Elo suspeito entre Curitiba e EUA foi exposto pela defesa de Lula em 2016

A questão é que toda a jogada da Lava-Jato para conquistar o fundo bilionário – que por si só é recheada de controvérsia e questionamentos jurídicos – pode ter nascido de cooperação irregular com os Estados Unidos. Pois, ao que tudo indica, a troca de informações não obedeceu aos trâmites formais e tampouco passou pela autoridade central brasileira, o Ministério da Justiça.

Via Jornal GGN em 10/3/2019

A falta de transparência e a possibilidade de existir ilegalidades na cooperação internacional entre a Lava-Jato de Curitiba e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) foram denunciadas pela defesa do ex-presidente Lula, durante o julgamento do caso triplex, ainda no final de 2016.

No final daquele ano, o então juiz Sérgio Moro, atendendo aos interesses dos procuradores da República que atuam na operação Lava-Jato, começou a censurar a resposta de delatores premiados sobre cooperação, formal ou informal, em investigações dos EUA contra a Petrobras.

Dois anos depois, em setembro de 2018, a Petrobras teve de assinar um acordo com o DoJ para evitar um processo em solo norte-americano. Para levar à estatal a concordar com o acordo, o Departamento formulou uma denúncia contra a empresa com ajuda da Lava-Jato. O GGN apurou pelo menos 5 delatores emprestados da operação foram citados no documento das autoridades norte-americanas, mas os nomes foram mantidos sob sigilo.

Em decorrência do acordo, a Petrobras depositou em conta ligada à Lava-Jato cerca de R$2,5 bilhões, que agora os procuradores querem usar para financiar uma fundação de direito privado.

A questão é que toda a jogada – que por si só é recheada de controvérsia e questionamentos jurídicos – pode ter nascido de cooperação irregular com os Estados Unidos. Pois, ao que tudo indica, a troca de informações não obedeceu aos trâmites formais e tampouco passou pela autoridade central brasileira, o Ministério da Justiça.

Uma das provas de que a Lava-Jato não quer esclarecer como se deu a cooperação contra a Petrobras foi o de Eduardo Leite, da Camargo Corrêa. Ele chegou a admitir que foi sondado por procuradores de Curitiba sobre o interesse em ajudar os EUA nas investigações. No mesmo instante em que começou a revelar os bastidores, o procurador Diogo Castor de Mattos pediu a Moro que interrompesse as perguntas.

À Folha, o advogado Cristiano Zanin, da defesa de Lula, disse que “a revelação feita em audiência de que o Ministério Público Federal estaria trabalhando junto com autoridades norte-americanas parece não estar de acordo com o tratado que o Brasil firmou em 2001 com os EUA que coloca o Ministério da Justiça como autoridade central para tratar esse tipo de questão.”

Diante das suspeitas levantadas, a resposta do MPF foi silêncio. Os procuradores alegaram que a cooperação é “sigilosa” e não comentaram o caso.

A defesa de Lula entrou na Justiça para ter acesso a mais informações sobre o acordo com os EUA que beneficiou a Lava-Jato.

Leia mais: Moro impede testemunha de falar sobre elo suspeito entre a Lava-Jato e EUA

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