Presidente do Banco do Brasil diz que problema da Educação são as crianças pobres e defende “amplo controle de natalidade”

Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil.

Vinícius Segalla, via DCM em 10/3/2019

“Não me sinto confortável em mostrar, mas temos de
expor a verdade para a população ter conhecimento e
sempre tomar suas prioridades.”

A frase acima, escrita pelo presidente Jair Bolsonaro em uma postagem em rede social, serve agora para este repórter que, ainda atônito, dá início ao texto que vai abaixo.

Em verdade, é pouco necessário acrescentar qualquer coisa, as transcrições que seguem falam por si.

O economista Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, acredita que os seres humanos são divididos em raças, e que algumas são superiores a outras.

Acredita também que a má colocação do Brasil em rankings internacionais de educação se deve não aos problemas do sistema de ensino do país, mas sim em virtude das crianças que nele estudam.

Sim, ele acredita, e afirma em palestra e escreve em sites públicos, que as crianças brasileiras vindas de famílias pobres é que são o verdadeiro problema do sistema de ensino do país.

É que elas já chegam na escola malnutridas e com má formação neuronal. Elas já chegam na escola com problemas físicos cerebrais, tudo em virtude de suas famílias desestruturadas, de sua subnutrição.

A partir daí, não há escola que dê jeito. Eis aí o grande problema da educação no Brasil.

Não há qualquer margem de interpretação no que aqui se informa.

Essas foram suas palavras, proferidas em uma palestra em outubro de 2017, em que os ouvintes eram os membros do conselho técnico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Essas palavras estão registradas no site do Instituto Liberal, em forma de um artigo publicado pelo próprio Novaes, dividido em três partes. Até a publicação desta reportagem, elas poderiam ser lidas nos links Parte 1, Parte 2 e Parte 3

Se, quando o internauta estiver lendo esta reportagem, o presidente do BB já tiver tirado os textos do ar, eles sempre poderão ser lidos nesta página.

O título da palestra é “A Demografia Perversa”. Ciente de que o que estava prestes a dizer poderia chocar seres humanos, ele já começa alertando:

I – INTRODUÇÃO
Alerto que vamos, hoje, transitar por tema delicado. Em tempos atuais, a ciência, a busca da verdade dos fatos, tem se curvado à ditadura do politicamente correto. Somos, em razão de gênero, etnia, origem social, nacionalidade etc., diferentes e temos diferentes aptidões. Mas, reconhecer diferenças e melhores aptidões passou a ser pecado imperdoável. Somos quase forçados a rejeitar comparações que possam conferir a qualquer grupo de pessoas uma melhor qualificação para o atingimento de determinados propósitos.

Na sequência, Novaes, PhD em economia pela Universidade de Chicago, colaborador do Instituto Liberal/RJ, ex-professor da EPGE/FGV, diretor do BNDES e presidente do Sebrae, como ele mesmo se define na página em que mantém publicado seu artigo, passa a discorrer sobre questões ligadas à imigração no continente europeu.

O que ele disse a respeito do tema é simplesmente assustador, como poderá constatar quem tiver coragem de ler. Mas é sobre o que ele disse depois disso que trata esta reportagem.

A segunda parte da palestra tinha o título “A demografia perversa: as características do Brasil”. Ele começa expondo números sobre o crescimento populacional brasileiro ao longo da história.

Informa alguns dados sobre alterações na pirâmide etária do país e sobre correntes migratórias que o Brasil recebeu no decorrer dos séculos.

Explica também que, antigamente, o número de habitantes do país crescia não só em virtude das altas taxas de natalidade, mas também em decorrência dos fluxos de imigrantes.

Em contrapartida, já desde de “um passado recente”, diz ele, a população não está mais crescendo com a imigração, em que pese ela não tenha deixado de existir.

Isso porque também estão migrando, na mesma proporção, cidadãos brasileiros para o exterior.

Mas, atenção! Isso não significa que não estamos perdendo nem ganhando. Na realidade, estamos perdendo! Fala Novaes:

“Devemos repetir que no passado recente os fluxos migratórios de entrada e saída praticamente se anularam, nada representando para o crescimento da população. Se de um lado recebemos, da Ásia, chineses e coreanos; da América, bolivianos, haitianos e venezuelanos; e, da África, ganeses e senegalenses, estamos por outro lado perdendo, em igual quantidade, jovens e famílias inteiras de elevado nível educacional para os EUA, Portugal e Canadá. Não é um jogo de soma zero, no entanto, pois as nossas crises de natureza econômica, moral e de segurança estão nos fazendo perder liquidamente pela maior qualidade do capital humano que emigra para o exterior.”

Começam aí, segundo Novaes, os problemas que levam o Brasil a ter baixas colocações nos rankings de ensino internacionais. Mas não param por aí. Estão longe de parar por aí.

O economista passa a discorrer, então, sobre a curva de crescimento populacional brasileira.

Ele explica que estamos passando por uma desaceleração deste crescimento, e que isso se dá graças ao processo de urbanização, aumento nos índices de alfabetização e escolaridade e progresso econômico e social como um todo.

