Bolsonaro, o lambe-botas: Como envergonhar o Brasil em apenas 48 horas

Será que a camisa que Bolsonaro deu para o Trump é falsa igual à que do Palmeiras que ele usa?

Via Fundação Perseu Abramo em 19/3/2019

Em pouco mais de 48 horas de visita a Washington, Bolsonaro envergonhou os brasileiros, rifou o país, contrariou a Carta Magna brasileira, assinou acordos já rejeitados pelo Congresso e feriu a soberania nacional.

Jair Bolsonaro desembarcou na tarde de domingo, 17 de março, em Washington, e participou de um jantar na residência do embaixador brasileiro, Sérgio Amaral, com autoridades norte-americanas, com o ex-estrategista da campanha de Trump, Steve Bannon, e o escritor Olavo de Carvalho. Na manhã de segunda feira [18/3], realizou uma suspeitíssima visita à CIA, fora da agenda.

O primeiro compromisso público da comitiva brasileira em Washington foi à tarde, na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, onde também estavam presentes o chanceler Ernesto Araújo e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em seu discurso, Guedes afirmou que o Brasil quer aprofundar as relações com os EUA e vê no país um importante investidor no projeto de privatização que, segundo ele, gerará negócios de até um trilhão de dólares nos próximos doze anos, processo que envolve rodovias, concessões de petróleo e gás e venda do pré-sal. Em sua fala, Guedes deixou claro que não excluirá a China, maior parceiro comercial do Brasil, com saldo comercial de trinta bilhões de dólares.

Segundo o jornal O Globo, Guedes apresentou Bolsonaro como um “um rapaz com colhões” para controlar o gasto público e fazer a reforma da Previdência e disse que ele “adora Coca-Cola e Disneylândia”, para explicitar que o presidente é favorável aos Estados Unidos. Bolsonaro falou de improviso por cerca de dez minutos e disse que, diferente dos governos brasileiros anteriores, este é “amigo dos Estados Unidos, que admira os Estados Unidos” e que “com essa parceria alavancaremos mais ainda nossa economia”, além de afirmar que o Brasil fez uma guinada da “esquerda para a centro-direita”. Atacou os governos de Lula e Dilma Rousseff e também citou a “capacidade econômica e bélica” dos EUA para resolver questões como a da Venezuela que, segundo Bolsonaro, tem que ser libertada.

Após a declaração de Bolsonaro, o porta-voz da presidência, Otávio do Rêgo Barros, negou que Brasil vá apoiar uma intervenção militar na Venezuela e que uma ação na nação vizinha fere a Carta Magna brasileira.

O encontro resultou na assinatura de alguns acordos, entre eles o de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que permite aos Estados Unidos lançarem satélites a partir de Alcântara, no Maranhão. A base de Alcântara serve aos Estados Unidos como apoio logístico e infraestrutura para a realização dos trabalhos desenvolvidos na área espacial. Por sua proximidade à linha do Equador, reduz o consumo de combustível para o lançamento de satélites. Atualmente, 80% dos artefatos espaciais envolvem tecnologia norte-americana. Sem o acordo, eles não poderiam ser lançados a partir da base brasileira.

Esse acordo já havia sido barrado pelo Congresso Nacional por ferir a soberania nacional à época de Fernando Henrique Cardoso. Em contrapartida, a Casa Branca se comprometeu a apoiar a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um dos objetivos da viagem pelo lado brasileiro.

À noite, indagado pela emissora Fox News, em Washington, sobre o polêmico vídeo postado no carnaval com um rapaz urinando em outro e questionamentos sobre golden shower, alegou que apenas queria mostrar como está o Carnaval no Brasil. Indagado sobre a relação de sua família com as milícias suspeitas de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, Bolsonaro negou conhecer o policial militar da reserva acusado de matar a parlamentar, apesar de ambos morarem no mesmo condomínio no Rio de Janeiro. Reiterou que só conheceu a vereadora após sua morte, em março do ano passado, e que não tinha nenhum motivo para um possível envolvimento no crime.

Na terça-feira [19/3], Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca, onde, além de discutir o aprofundamento do comércio entre o Brasil e os Estados Unidos, a crise política na Venezuela foi um dos principais tópicos.

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NOS EUA, BOLSONARO DISSE QUE “A MAIORIA DOS IMIGRANTES NÃO TÊM BOAS INTENÇÕES”
Presidente do Brasil disse ainda que o muro tem que ser construído para separar EUA do México, que nunca ouviu falar de Marielle até ser morta e, ainda, que ele e Trump têm muito em comum.
Lilian Milena, via Jornal GGN em 19/3/2019

“Estou disposto a abrir meu coração para ele e fazer o que for bom para o benefício do povo brasileiro e norte-americano”, disse o presidente do Brasil Jair Bolsonaro em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O brasileiro está em viagem oficial a Washington e tem um encontro marcado na terça-feira [19/3] com o líder norte-americano.

A entrevista foi concedida para a TV norte-americana Fox News, exibida na segunda-feira [18/3]. O canal é o favorito de Donald Trump, que estabeleceu uma verdadeira guerra contra a imprensa local, mesmo assim não deixou de fazer perguntas incômodas ao brasileiro.

“Nossa conversa amanhã será baseada nas perspectivas de ajudar uns aos outros. Porque, apesar de brasileiros [sabemos] que os EUA é um país grande economicamente e também militarmente. É sempre bom, claro, nutrir relações de amizade com um país como o Brasil na América do Sul”, disse.

Bolsonaro não quis responder sobre o projeto de permitir que os EUA construam uma base militar no Brasil e a preocupação que isso pode causar na Rússia e na Venezuela, podendo aumentar a tensão regional.

“Nossa conversa será sobre negócios”, desviou. A respeito da Venezuela e o papel que os militares brasileiros poderiam ter no conflito, o presidente disse que não podia falar “sobre todas as possibilidades”, mas que o Brasil é o país mais interessado em acabar com a “ditadura do narcotráfico”.

Bolsonaro defendeu ainda a construção do muro para separar os Estados Unidos do México, que Donald Trump corre para concluir antes de entregar seu mandato presidencial em dezembro deste ano.

E quando questionado sobre a política migratória do norte-americano, que tem sido apontada por críticos e analistas como racista e xenófoba respondeu: “Acredito que aqueles que são contra o muro deveriam remover as portas e os muros de suas próprias casas”.

Em seguida, Bolsonaro disse que “a maioria dos imigrantes não têm boas intenções” e não pretendem fazer bem “ao povo dos Estados Unidos”. “Devemos a nossa democracia no hemisfério Sul aos Estados Unidos”, completou.

A visão de Bolsonaro corrobora a declaração polêmica que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) fez no sábado [16/3] ao dizer que os brasileiros que vivem de forma ilegal no exterior são “uma vergonha para o país”.

Leia também: Bernardo Mello Franco: Em encontro com Trump, Bolsonaro só faltou pedir autógrafo

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