Desprezo total: O futuro de Bolsonaro será igual ao de Temer

O ÚNICO SALVO-CONDUTO DESTE GOVERNO ESTÁ AMEAÇADO E BOLSONARO DEVERIA VER EM TEMER SEU PRÓPRIO FUTURO
Carlos Fernandes em 21/3/2019

Num governo movido a trapalhadas cuja aprovação popular despenca em queda livre, o único salvo-conduto que o mantém de pé, apenas três meses após a posse, é a reforma da Previdência.

Desejo de 10 em cada 10 burocratas burgueses a serviço do grande capital, as mudanças na previdência que farão com que bilhões de reais fiquem a mercê da administração privada, justifica a incômoda sustentação de um fantoche nitidamente incapacitado intelectualmente.

O problema é que a incompetência latente, tanto do homem quanto da sua equipe formada encarregados para o serviço, já produzem efeitos que inviabilizam, de forma concreta, o já difícil e impopular projeto que empurra para a miséria completa justamente os brasileiros que do Estado mais precisam.

A falta de habilidade para lidar com um Congresso historicamente fisiológico, a egolatria insana de ministros que veem no cargo uma espécie de título monárquico e a inexistência de comunicação com os mais diferentes setores da sociedade, tornam a “encomenda” impraticável.

Penosa já seria a missão dada, portanto, se somado a tudo os agentes envolvidos ainda não tivessem que superar os vícios de alas singulares que o país, até por vontade própria, resolveu se tornar refém.

A reforma da previdência destinada especificamente para os militares – que segundo os parlamentares é condição sine qua non para a reforma geral – deu cabo de demonstrar a farsa gritante de toda a coisa.

Sem força para impor aos generais da ativa as mesmas medidas duras que estão submetendo toda a sociedade, o projeto que chegou ontem [20/3] na Câmara dos Deputados praticamente troca seis por meia dúzia.

Com a economia pífia dos gastos da previdência projetada para os impolutos das forças armadas, cada vez mais fica impossível manter de pé um discurso que desde o início já se mostrava falacioso.

E os parlamentares, obviamente, sabem que são eles, em primeira instância, os que se obrigam a encarar diretamente a rejeição do povo que os elegeu.

Rodrigo Maia, aliás o principal avalizador da reforma da previdência e dono da pauta que a coloca em votação, já se mostrava claramente incomodado com as diatribes do governo.

Com a desnecessária rusga causada pelo escanteado Sérgio Moro, elevou o tom e deixou diáfano que não irá aceitar que um ex-juiz de voz fina queira falar grosso com ele.

O caldo já estaria turvo demais se hoje [21/3] seu sogro, Moreira Franco, na esteira da prisão de Michel Temer, não tivesse também sido preso pela mesma Lava-Jato que tornou Deus o ministro que um dia antes quis se mostrar relevante.

Como se vê, a reforma da previdência nunca esteve tão ameaçada e, com ele, o próprio governo.

Com os fantasmas do palácio do Jaburu lembrando a Mourão as benesses de um impeachment, Jair Bolsonaro, tão enrolado com milicianos do Rio de Janeiro, se inteligência tivesse, enxergaria na atual mazela de Michel Temer, seu próprio destino.

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