Mas, atenção! As diferentes fatias da sociedade brasileira estão reduzindo seu crescimento em ritmos distintos. Uns ainda têm muitos filhos. Outros, menos. Fala Novaes:

“As classes mais pobres estão acompanhando a tendência histórica de contração, mas ainda lideram com folga a produção de crianças, digo eu. Meus bisavós tiveram em média 8 filhos. Meus avós baixaram a média para 5 filhos. Meus pais e os pais de Regina, minha esposa, tiveram 4 filhos. Na minha geração, computados irmãos e cunhados, baixamos para 2 filhos por casal. E a geração abaixo dificilmente se aproximará da média de 1,5 filho por casal. Este quadro se repete quando converso com amigos próximos e é quase certo que se reproduza com a quase totalidade dos conselheiros aqui presentes, originários de famílias bem estruturadas, onde imperam bons princípios de convivência humana trazidos de civilizações avançadas.”

Assim, Novaes e os demais originários de civilizações avançadas estão reduzindo rapidamente sua taxa de fertilidade. Outros, nem tanto:

“Voltando às diferenças de comportamento, o Censo mais recente confirma que são maiores as taxas de fecundidade para mulheres com menor grau de instrução e menor renda. É verdade que a média para mulheres sem instrução e com ensino fundamental incompleto se reduziu de 3,43 filhos, em 2000, para 3 filhos, em 2010. Mas ainda assim é bem maior que a média de 1,14 filhos apresentada por mulheres com curso superior completo em 2010.”

Então, a taxa de fecundidade de mulheres pobres é mais alta do que a das ricas. Por que isso se dá?

“Aqui para o nosso Rio de Janeiro, segundo estudo da FGV-DAPP, constatou-se que 61,6% das mães eram solteiras no momento do nascimento dos bebês. Nada a ver com emancipação das mulheres, com mulheres independentes que conscientemente decidiram criar seus filhos fora da estrutura tradicional da família, em que a figura do pai tem papel relevante. Melhor seria raciocinar com a imagem de meninas adolescentes de periferia que tiveram relação sexual com os valentes locais. Ou com o ambiente de penitenciárias onde detentas ou namoradas de presidiários ostentam a sua gravidez.”

Devidamente explicados os fenômenos demográficos por que passa o país, Novaes passa a discorrer sobre as consequências que tal fenômeno acarreta:

“A dura realidade é que uma elite em termos de educação lato sensu está encolhendo e ficando cada vez mais em minoria, diante de uma população que só cresce onde as condições de apoio familiar para a formação das crianças são tremendamente precárias.
“Não é uma questão apenas de renda, mas principalmente de saber se há, para as crianças que nascem, uma estruturação familiar que permita nutrição adequada, transmissão de bons princípios e apoio educacional. E se há um ambiente externo à família capaz de oferecer segurança e bons exemplos de vida para as crianças.”

Dessa maneira, se encerra a segunda parte da palestra.

A terceira e última parte da exposição do presidente do Banco do Brasil se dedica a analisar não mais a educação brasileira, seus problemas, causas e consequências, mas sim a própria Criança, ou seja, o conjunto heterogêneo de indivíduos que passa pelo sistema de ensino nacional.

Isso já se sabe logo pelo título: “A demografia perversa: a situação das crianças no Brasil”.

De pronto, Novaes afirma: é porque as mulheres pobres têm mais filhos do que as ricas que nossa posição no ranking mundial da educação está caindo.

Ele explica o raciocínio: o problema são as nossas crianças. A maioria já chega na escola com defeito de fábrica:

“O processo produtivo da Educação é sui generis já que a criança está ao mesmo tempo na matéria-prima e no produto final. É a mesma criança em dois estágios diferentes de vida. Como em qualquer produção, se a matéria prima não é boa, o produto final, criança educada, também não o será.
Há de se ter coragem para aceitar que boa parte do problema está na própria razão maior do processo educacional: a criança. É ‘politicamente incorreto’, pode parecer elitista e de mau gosto, mas é forçoso reconhecer que escolas e professores não podem fazer milagres diante de uma multidão de estudantes com sinais evidentes de deficiência cognitiva para aprendizados mais complexos.”

Tais deficiências, explica o economista, alcançam mesmo o cérebro dessas crianças pobres:

“As estatísticas mostraram que cada vez mais os nascimentos acontecem em lares mal estruturados, onde são precárias as condições de apoio à boa formação intelectual e moral das crianças. Muitos dos filhos assim nascidos são fruto de gravidez não programada e indesejada.
Ora, é nos primeiros estágios de vida que se formam os neurônios. Má nutrição e/ou ausência de estímulos mentais adequados durante os primeiros estágios de vida geram handicaps cognitivos que tornam quase impossível o desempenho escolar satisfatório dos jovens, mais adiante. E o apoio do Estado, quando chega em creches ou na pré-escola, já chega tarde demais.”

Então, Novaes, já próximo a apresentar qual seria a solução para o mal que assola a Educação no Brasil, informa ainda que essas crianças que não conseguem ir bem na escola são as mesmas que tendem a tornar mendigos ou criminosos na vida adulta.

A palestra está quase no fim. É hora de dar o remédio para sanar tudo que foi narrado: um “amplo controle” da taxa de natalidade da população pobre.

“A Teoria Econômica nos ensina que cabe a intervenção governamental quando certos atos geram impactos, sobre terceiros, não levados em conta pelo agente primeiro da ação. Quando uma família dá vida a crianças que serão abandonadas, está impondo um ônus à toda a sociedade que arcará, em última análise, com as consequências indesejadas de seus atos.
Estas ‘externalidades negativas’ justificam a adoção de um amplo programa de incentivos à contenção
voluntária da natalidade, direcionado para segmentos fortemente carentes da população, visando à universalização das possibilidades de planejamento familiar. Qualquer gasto nesta área será sobejamente superado pela economia que se fará com despesas sociais ou policiais futuras.”

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