Sobre a exoneração de Ilona Szábo: “Moro é movido a likes”, diz presidente do Conselho de Direitos Humanos

Leonardo Pinho, presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Arquivo pessoal.

Leandro Prazeres, via UOL em 28/2/2019.

O presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho, criticou a medida adotada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, de tirar a especialista em segurança pública Ilona Szabó do CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária), um dia depois de sua designação para o cargo ter sido oficializada. “Esse episódio mostra que o governo é frágil e que temos um ministro da Justiça movido a likes em redes sociais”, disse Pinho.

Ilona Szabó, uma das fundadoras do Instituto Igarapé, com forte atuação em estudos sobre a segurança pública, foi convidada por Moro para compor o conselho. Sua designação para o cargo foi publicada na quarta-feira [27/2] no Diário Oficial da União.

Em nota, o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) pediu desculpas a Ilona e disse que a decisão de tirá-la do conselho se deveu à “repercussão negativa em alguns segmentos”.

A ida de Ilona para o conselho, entretanto, causou revolta em grupos conservadores contrários a alguma das posições defendidas pela especialista.

Militantes contrários a sua indicação criaram uma hashtag no Twitter: #ilonanão como forma de protesto.

A especialista, que é colunista do jornal Folha de S.Paulo, defende posições contrárias às adotadas pelo governo. Recentemente, criticou o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que flexibilizou as regras para a posse de armas, que foi uma das principais bandeiras de campanha.

Na avaliação de Leonardo Pinho, a sinalização que Moro envia com a saída de Ilona do conselho é de fragilidade no governo e de que vozes divergentes não terão espaço na atual gestão. “O sinal que isso envia é que temos um governo incapaz de resistir às pressões das redes sociais e que as vozes diferentes não vão ter muito espaço para diálogo na construção das políticas públicas que são importantes”, disse.

Mais reações
O Instituto Sou da Paz chamou de “desrespeito” a atitude de Moro. “Ilona é reconhecidamente uma das profissionais do campo da segurança pública mais empenhadas na construção de um Brasil mais justo e menos violento, além de oferecer experiência e formação acadêmica excepcional que a credenciam a ocupar assento no CNPCP”, afirmou a organização em nota pública.

Além disso, criticou a politização da composição de fóruns como este, afirmando que o governo “demonstra duplamente a fragilidade da democracia brasileira”, “enfraquece a capacidade de superação da grave situação de segurança pública” e “dá sinais claros da dificuldade tremenda em conviver com a diferença de ideias”.

***

MORO DISSE QUE “O PRESIDENTE NÃO SUSTENTAVA A ESCOLHA NA BASE DELE”, REVELA ILONA SZABÓ
Em entrevista ao Estado de S.Paulo, cientista política disse que o MBL ajudou a “reverberar” a pressão nas redes e que o ministro da Justiça lamentou a decisão e pediu desculpas por sua exoneração.
Via Revista Fórum em 28/2/2019

A cientista política Ilona Szabó, diretora do Instituto Igarapé, esteve envolvida em mais uma polêmica protagonizada pelo governo de Jair Bolsonaro. Na quarta-feira [27/2], ela foi nomeada por Sérgio Moro para integrar o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Porém, na quinta [28/2], depois de inúmeros protestos nas redes sociais de apoiadores de Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça voltou atrás e revogou a nomeação de Ilona.

Em entrevista a João Gabriel de Lima, para O Estado de S.Paulo, ela confirmou que quem a convidou para o cargo foi mesmo Sérgio Moro. “Ele me mandou um e-mail no dia 22. Dizia que eu seria suplente num primeiro momento, mas que suplentes e titulares seriam ouvidos igualmente, e que esperaria a primeira oportunidade para me tornar titular”.

Em outro trecho da entrevista, Ilona conta que tomou conhecimento de sua exoneração nesta quinta: “Soube hoje [28/2]. Ontem, quarta-feira, dia 27, estivemos com o ministro Sérgio Moro e sua equipe em Brasília. Ele havia feito esse convite já em Davos, mas ainda não havia concretizado por problemas de agenda. Expusemos os números e metodologias do Igarapé – como eu disse, temos, como o ministro, uma agenda técnica, de combate ao crime, sempre baseando-se em evidências. Foi uma conversa ótima”.

No entanto, o cenário mudou de quarta para quinta: “Hoje começaram os comentários nas redes sociais. Foi a polêmica do dia. Colocaram a história na rede, e o Movimento Brasil Livre (MBL) ajudou a reverberar. São grupos que precisam de inimigos, e por isso não estão comprometidos com o debate democrático. Hoje cedo eu estava sentindo a temperatura bastante quente. Mandei uma mensagem para a chefe de gabinete. O ministro Sérgio Moro me ligou de volta. Dado o clima, eu sabia que o risco existia. O ministro me pediu desculpas. Disse que ele lamentava, mas estava sendo pressionado, porque o presidente Bolsonaro não sustentava a escolha na base dele”.

Uma resposta to “Sobre a exoneração de Ilona Szábo: “Moro é movido a likes”, diz presidente do Conselho de Direitos Humanos”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    que coisa mais interessante,,é um tal d entra e sai, q a qq momento o Jair cai sozinho. ________________________________________

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