Suspeitas contra Aloysio Nunes e Paulo Preto só aparecem um ano depois na “grande mídia”

As suspeitas apuradas demoraram quase um ano para sair à imprensa, já que o conteúdo é datado de abril de 2018.

Patricia Faermann, via Jornal GGN em 28/2/2019

O ex-ministro das Relações Exteriores e ex-senador Aloysio Nunes (PSDB) entrou para mais uma mira de investigações de supostos ilícitos do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Uma série de reportagens publicadas pelo Estadão, na quinta-feira [28/2], aponta o envolvimento recorrente do tucano. Mas as suspeitas apuradas demoraram quase um ano para sair à imprensa, já que o conteúdo é datado de abril de 2018.

Uma das matérias narra que o ex-diretor da Dersa, conhecido por ser o operador de esquemas criminosos do PSDB, Paulo Preto, preparou um diário de cárcere enquanto estava preso, no ano passado, revelando a sua intimidade com Aloysio.

“Solicitei ao adv Santoro para falar com Aloysio ligar para minha casa e dar um apoio moral, contei a conversa da Pri e Ana Flávia na carta”, diz trecho do documento pessoal. Na época, o operador era alvo da investigação de desvio de R$7,7 milhões do programa de reassentamento do Rodoanel Sul, obras dos governso do PSDB em São Paulo.

Paulo Vieira foi solto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em diversas ocasiões, retornando à prisão por determinação da justiça de primeira instância. Hoje, permanece detido como alvo da Lava-Jato de Curitiba, que aponta lavagem de dinheiro de R$130 milhões em contas no exterior, que teria abastecido ex-diretores da Petrobras e políticos.

Aloysio não foi citado somente na correspondência pessoal de Paulo Preto. O acusado já convidou o ex-ministro como testemunha de sua defesa e entre as investigações de lavagem em contas no exterior, o tucano foi um dos beneficiários de cartões de crédito emitidos pelas contas sob suspeita, e foi mencionado, inclusive, em documentos enviados pelos bancos suíços.

Paulo Preto solicitou um cartão para o ex-senador, informou o banco Bordier & Cie, de Genebra, após o envio de documentos e e-mails dos bancos suíços, por meio do Ministério Público do país, aos procuradores do Brasil. O cartão, carregado com 10 mil euros, teria sido enviado ao tucano, ainda que não levasse a titularidade impressa no cartão.

Os investigadores suíços foram quem tomaram a iniciativa de enviar os arquivos suspeitos de Paulo Preto aos procuradores da Lava-Jato do Brasil. Desde que as provas foram enviadas, partiu também da Suíça a continuidade de boa parte da coleta de provas e apurações levantadas.

E da mesma forma como a imprensa só tomou conhecimento dessas investigações, que tramitavam em segredo de Justiça, com anos de atraso – as primeiras informações de movimentações bancárias suspeitas do operador na Suíça datam de 2016, e ficando paralisado em novembro de 2017, quando a defesa de Vieira entrou com recursos para bloquear o compartilhamento de provas –, também chega um ano depois as novas informações dos investigadores de quando Aloysio ocupava cargo no governo Temer.

O objetivo dos investigadores da Suíça é revelar o caminho do dinheiro ilícito do operador que atuou para o PSDB entre 2007 e 2018. Até então o caso vinha sido julgado de maneira sigilosa pela Justiça brasileira. Mas a defesa do operador acabou revelando a apuração em um recurso dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O operador do PSDB mantinha R$130 milhões em contas na Suíça, relacionadas a offshores, entre elas, o Grupo Nantes. De acordo com os investigadores, ainda, parte dos pagamentos que chegavam no país europeu vinham das empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht. Ao todo, foram 11 cartões emitidos pelas contas de Paulo Vieira.

O cartão destinado a Aloysio Nunes foi emitido em 2007, quando ele era chefe da Casa Civil do governo de José Serra (PSDB) em São Paulo.

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