Maria Cristina Fernandes: As ilusões da República de Curitiba com Brasília morreram

Segundo ela, os procuradores de Curitiba confiaram demais em seu poder de mover as instituições e a opinião pública.

Via Jornal GGN em 17/3/2019

Análise de Maria Cristina Fernandes, do Valor, mostra que a decisão do plenário do STF colocou em xeque as ilusões dos paranaenses calcadas nos novos ventos do poder em Brasília. Para ela, o maior baque se deu no governo de um presidente que teve sua plataforma totalmente baseada na Lava-Jato.

E não foi coincidência. Segundo ela, os procuradores de Curitiba confiaram demais em seu poder de mover as instituições e a opinião pública.

Veja bem. Gilmar Mendes, que se valeu de um ato ilegal, a divulgação dos áudios da Lava-Jato de uma presidente da República para barrar a nomeação de Lula para o ministério, agora chama os antigos parceiros de “canalhas” e “cretinos” depois que a investigação ultrapassou as fronteiras petistas.

Maria Cristina pontua que o governo que eles ajudaram a eleger foi aquele mesmo que mandou a Receita Federal recuar na investigação sobre o ministro em questão. E nem mesmo o comando do Exército se pronunciou. O ex-comandante, general Villas-Boas, até poderia fazê-lo, mas não digitou um fiapo em suas redes sociais.

Para a articulista, nem mesmo o Ministério Público não foi capaz de mobilizar a opinião pública como antes. Isso se deve à inabilidade dos procuradores na apropriação de um fundo bilionário a ser constituído com recursos recuperados da corrupção e “a agressividade com a qual alguns de seus integrantes reagiram aos sinais de que o revés estava por acontecer”.

A jornalista entende que os procuradores até tentaram recuar no fundo, mas já era tarde demais. E haviam acenado à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, em campanha pela recondução ao cargo, uma oportunidade de reforçar as alianças com o poder e apostar num novo mandato contornando a lista tríplice.

Mas, no fundo, o que evidencia essas trapalhadas, é a percepção de que o Ministério Público era o titular de apoio da opinião pública. Mas esse apoio popular só foi granjeado, assim como a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, graças ao antipetismo.

Para ela, Gilmar Mendes resumiu bem o julgamento da semana: trata-se de uma disputa de poder. De um lado o MP e do outro o STF, que veio com a inusitada ação de ofício para a investigação dos procuradores. A frase resume a semana, mas não ajuda muito, visto que a missão de um ministro estaria limitada à interpretação da Constituição.

Mas tal decisão, no limite, poderá influenciar, inclusive, as investigações das milícias, que estão no alto das preocupações da opinião pública. Assim, o Congresso pode se mobilizar tanto para rever a competência da deliberação da Justiça Eleitoral quanto para abreviar mandatos de ministros do Supremo ou, então, rechaçar o pacote do ministro da Justiça, Sérgio Moro, aliado de primeira hora da Lava-Jato.

O Congresso está dividido entre os novatos, eleitos na onda da Lava-Jato, e os que foram reconduzidos apesar da Lava-Jato. No meio, um presidente da República que não tem maioria constitucional para aprovar a reforma da Previdência e que, além disso, precisa defender a si e a sua família dos amigos “que fizeram no verão passado”.

Mudam-se as regras, e a única saída dos procuradores será ir mais pela costura política do que pelo jogo de força habitual, marca da Lava-Jato. Eles dependerão dessa costura para manter suas prerrogativas, cujo embrião “é jogado no caldeirão em que Brasília cozinha as reputações”, conclui a articulista.

Leia a coluna na íntegra aqui.

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