para fazer a entrevista, e diga a eles em alto e bom som: – O Fascismo é de esquerda!

Só não se esqueça de levar um bom colete à prova de balas.

ENQUANTO LULA…

Uma resposta to “Olavo de Carvalho e Bolsonaro envergonham o Brasil e desonram a própria memória do Holocausto”

  1. Geraldo Lobo Says:

    NÃO SE ESPERA QUE CEREJEIRAS PRODUZAM BANANAS, COMO NÃO SE IMAGINA QUE BANANEIRAS PRODUZAM CEREJAS ! UMAS E OUTRAS DIFEREM EM SUA FUNÇÃO E NO SEU ADN. OS DESSES SENHORES NÃO BATEM COM OS DO RESTO DA POPULAÇÃO CIVILIZADA DE NOSSO PAÍS. NÃO PASSAM DE BANANAS DA TERRA.

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