A mentira como arma estratégica dos inimigos da Petrobras

Desde sua fundação em 1953, na descoberta do pré-sal em 2006 e na atual escalada entreguista, as falácias contra a empresa são recorrentes.

Carlos Drummond, via CartaCapital em 12/3/2019

Não é fácil convencer o brasileiro a abrir mão da Petrobras e outras estatais. É o que mostram inclusive pesquisas recentes com mais de 70% dos entrevistados favoráveis a essas empresas, ainda mais quando os argumentos utilizados são honestos e os fatos apresentados, verdadeiros, o que explica o uso recorrente da mentira por parte dos inimigos da maior e melhor empresa nacional, centro da mais importante cadeia produtiva do País, responsável por nada menos que 10% do PIB e 15% do investimento total.

Defender a Petrobras era prioridade número um do seu criador, o ex-presidente Getúlio Vargas e uma das razões do seu suicídio, explicitada na famosa carta-testamento. Caso o criador do Brasil moderno, concretizado também em instituições como a Consolidação das Leis Trabalhistas, a carteira do trabalho, o BNDES, o IBGE, abrisse mão da petroleira nacional, a história seria outra, é possível concluir a partir de texto do jornalista José Augusto Ribeiro publicado no site Conversa Afiada. Em 1954, ano do seu suicídio, Vargas sofria pressões violentas acusado de favorecer a corrupção e o avanço do comunismo, neste caso por seu projeto econômico desenvolvimentista, com avanço salarial dos trabalhadores e sua proteção pela legislação trabalhista. Destacava-se nos ataques diuturnos ao presidente veiculados pelos Diários e Emissoras Associados, monopólio de mídia comandado por Assis Chateaubriand, o jornalista Carlos Lacerda, que pregava a renúncia ou a deposição do chefe do Executivo.

Certo dia, conta Ribeiro, o subchefe do Gabinete Militar da presidência, general Mozart Dornelles, procurou Chateaubriand, de quem era amigo desde a Revolução de 1930, para saber o motivo do ódio intenso contra Vargas na campanha de Lacerda nos veículos de comunicação do empresário. Resposta de Chateaubriand:

“Mozart, eu adoro o presidente, sou o maior admirador dele. É só ele desistir da Petrobras que eu tiro o Lacerda da televisão e entrego para quem ele quiser, para fazer a defesa dele e do governo.”

Mentiam, portanto, Lacerda e a rede de Chateaubriand ao apresentar como principais causas dos ataques a Vargas o favorecimento à corrupção e ao comunismo, pois o verdadeiro motivo da campanha contra o governo era sua defesa da autonomia energética do País assegurada pela Petrobras, o que permitiria desenvolver uma indústria nacional e assim superar a dependência de combustíveis e de manufaturados importados, situação subalterna que era e continua a ser do mais alto interesse do capital internacional e dos seus eternos defensores no Brasil.

A morte de Vargas e a imensa reação popular que se seguiu postergaram o golpe militar por dez anos e a Petrobras ampliou-se respaldada pela ala nacionalista das Forças Armadas até que na década de 1990 o governo Fernando Henrique Cardoso, em uma história conhecida e lamentável, iniciou a desconstituição sistemática da petroleira brasileira. A eleição de Lula, seguida de grandes investimentos na capacidade de prospecção, exploração, pesquisa, desenvolvimento e tecnologia própria da companhia possibilitou a descoberta, em 2006, da riqueza das reservas de petróleo e gás da camada suboceânica do pré-sal.

Coube então ao monopólio da Rede Globo, sucessor do monopólio dos Diários e Emissoras Associados, perpetrar mais uma grande mentira, em perfeita sintonia com os interesses das concorrentes estrangeiras da Petrobras, no título do editorial do jornal O Globo publicado dia 20 de dezembro de 2015:

“O pré-sal pode ser patrimônio inútil”.

Seguia-se este subtítulo:

Delírio estatista do PT atrasa exploração das reservas, corrupção desestabiliza Petrobras e queda do preço do petróleo deve inviabilizar a produção em algumas áreas”.

Mentiu o editorial de O Globo no ataque à mais importante descoberta petrolífera dos últimos tempos a partir de tecnologia inédita brasileira para exploração em águas profundas e ultraprofundas, capaz de proporcionar autonomia petrolífera ao País com sua imensa reserva de óleo e gás, suficiente para um grande impulso desenvolvimentista a partir da cadeia produtiva que inclui refinarias próprias e ampla capacidade da indústria nacional na construção de plataformas e navios, entre outros equipamentos.

A reviravolta do golpe de 2016 foi acompanhada de enorme pressão sobre a Petrobras para venda de refinarias, redes de dutos, campos de petróleo, indústria do setor petroquímico e do próprio pré-sal, este agora com nada menos de 75% já transferidos para petrolíferas estrangeiras. O governo Bolsonaro e os militares entreguistas aprofundam o desmonte da grande obra de Vargas e novos coadjuvantes se destacam nessa desconstituição, a exemplo do Instituto Brasileiro do Petróleo, notório defensor dos interesses estrangeiros no setor.

A crer na notícia publicada pela Gazeta Online em 17 de fevereiro de 2019, a palestra do secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho, proferida na Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo, aumentou o rol de mentiras contra a Petrobras. O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Felipe Coutinho, contestou ponto a ponto no site da entidade os principais trechos da fala do representante do IBP veiculada pela Gazeta Online, em texto que reproduzimos abaixo:

IBP: “Os investimentos potenciais na cadeia do petróleo no Brasil em dez anos devem atingir R$2,5 trilhões”.

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