PF abre inquérito para investigar ministro do Turismo sobre candidaturas laranjas do PSL

Fux negou pedido de foro privilegiado de Álvaro Antônio e justiça de Minas continuará cuidando do caso; Justiça de Pernambuco também investiga suspeita de candidaturas laranjas no estado.

Via Jornal GGN em 28/2/2019

A Polícia Federal começa a investigar o esquema de candidaturas laranjas do PSL de Minas Gerais. O inquérito foi instaurado na quarta-feira [27/2] após o promotor Fernando Ferreira Abreu concluir as oitivas.

O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo que apurou também o mesmo esquema em Pernambuco e que deve gerar um segundo inquérito contra o PSL naquele estado.

Ontem [27/2], o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux negou o pedido do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio para que o caso passasse a tramitar na Corte e as investigações fossem suspensas, temporariamente, em Minas. Fux considerou o mesmo argumento da Procuradoria Geral da República, de que o caso não cabe foro privilegiado porque os supostos crimes foram praticados no âmbito da campanha eleitoral, não na condição de Álvaro Antônio como deputado federal, cargo que assumia antes de aceitar o convite para trabalhar com Bolsonaro no Planalto.

Entenda
Desde o início de fevereiro a Folha vem publicando uma série de matérias sobre a prática de candidaturas laranjas de ex-candidatas do PSL, levando o Ministério Público de Minas iniciar investigações no estado.

Na eleição de 2018, Álvaro Antônio era presidente do PSL em Minas e o ex-ministro Gustavo Bebianno presidente nacional do partido. O escândalo levou à queda do segundo, e criou um movimento dentro do partido para Bolsonaro demitir o ministro do Turismo. Mas, por enquanto, o governo se mantém calado sobre Álvaro Antônio.

Segundo a Folha, o atual ministro do Turismo tinha o poder de decidir quais candidatos seriam lançadas em Minas. Quatro candidatas receberam o total de R$279 mil de verba pública na campanha da legenda, ficando entre as 20 candidatas que mais receberam dinheiro no país inteiro. Entretanto, todas não realizaram uma campanha efetiva durante a eleição passada e somaram juntas cerca de 2.000 votos.

O jornal mostrou ainda que pelo menos R$85 mil enviados às candidatas laranjas foram destinados a quatro empresas de assessores, parentes ou sócios de assessores de Álvaro Antônio.

Em uma outra matéria, a Folha conversou com uma quinta candidata, Cleuzenir Barbosa. Ela se mudou com medo de represália do partido. A ex-candidata contou que foi cobrada para desviar parte da verba eleitoral que recebeu, mas se recusou a entrar no esquema.

As quatro candidatas laranjas tiveram a prestação de contas assinadas pelo mesmo advogado e contadores que já prestaram serviços à Álvaro Antônio. Eles informaram à Folha que assumiram o serviço a pedido da direção estadual da sigla.

Já em Pernambuco, a Folha mostrou que uma candidata recebeu R$400 mil de verba pública quatro dias antes da eleição. Praticamente todo o valor foi gasto em uma gráfica com endereço de fachada.

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