Para atacar jornalista alemão, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, compara Alemanha ao nazismo

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, e Philipp Lichterbeck, jornalista alemão.

Via Brasil 247 em 7/3/2019

Generalizar não é uma conduta somente do presidente Jair Bolsonaro. O seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacou a Alemanha comparando o país com o nazismo de Hitler para criticar um artigo publicado pela edição brasileira da Deutsche Welle, que aponta a suposta relação do governo com milícias e corrupção.

Ironicamente Salles se irritou – sublinhando os trechos que não gostou – com o fato do artigo afirmar que o governo Bolsonaro é composto por “pessoas que agem e falam com arrogância e crueldade”, que “riem quando morre uma criança de sete anos” [em referência ao neto do ex-presidente Lula], que “comemoram quando a polícia comete massacres em favelas, quando morrem ambientalistas ou vereadoras negras”.

Para rebater, Salles disse que o cenário descrito no artigo era semelhante ao da Alemanha na época do nazismo. “Essa sua descrição se parece mais com o que a própria Alemanha fez com as crianças judias e tantos outros milhões de torturados e mortos em seus campos de concentração”, escreveu o ministro.

Seguidores do ministro o alertaram que os comentários foram injustificáveis. “Ministro, se o senhor não gosta da colocação de um jornal, não generalize e critique um país inteiro. Um país que, inclusive, deveria servir um pouco mais de referência ao senhor na área de meio ambiente. Um abraço”, escreveu um internauta.

Salles disse que não falou do povo alemão, mas sim de uma rede pública de comunicação da Alemanha. “Essa rede não pode denegrir um outro país desse jeito em sua página oficial”, disse Salles. “Isso não tem nada a ver com discussão sobre meio ambiente. É ofensa pura e simples”, complementou o ministro.

***

JORNALISTA ALEMÃO REBATE MINISTRO DE BOLSONARO: “BRASIL NUNCA FOI CAPAZ DE SE DISTANCIAR DA DITADURA”.
“O nazismo foi derrotado há mais de 70 anos. E o que existe hoje na Alemanha é uma forte tendência em alertar sobre regimes antidemocráticos, regimes que muitas vezes violam os direitos humanos, pregam um nacionalismo agressivo e criam inimigos internos”, disse Philipp Lichterbeck, que vive no Brasil desde 2012.
Via Revista Fórum em 7/3/2019

O jornalista alemão Philipp Lichterbeck, da Deutsche Welle, rebateu na quinta-feira [7/3] às críticas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que tuitou que a Alemanha foi responsável pelo nazismo para tentar desqualificar uma reportagem que tece inúmeras críticas à política ambiental que vem sendo adotada pelo ministro e pelo governo Jair Bolsonaro.

Após dizer que, com seu post no Twitter, o ministro não respondeu aos fatos citados “sobre uma política que é antiambiental”, preferindo falar sobre o passado alemão, Lichterbeck, que vive no Brasil desde 2012 e escreve para diversos jornais da Alemanha, buscou duas frases que marcaram várias gerações na resistência ao nazismo para rebater Salles.

“Nie wieder!” (“nunca mais!”) e “Wehret den Anfängen!” (algo como “resista desde o começo!).” O Brasil, pelo contrario, nunca foi capaz de se distanciar da sua ditadura”, disse o jornalista.

Segundo ele, Salles usa uma comparação “desproporcional”. “O nazismo foi derrotado há mais de 70 anos. E o que existe hoje na Alemanha é uma forte tendência em alertar sobre regimes antidemocráticos, regimes que muitas vezes violam os direitos humanos, pregam um nacionalismo agressivo e criam inimigos internos”.

Lichterbeck diz ainda que é o próprio governo quem prejudica a imagem do Brasil no exterior “com as suas afirmações incoerentes com o seu jeito pouco profissional de comunicação”.

“Costumo ser acusado de retratar o Brasil de forma negativa quando falo sobre o retrocesso da política ambiental que, segundo muitos especialistas, está acontecendo. É o próprio governo está prejudicando a imagem do Brasil: com as suas afirmações incoerentes com o seu jeito pouco profissional de comunicação.”

Independente
Procurado pela reportagem da Deutsche Welle, o ministro disse que não enxergou a coluna como uma crítica ambiental, mas como uma “ofensa pura e gratuita, atacando de certa forma o governo brasileiro como um todo”.

“Vocês deixaram publicar uma matéria dessas. Vocês são um órgão público alemão, não são? Vocês permitiram que um órgão público alemão fizesse essa crítica ao Brasil”, disse Ricardo Salles, por telefone.

A Deutsche Welle informou na reportagem que é a empresa de comunicação internacional da Alemanha. “Ela é financiada com recursos públicos, e seu orçamento é definido pelo Bundestag (Parlamento). Como todas as emissoras públicas alemãs, a DW tem total liberdade editorial e pratica um jornalismo independente”.

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