Paulo Guedes vende 12 aeroportos: Cada um valeu menos da metade do preço de um avião

Via Come Ananás em 16/3/2019

Os atacadistas Jair Bolsonaro e Paulo Guedes coletaram para o “Brasil acima de tudo”, mas no prego, R$2,377 bilhões na liquidação de 12 aeroportos da Infraero feita na sexta-feira [15/3], na Bolsa de Valores de São Paulo. Na média, cada aeroporto saiu por menos de R$200 milhões.

R$200 milhões é muito menos da metade, por exemplo, de quanto custa um Boeing 737 MAX 8 (US$121,6 milhões, ou R$462 milhões), modelo do avião que se despencou na Etiópia no último dia 10, minutos depois de decolar, matando 157 pessoas.

O aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, levou 16 anos para ficar pronto e nele o governo federal gastou R$560 milhões, via Infraero. Inaugurado em março de 2018, foi privatizado em março de 2019, junto com o aeroporto de Macaé, no Rio de Janeiro, por R$487 milhões.

“É dia de feira/Quarta-feira, sexta feira/Não importa a feira/É dia de feira/Quem quiser pode chegar”, cantava Marcelo Yuka, no Rappa.

“Tomara que esses investidores estejam com apetite, porque nós estamos precisando de dinheiro”, dizia uma apresentadora de TV na manhã dessa sexta, dia de feira – de rapa –, horas antes do leilão feito em blocos (Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste) de aeroportos brasileiros na Bovespa.

“Óptima adquisición. Bienvenidos”
Não fosse o apetite confirmado, diante do banquete Brasil, de companhias estrangeiras, que pagaram ágios de 830% e 1010% nos blocos Sudeste e Nordeste, respectivamente; não fosse pela sede ao pote com que as transnacionais aeroportuárias foram ao leilão, atropelando-se, os 12 aeroportos da Infraero teriam sido vendidos pelos “esfomeados que tomaram Brasília” por, juntos, R$218 milhões. O preço mínimo do bloco Sudeste, com os aeroportos de Vitória, novíssimo, e o de Macaé, foi de R$46,9 milhões.

Na manhã de sábado [16/3], das dezenas de respostas ao tweet em que a estatal espanhola Aena anunciou o arremate do aeroporto do Recife, todas eram de brasileiros pedindo emprego (“¿cómo puedo participar en el proceso de selección?”) ou, a maioria, saudando o negócio: “bienvenidos!”.

Com os R$218 milhões dos preços mínimos, somados, dos três blocos que foram a leilão não se compra sequer um dos aviões comerciais mais baratos do mercado, o E195-E2, da Embraer, que sai novo do hangar por US$61 milhões, o equivalente a R$231 milhões.

Pelo equivalente a iguais R$231 milhões (53,4 milhões de euros) foi vendido em julho do ano passado o aeroporto de Ciudad Real, um aeroporto falido, desativado e judicializado da Espanha.

O bloco Nordeste, o mais cobiçado do leilão – por ter um dos aeroportos mais modernos e movimentados do país, o internacional do Recife, que deu lucro de R$130 milhões em 2017 –, foi abocanhado no leilão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes pela empresa Aena, estatal como a Infraero, com sede não em Ciudad Real, que aí já seria humilhação, mas em Madri de Espanha.

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