Entramos pelo cano ou o cano entrou em nós? De qualquer jeito, tá doendo

Donald Trump e Steve Bannon. Foto: El Pais.

É impossível calar diante da entrevista que Steve Bannon deu ao Valor, sucursal paulista de O Globo, em 7 de fevereiro.

Rui Daher, via Jornal GGN em 14/2/2019

Steve Bannon. Não, não ficarei apenas neste homem, não. Mas é impossível calar diante da entrevista que ele deu ao Valor, sucursal paulista de “O Globo”, em 07 de fevereiro. Em auto delação, o prêmio não sei, mas imagino altíssimo. Quem o entrevistou, por telefone, foi o jornalista Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte. Assim, para desespero e nojo geral:

“A grande imprensa e a esquerda marxista-cultural odeiam o capitão Bolsonaro do mesmo jeito que odeiam Trump”.

Sobre o papel do deputado Eduardo Bolsonaro: [Ele] tem carisma e compreensão para impulsionar nosso movimento na América do Sul […] como um contrapeso ao movimento de São Paulo, que é esse movimento cultural marxista”.

Socialismo: “As pessoas no Brasil já viram como o socialismo pode destruir a economia”.

Aproximação com EUA: “[…] a importância dos acordos de comércio bilateral […] há uma forte ênfase aqui [EUA] em se aproximar do Brasil”.

Imagem de Bolsonaro em Washington: “[…] principalmente em Wall Street há um enorme interesse no que acontece com as finanças do Brasil”.

Mourão: “[…] preocupa o general, parece que ele não entende o sentido e o propósito da revolução (sic) Bolsonaro”.

Como é vista nos EUA a agenda conservadora de Bolsonaro: desconversa em bullshits, citando Orbán (Hungria), Salvini (Itália), Marine Le Pen (França) e, claro, Trump. Volta, então, à “grande imprensa e a esquerda marxista cultural”.

Maduro e Venezuela: “[…] pode acabar [numa situação] muito sangrenta e anárquica […] a coisa vai ficar feia daqui pra frente”.

Esse homem fez o Brasil que temos hoje. Vocês votaram 17 pensando estarem votando no Mito e estavam votando no Myth.

Daqui em diante, retomo o que tivemos de 2003 a 2016: um programa de governo voltado para crescimento, inserção social, soberania, aumento de emprego, renda e consumo, produção familiar para o mercado interno, respeito internacional, diversificação de mercados internacionais. As aprovações populares, ao fim desses governos, não me desmentem.

Deixo a “babacaria” comprada por vocês, já comprovada pela equipe ministerial (?) escolhida, e vou a dois pensadores que, junto a muitos outros, inspiram minhas escritas. Não me alongarei, pois trata-se do que venho repetindo em vários textos.

José de Souza Martins, professor de Sociologia, na USP
“O rentismo gera lucros fáceis, mas não gera participação social e democrática. Enriquece alguns e empobrece muitos. Põe em risco a reprodução capitalista do capital. É o pai do autoritarismo”.

Dani Rodrik, professor de Economia Política Internacional da Faculdade de Governo John Kennedy, da Universidade de Harvard
“Toda economia do mundo hoje é dividida entre um segmento avançado, mundialmente integrado, que emprega parcela minoritária da população em idade ativa, e um segmento de baixa produtividade que absorve o grosso dessa população, muitas vezes a baixos salários”

Como Rodrik entende minimizar isso?
1) Em longo prazo, políticas públicas de alto investimento em qualificações e educação.
2) Convencer empresas bem-sucedidas a empregar mais trabalhadores menos qualificados.
3) Impulsionar uma faixa intermediária de atividades de baixa qualidade intensivas em uso de mão de obra. O turismo e a agricultura não tradicional são os principais exemplos desses setores.

Vale dizer tudo o que estamos e iremos abandonar:
1) Valorização de professores e Escolas Livres para ensinar as verdades históricas.
2) Promover insegurança nos trabalhadores menos qualificados com mudanças nas leis trabalhistas e previdenciárias.
3) Extermínio da agricultura familiar.

Entenderam quanto dói um cano, seja na ida ou na vinda?

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