Lula sobre o aceno ao público: “O senhor sabe que eu devia”.

Mas o sábio Lula apenas respondeu: “O senhor sabe que eu devia”. E mais não disse, talvez abalado pela sua perda mais recente.

Rui Daher, via Jornal GGN em 3/3/2019

Inspiraram-me neste texto o escrito pela minha editora e redatora-chefe do GGN, Lourdes Nassif. Como ela que manda, deixo a seu cargo publicar, ou não. De qualquer forma, a emoção de seu texto continuará em mim:

“Tá trombetejando horrores. Querido Lula, resolvi te escrever, já que a natureza também grita. Passei o dia trabalhando, tentando desviar o foco da sua tristeza. Não consegui. Metade de mim era caos e a outra metade desalento. Acompanhei todos os filmetes que consegui focando no velório. Vi mais de uma vez sua chegada e sua saída. Noticiei suas palavras e as palavras de conforto que recebeu. Acompanhei as bobagens que a direita raivosa publicou. Noves fora, estou um caco. Eu, simples cidadã, pude acompanhar meu presidente em tantas situações, da dor ao grito. Eu, como cidadã e humana, pude sentir sua dor e imaginar o que vai por sua cabeça. Delete os minions, te peço. Foque em você. Fique forte! Sobreviva por todos nós! Precisamos de você.

Consta que um delegado da Polícia Federal (PF, prato feito?), terno e gravata, ao aceno de Lula às pessoas que compareceram ao funeral de Arthur, seu neto, ouviu a admoestação: “O senhor sabe que não devia ter feito isso”.

Em seu lugar, desequilibrado, sem a força que tem para aguentar as injustiças e tragédias que o afligem desde que se tornou o maior e melhor presidente do Brasil (até Getúlio já coloco atrás dele), este acima assinado teria respondido, TNC.

Mas o sábio Lula apenas respondeu: “O senhor sabe que eu devia”. E mais não disse, talvez abalado pela sua perda mais recente.

Em seu lugar, fixaria os olhos no merda, e desenharia um grande H, de Harmônica. Diante de seu olhar interrogativo, daria uma piscadela e ele já saberia seus últimos momentos de vida, cruéis, lentos e dolorosos.

Então, continuaria. “E sabe, por quê? Acenei para o povo que aprovou em mais de 80% meus dois mandatos. Reelegi duas vezes minha sucessora. Que me elegeria presidente nas últimas eleições, não fossem as provas forjadas e a covardia de alguns membros do Supremo Tribunal Federal para que eu não pudesse concorrer. Ou o conluio entre vocês da Polícia e do Ministério Público Federal com a Rede Globo e demais órgãos da mídia cartelizada, interessada nas receitas do mercado financeiro, por que a indústria, o comércio e os serviços, o ajuste de fiscal foderam (aí, creio, estaríamos eu e ele usando o mesmo vocabulário).

A esta altura, o delegadinho já estaria cercado de policiais armados de metralhadoras, como se rumo à fronteira venezuelana. Corto o saco, cagões que são. Já viram como 15 deles cercam os neguinhos de canelas finas, sandálias, bermudão e camiseta para prendê-los? Imaginem diante das guardas bolivarianas de Maduro, e sem o pele-laranja, Trump, a resguardá-los.

Talvez, continuasse: “Demos, eu e Dilma, toda a possibilidade investigativa, fato que não tiveram com nossos antecessores. Ganharam mais. Inaugurei a sede onde hoje me mantêm preso. Cadê provas que não delações premiadas. Pois bem, vou delatá-lo: dizer que você estava praticando felação com o piloto do helicóptero. E daí? Vai negar. Qual meu prêmio? Ou irá como vilões históricos e descomprometer-se, como fizeram os nazistas Goebbels, Goehring, Eichman, Himmler, e caterva, “cumpríamos ordens do chefe, Hitler”?

Um pouco mais longe: “Quem nos deu soberania diante do mundo hegemônico, liderança na América do Sul, descentralizou as exportações, tirou 40 milhões de pessoas da extrema pobreza, mesmo fazendo os ricos ainda mais ricos, instalou programas educacionais mais inclusivos, promoveu crescimento econômico, o desemprego cair a 4%, a agricultura familiar se fortalecer com o Pronaf. Quer mais?”

Um policial, vestido para combate da guerrilha que aconteceria em São Bernardo do Campo, encostaria a ponta da metralha em minha testa.

Safo, eu viraria para o lado e gritaria: “Salve Dr. Moro! Bom que tenha surgido com seu bom senso, em momento tão tenso”.

Todos recuaram.

– Deixem-no à vontade. É um momento lamentável e de dor. Respeitemos, o ministro Gilmar Mendes está na linha e quer falar com ele.

REDES SOCIAIS

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: