“Arranquei e arrancarei mil vezes seguidas”, diz deputado que arrancou placa que homenageava Marielle Franco

“Nós, mulheres brasileiras, em nome da Democracia, da História e dos Direitos Humanos, soberanamente renomeamos este monumento para Marielle Franco”, dizia o adesivo.

Via Yahoo em 17/3/2019

Eleito deputado federal nas últimas eleições, Daniel Silveira (PSL/RJ), que ficou conhecido por arrancar e quebrar uma placa que homenageava a vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano, voltou a falar do assunto. O parlamentar esteve na ponte Costa e Silva, em Brasília, onde um adesivo em homenagem à Marielle foi colado por um movimento feminista homenageando a vereadora.

“Nós, mulheres brasileiras, em nome da Democracia, da História e dos Direitos Humanos, soberanamente renomeamos este monumento para Marielle Franco”, dizia o adesivo.

Em uma postagem no Twitter, o deputado declarou: “arranquei uma placa fake colocada por vândalos e arrancarei cinquenta, cem, mil vezes seguidas se necessário for”. Um vídeo mostra o momento:

“Mais uma vez, aqui tinha sido ‘reclassificada’ a ponte de forma ilegal para demonstrar mais uma vez a cara de pau, a canalhice dos esquerdistas progressistas em prestar suas homenagens canalhas”, diz o parlamentar.

Em seguida, o deputado leva o adesivo retirado com a mensagem para o plenário da Câmara. “A Marielle lutou muito contra o preconceito e contra várias outras demandas sociais, mas eu duvido muito que ela lutava em prol do vandalismo. Eu garanto que isso fere a memória dela”, opina.

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Deputada federal Sâmia Bomfim já foi vítima de diversas ameaças.

“VOU ESTOURAR SEUS MIOLOS”: DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS RELATAM AMEAÇAS CONSTANTES
Giorgia Cavicchioli, via Yahoo em 17/3/2019

Há um ano a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram mortos brutalmente em um crime para calar uma defensora dos direitos humanos. Até o momento, dois homens foram presos por serem os autores. O policial militar reformado Ronnie Lessa foi quem deu os 13 disparos que mataram as vítimas e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o carro do crime. O mandante ainda não foi revelado.

Mesmo após o crime bárbaro ter ganhado repercussão nacional, defensores dos direitos humanos continuam a ser ameaçados nos quatro cantos do Brasil. De acordo com Antônio Neto, pesquisador da ONG (Organização Não Governamental) Justiça Global, existem os mais diversos tipos de militantes na área. Eles lutam por moradia, terra, transporte, por questões LGBT, de gênero, entre outros temas.

Segundo o pesquisador, seja essa pessoa quem for, ela irá contrariar interesses de pessoas poderosas. Isso, muitas vezes, gera ameaças que são feitas das mais diversas formas. “Até um tempo atrás, elas eram diretas, de pessoas indo até o lugar e dizendo que eles estão ameaçadas, que se continuarem vão ter problemas”, explica dizendo que aquele que manda o recado, geralmente, é um desconhecido.

As ameaças mais discretas, de acordo com Neto, são feitas por meio de bilhetes colocados na casa ou em um vidro de carro da vítima. Ainda segundo ele, quando o defensor dos direitos humanos resolve denunciar, tem o principal “problema”. “Muitas vezes, os policiais estão envolvidos”, afirma.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), por exemplo, já foi vítima de diversas ameaças por conta de sua atuação política em defesa dos direitos humanos. Segundo ela, mesmo registrando ocorrência sobre alguns dos casos, ainda não teve retorno sobre nenhum. Para tentar se proteger, ela diz que mudou de endereço, nunca anda sozinha e é acompanhada por seguranças.

“Desde que me elegi vereadora recebo mensagens com ameaças. Bastava propor algum projeto de lei, fazer uma fala no plenária cuja repercussão fosse grande que logo começavam os ataques em massa nas minhas redes sociais”, relata ao blog. De acordo com Sâmia, as ameaças são de diferentes tons.

“[São] desde as genéricas, de que vão destruir minha vida política, até as mais criminosas, de que vão estourar meus miolos”, afirma a parlamentar que levou os casos mais explícitos para a polícia. “Agora, como deputada federal de oposição a [Jair] Bolsonaro, a intensidade é ainda maior. Perdi as contas de quantas já recebi”, constata.

Mesmo assim, Sâmia diz que as ameaças não travam seu trabalho. “Não deixo de defender as pautas que sempre defendi, sigo na luta. O problema, a meu ver, não é individual, mas sim político. Por isso não posso deixar e lutar, de questionar quem são os assassinos de Marielle, denunciar os podres poderes que imperam no Brasil”, afirma a deputada dizendo que precisamos de uma nova cultura política.

Coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, padre Júlio Lancellotti é outra vítima de ameaças constantes. “São de morte mesmo, dizendo ‘nós vamos matar esse padre, esse padre vai apanhar também, nós vamos quebrar a cara dele’, falam coisas horríveis”, diz ao blog.

Segundo ele, a maioria das mensagens de ódio são explícitas. Algumas delas acontecem por forma de “recado” mandado por meio dos moradores de rua, outras são feitas on-line. Porém, os mais ousados chegam a passar de carro em frente à igreja enquanto o padre celebra a missa “xingando e gritando coisas horríveis”.

Atualmente, ele afirma que as ameaças recrudesceram. “Se ouve constantemente: ‘Agora a gente vai matar mesmo. Agora é tiro na cabeça’. O medo que tenho é que isso atinja os moradores de rua”, diz o padre que denunciou alguns casos ao MP (Ministério Público). Um inquérito foi aberto no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo e ainda não foi concluído.

Questionado sobre se pretende sair do País para evitar ataques, ele responde: “Eu sou velho. Não tenho pra onde ir, não tenho recursos para ir pra lugar nenhum. E iria pra onde e pra fazer o que? Eu tenho que cuidar da minha familía, do meu ministério, da paróquia onde estou”.

Tem sugestões ou denúncias? Mande um e-mail para giorgia.cavicchioli@gmail.com.

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