Siga o dinheiro: Policial envolvido na morte de Marielle recebeu depósito de R$100 mil

Além da movimentação financeira suspeita, PF apreendeu uma lancha, automóveis (entre eles um Infinity avaliado em R$150 mil), e a casa em um condomínio de luxo, utilizadas por Ronnie Lessa. Todos esses bens são incompatíveis para um policial militar reformado, alerta o Ministério Público.

Via Jornal GGN em 15/3/2019

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um depósito de R$100 mil em dinheiro na conta de Ronnie Lessa. O policial reformado foi denunciado pelo assassinato de Marielle e Anderson.

Na terça-feira passada (12), Lessa e o ex-policial Élcio Queiroz foram presos durante a Operação Lume, realizada pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro para investigar os assassinatos da vereadora e do motorista, que completaram um ano nesta quinta-feira (14).

Segundo relatório do Coaf, citado pelo Ministério Público, o depósito de R$100 mil na conta de Lessa foi feito na boca do caixa, no dia 9 de outubro de 2018, sete meses depois do crime.

As prisões de Lessa e Queiroz foram decretadas pelo juiz Gustavo Kalil, da 4ª Vara Criminal, a pedido do MP. Ele também determinou o bloqueio de bens dos dois acusados para garantir a indenização por danos morais e materiais às famílias da vereadora e do motorista. Daí o pedido do relatório do Coaf.

Além do bloqueio nas contas dos acusados, a Justiça apreendeu uma lancha em Angra dos Reis, em nome de um amigo de Ronnie, que seria “laranja”, automóveis do PM (entre eles um Infinity avaliado em R$150 mil), e a casa dele no mesmo condomínio de luxo onde o presidente Jair Bolsonaro tem residência, na Barra da Tijuca.

O MP pondera que todos esses bens são incompatíveis para um policial militar reformado.

Ao todo, a Operação Lume cumpriu 50 mandatos de prisão, um deles na casa de um amigo de Ronnie onde foram encontrados 117 fuzis M-16 incompletos desmontados. Os investigadores também encontraram armas na casa do policial reformado e uma pistola em poder de Queiroz. Com as novas descoberta, a polícia abre investigação sobre o envolvimento de Lessa com o tráfico de armas.

Os dois devem prestar depoimento nesta sexta-feira (15) sobre o atentado de Marielle, em seguida serão levados a Bangu 1. Apesar de não terem resistido no momento em que foram detidos, eles negam participação no crime.

Como atirador foi identificado
A promotora de justiça e coordenadora da Coordenação de segurança e inteligência, Elisa Fraga, explicou à imprensa que a inteligência chegou até Ronnie Lessa a partir de três frentes de trabalho.

“Uma desenvolvida na divisão de inteligência, com agentes de campo. Uma outra que trabalhamos com a ação telemática, em conjunto com agentes do Gaeco: analisamos o conteúdo que recebemos dos provedores. A terceira é através da divisão de evidências digitais e tecnologia”.

Com a quebra do sigilo de dados, o Ministério Público conseguiu acessar o armazenamento das pesquisas que Ronnie Lessa fez pela internet do seu celular e descobriu que o PM monitorava a agenda de eventos de Marielle. Além disso, uma imagem, em especial, gerada por uma câmara de infravermelho foi fundamental para a identificação do biotipo do atirador. A partir dela, os investigadores traçaram um perfil físico que levou até Ronnie. Elisa conta ainda que a equipe usou uma técnica de luz e sombra para identificar que não havia nenhum passageiro no banco da frente do carro usado pelos criminosos.

“Nesta imagem obtida, havia um braço direito do atirador. Fizemos a análise e com a comparação de outras imagens do Ronnie Lessa, observamos uma compatibilidade do réu com o atirador”, disse Elisa.

Ainda, segundo os investigadores, por volta das 17h24 da noite do crime, câmeras filmaram o Cobalt prata utilizado no assassinato de Marielle e Anderson próximo ao Quebra-Mar, na Barra. O veículo foi novamente filmado por volta das 18h45 na Rua dos Inválidos, onde Lessa e Élcio aguardaram pela saída da vereadora de um evento na Casa das Pretas.

Por volta das 21h10, o carro onde estavam Anderson e Marielle foi fechado pelo Cobalt, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio. Cerca de treze tiros foram disparados do carro prata executando a vereadora e o motorista.

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