Dória e Covas usaram apenas um terço da verba de combate a enchentes em 2017 e 2018

Obras de piscinões também foram paralisadas. São Paulo tem 601 pontos de alagamento na segunda-feira [11/3].

Rodrigo Gomes, via RBA em 11/3/2019

Em 2017 e 2018, a gestão do ex-prefeito e atual governador paulista, João Dória, e de seu sucessor, Bruno Covas, ambos do PSDB, gastou cerca de um terço de toda a verba orçada para combate a enchentes e alagamentos na cidade de São Paulo. De R$824 milhões destinados à realização de drenagens, só R$279 milhões (38%) foram gastos. Em obras e monitoramento de enchentes, estavam previstos R$575 milhões, mas R$222 milhões (35%) foram gastos. Hoje, a capital paulista registrou 601 pontos de alagamento, congestionamentos gigantescos, com interdição das pistas expressa e central da Marginal Tietê e da Avenida do Estado.

Apenas em 2016, a gestão de Fernando Haddad (PT) gastou R$393 milhões. O ex-prefeito também iniciou as obras de 26 piscinões, dos quais três foram entregues, 15 estão com as obras em ritmo lento e oito estão paralisados desde que Dória e Covas assumiram a prefeitura. O investimento foi praticamente zerado na área em 2017 e 2018. A gestão tucana culpa o governo federal pela falta de repasses para conclusão das obras. Mas o gasto com recapeamento de vias foi multiplicado seis vezes entre 2017 e 2018: de R$44 milhões para R$293 milhões.

Em artigo escrito há dois meses, a urbanista Raquel Rolnik ressaltava que as enchentes em São Paulo são uma opção política. “Examinando os números da execução orçamentária da prefeitura de São Paulo fica clara não a falta de recursos, mas a decisão do que deve ser priorizado. No caso de São Paulo foram simplesmente zerados os investimentos em obras contra enchentes e uma enorme soma foi mobilizada para pavimentação de vias – aliás concentrada em 2018. Parece então que estas – e as enchentes que virão a cada ano – não são uma fatalidade divina, mas claros produtos de opções de política urbana”, escreveu.

Além das ações e obras para combater enchentes, Dória e Covas também reduziram os gatos com a varrição de ruas, a quantidade de lixo recolhido e a capinação. A coleta de lixo foi reduzia em, aproximadamente, 15%, em 2018. Varrição, capinação e lavagem de ruas foram reduzidas em 19%, no mesmo ano. Ao mesmo tempo, as reclamações por falta de limpeza, por meio da Central 156, subiram 30%. Na sexta-feira, Covas pediu licença da prefeitura por sete dias, “por motivos pessoais”.

Apesar de Dória e Covas alegarem problemas financeiros, ambos foram beneficiadas com um significativo aumento da arrecadação de impostos. Entre 2016 e 2018, as receitas correntes – IPTU, ISS, ITBI, ICMS, IPVA – cresceram 12,5%, no conjunto. Apesar disso, a gestão Covas manteve baixos os investimentos na cidade, em áreas como saúde, educação, controle de enchentes, transporte e também os serviços realizados pelas subprefeituras. O caixa da prefeitura, porém, chegou a receber R$7,3 bilhões, maior valor dos últimos seis anos.

Os dados do orçamento indicam que arrecadação superou em R$300 milhões o estimado pela gestão Covas para 2018. Mesmo assim, o investimento total foi de R$1,8 bilhão. Em 2017, a situação foi mais grave, com investimento de apenas R$1,3 bilhão. Em 2016, último ano da gestão de Haddad, os investimentos foram de R$2,6 bilhões, 44% a mais que no ano passado.

***

Segunda-feira [10/3], Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na região da Vila Prudente.

A DOENÇA DO CAPITALISMO
O Estado de São Paulo, governado há 26 anos pelo PSDB, está em calamidade pública por conta da forte chuva que caiu. O governo tucano corre para dizer que a culpa é da chuva, mas sabemos que não é”.
Marcelo Hailer, via Revista Fórum em 11/3/2019

Diariamente saio para caminhar por volta das 7h/7h30, atualmente vivo em um bairro de classe média falida na zona leste de São Paulo, a Vila Prudente, no caminho que faço para chegar até o parque onde realizo atividades físicas, passo por duas importantes avenidas que ligam a ZL com o resto da cidade de São Paulo: Av. Vila Ema e Av. Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello. É simplesmente um cenário apocalíptico o estado dessas avenidas pela manhã – hoje em dia em qualquer horário – mas pela manhã se amontam carros, ônibus superlotados, muita buzina e fumaça… Tenho certeza que 99% das pessoas estão no meio desta barbárie obrigadas e o nome disso é capitalismo.

E hoje, segunda-feira real oficial pós-carnaval, a barbárie já se deu logo na porta de casa quando, pelo motivo de um carro subir a rua na contramão e o outro veículo que vinha na mão indicada pela placa teve um surto e começou e xingar o motorista que vinha na contramão. Fiquei imaginado o estado mental dessas pessoas logo cedo e o resto de seus respectivos dias, sejam aquelas que trafegam em veículos particulares, sejam aquelas que trafegam em veículos coletivos.

A cidade e a construção da doença mental
Na Vila Prudente se dá o fato de ser um bairro muito antigo, estreito e que foi se planejando, ao longo de sua história, em torno de casas e de alguns parcos edifícios. Esta situação se inverteu nos últimos dez anos: as antigas casas foram demolidas e deram lugar a enormes construções/edifícios, porém, o bairro não comporta o número de pessoas que hoje vive por aqui, logo, caos e barbárie nas vias internas. Sem contar que, quando chove, enchente.

Esse processo não é exclusividade da Vila Prudente, ele também se dá com os bairros Parque São Lucas e São Mateus (ambos na zona leste); cabe lembrar que este mesmo processo destruiu bairros como o Tatuapé e Vila Alpina, enfim, toda essa gente desemboca parte na Av. Vila Ema e parte na Av. Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello para poder chegar na região central ou Jardins da cidade de São Paulo.

O modelo de vida que o capitalismo produz nas cidades simplesmente não pode continuar, pois, ele vive de curar e adoecer as pessoas: vou ao médico, este me receita psicotrópicos para acalmar, desta maneira toda uma indústria ligada à questão da ansiedade e da depressão se retroalimenta desta situação barbárica das grandes cidades, mas que também começa a atingir as cidades de porte médio.

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